Novo software brasileiro diagnostica Alzheimer em 15 minutos

Atualmente, o diagnóstico pode levar até 20 horas para ser feito, levando-se em consideração histórico médico, avaliações cognitiva, testes psicológicos e exames complementares

Foto: Antonio Scarpinetti/Divulgação Unicamp

Um novo software promete reduzir drasticamente o tempo médio para se diagnosticar a Doença de Alzheimer. A inovação é fruto de uma pesquisa realizada na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e leva em consideração imagens de ressonância magnética do paciente.

Contando com um banco de imagens, o software usa algoritmos para comparar as áreas de massa branca e cinza de cérebros, saudáveis e doentes, apresentando um laudo em aproximadamente 15 minutos.

Atualmente, o diagnóstico pode levar até 20 horas para ser feito, levando-se em consideração histórico médico, avaliações cognitiva, testes psicológicos e exames complementares como tomografia. O método inovador consegue identificar a doença, inclusive em pessoas que apresentam apenas resquícios iniciais.

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A pesquisa liderada pelo cientista Guilherme Adriano Folego e desenvolvida no Instituto de Computação da Unicamp, conseguiu atingir uma média de 75% de acerto no diagnóstico, mesma média do método convencional.

A ideia, no entanto, não é criar uma concorrente mais ágil do que a investigação clínica e sim oferecer aos médicos uma ferramenta auxiliar para identificar a doença, ainda nos estágio inicial.

“O inovador é justamente conseguir fazer um diagnóstico precoce, porque apesar de o Alzheimer ser uma doença que não tem cura, a identificação rápida antecipa o tratamento e retarda o aparecimento de alguns sintomas, aumentando a qualidade de vida do paciente”, contou Folego.

Usando inteligência artificial, o pesquisador e seu orientador, Anderson Rocha, desenvolveram a rede neural artificial que levou em consideração mais de 23 mil ressonâncias para “treinar” o software a identificar as diferenças entre uma pessoa saudável, uma com indícios iniciais e uma pessoa considerada doente.

“De modo geral, o software analisa o cérebro todo e identifica onde estão as diferenças. O que percebemos nessas primeiras amostras é que uma pessoa em estágio inicial da doença apresenta alterações expressivas no hipocampo”, pontua Folego.  “É interessante imaginar que usamos uma técnica (rede neural) que é inspirada em como o cérebro humano funciona, para ajudar a identificar doenças que afetam justamente o cérebro”.

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No futuro, o mestre em Ciência da Computação também prevê que o uso de comparação de ressonâncias e vasculhamento de padrões poderá ser aplicado na identificação de outras doenças que alteram a morfologia do cérebro.

“O que é preciso é uma amostra razoável para que o programa analise e identifique as diferenças entre os exemplos, mas não vejo maiores obstáculos para aplicar essa mesma técnica”, finalizou.

Por enquanto, o desafio do pesquisador e seu orientador é tirar o software do laboratório e partir para a prática clínica. Para isso, o primeiro passo é o uso do produto dentro do próprio Hospital de Clínicas da Unicamp.

Os dois também preparam um artigo científico para veiculação internacional, já que o projeto foi coorientado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e apoiado pela Microsoft, que cedeu a sua estrutura computacional para rodar o sistema de leitura das imagens tridimensionais.

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