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Suco de uva potencializa resultado de exercícios, diz estudo

O vinho e o suco de uva diminuem o envelhecimento das células e, de quebra, reduzem a fadiga. O suco é indicado para antes e depois dos exercícios, conforme comprovam pesquisas

(Foto: Bigstock)

Suco de uva e a prática de exercícios físicos têm uma relação muito positiva, de acordo com estudo. Além de acelerar a recuperação depois da academia, a bebida é capaz de melhorar a performance dos atletas.

Alexandre Sérgio Silva, professor do programa de mestrado e doutorado de Educação Física e Nutrição da Universidade Federal da Paraíba, realizou um estudo em 2015 que mostrou melhora no desempenho de atletas amadores. Feito com homens e mulheres, o experimento ofereceu ao grupo suco de uva antes ou depois dos treinos. Os resultados foram animadores: em um mês, o desempenho dos que tomaram suco de uva melhorou 17%.

“Isso é muita coisa, considerando que, ao longo de um ano, um atleta pode melhorar seu objetivo em 30%. Ou seja, um mês de tratamento equivale à metade da temporada”, avalia Silva.

A explicação é de que a bebida diminui o envelhecimento das células e, de quebra, reduz a fadiga.

Vale lembrar que o suco de uva branca também traz vantagens. Uma dissertação de mestrado feita na Universidade de Caxias do Sul (UCS) apresentou bons resultados em relação à bebida.

“Foi evidenciado o aumento de HDL em 16% das voluntárias em um período de um mês. Mas o que surpreendeu foi a redução das medidas de circunferência abdominal e do índice de massa corporal (IMC)”, comenta a orientadora da pesquisa, Miriam Salvador, coordenadora do Laboratório de Estresse Oxidativo e Antioxidantes do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da UCS.

Todos esses resultados foram obtidos sem alteração na dieta ou rotina de exercícios das 25 voluntárias. O suco serviu de suplementação por 30 dias.

Estudos comprovam: vinho faz bem à saúde

Cada vez mais pesquisas indicam que beber vinho moderadamente faz bem para a saúde. A bebida, feita a partir da fermentação da uva, tem sido estudada ao longo das décadas e o fator de proteção ao coração tem ficado mais evidente.

O primeiro estudo a impactar o mundo com informações sobre as vantagens do vinho foi feito na década de 1980. Intitulada Paradoxo Francês, a pesquisa relacionou o consumo da bebida à menor taxa de mortalidade por problemas cardiovasculares entre a população da França. Os estudiosos buscaram entender por que os franceses, mesmo consumindo muita gordura, tinham índice de morte por fatores cardíacos semelhante ao de países mediterrâneos, nos quais a dieta é rica em vinho – e a ingestão da bebida foi apontada como resposta.

Mas o levantamento foi alvo de muitas críticas: por tratar-se de um estudo de observação não controlado – no qual uma determinada população foi observada por um período para apontar as diferenças entre o começo e o fim da pesquisa -, ele tem algumas limitações. Estilo de vida, menos estresse e prática de atividades físicas podem coincidir com o hábito de consumir vinho, interferindo no resultado final.

Apesar da controvérsia, o Paradoxo Francês foi o ponto de partida para diversos cientistas investigarem e conhecerem mais a fundo as propriedades da bebida. No Brasil, embora o consumo não seja comparável ao francês – aqui, bebe-se 350 mil litros ao ano contra 2,7 milhões no país europeu, segundo dados de 2015 da instituição Wine Institute, dos Estados Unidos -, não faltam iniciativas de pesquisa que apuram os benefícios do vinho e do suco de uva.

Somente doses moderadas são seguras

A grande polêmica que envolve o tema e provoca divergências entre pesquisadores é a existência de álcool na bebida. Para uns, o vinho é comprovadamente benéfico ao organismo, enquanto que, para outros, não há bebida alcoólica que possa trazer vantagens.

O que se sabe até agora é que todos os benefícios comprovados pela ciência estão relacionados a doses moderadas da bebida ingeridas com regularidade. O pesquisador Protásio Lemos da Luz garante que a porção diária de álcool tolerada pelo nosso organismo é de, no máximo, 30 gramas. Dentro desse limite, segundo ele, não há prejuízos. Caroline Dani completa:

O consumo seguro de vinho é de 150 ml para mulheres e de 200 ml a 300 ml para homens, por dia. Acima disso, deixam-se os benefícios e passa-se a ter prejuízos.

Fica o alerta que uma garrafa inteira no fim de semana não traz nada de positivo. Muito pelo contrário.

“Dentro da faixa considerada segura, não há evidências de que faça mal. É como qualquer remédio: se eu tomar diurético demais, por exemplo, vai fazer mal”, ilustra Da Luz.

A respeitada American Heart Association, entidade norte-americana formada por cardiologistas que têm como objetivo lutar contra doenças do coração, pondera dizendo que os resultados das pesquisas podem não considerar outros fatores de estilo de vida, como alimentação, atividade física e ingestão de gorduras. A instituição afirma que nenhuma comparação direta foi feita para determinar o efeito específico do vinho ou de outro tipo de álcool no risco de desenvolver doença cardíaca ou infarto.

Coração protegido

Pesquisador do tema há 18 anos, Protásio Lemos da Luz, professor do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, desenvolveu diversos experimentos com o vinho. Um deles, feito com coelhos, mostrou que os animais submetidos a uma dieta rica em colesterol e que ingeriram vinho ou suco de uva tiveram menos placas de gordura na aorta, fator de risco para desencadear um acidente vascular cerebral (AVC) e outros problemas cardíacos, como infarto.

Outra pesquisa, desta vez realizada com humanos, analisou uma amostra composta por um grupo de jovens com colesterol aumentado. Os efeitos do consumo também foram bons.

“Por 15 dias, demos alternadamente para as mesmas pessoas 250 ml de vinho e 500 ml de suco de uva. Concluímos que as duas bebidas aumentam a dilatação arterial, que é extremamente importante”, descreve Da Luz.

Bebedores de vinho também demonstraram HDL (colesterol bom) maior e glicemia mais baixa em relação aos abstêmios, de acordo com a conclusão de mais uma investigação que Da Luz coordenou. A pesquisa confrontou o aspecto das coronárias de apreciadores da bebida versus pessoas que não bebiam.

Além disso, o vinho consegue barrar o acúmulo das plaquetas, componentes do sangue que ajudam a interromper o sangramento. O chamado poder antiagregante plaquetário é fundamental para pessoas com doença coronariana, pois evita a acumulação de plaquetas, o que pode levar ao infarto.

De acordo com a biomédica Caroline Dani, que estuda a bebida há mais de 13 anos, o segredo da proteção reside nos polifenois da uva, compostos químicos que funcionam como sistema de defesa das plantas contra os fatores externos, como as intempéries. No processo de elaboração dos derivados da fruta, esses agentes, que ficam na casca e na semente, são transferidos para o produto. Como tem álcool, o vinho mantém mais os polifenois do que o suco, extraído a partir do calor. Essas substâncias têm poder anti-inflamatório, antioxidante e antimicrobiano.

Não bastasse a proteção ao coração, a bebida também parece agir contra a obesidade: testes feitos na China e publicados em 2015 no International Journal of Obesity sugeriram que o resveratrol, um dos componentes da uva, impulsiona a perda de peso.

Suco de uva também é aliado

Se o vinho é alvo de controvérsias por conter álcool, o suco de uva não encontra tantas restrições entre os especialistas. Sabe-se que ele também colabora para a saúde do coração, a redução do colesterol LDL e o aumento do HDL, a diminuição da pressão, a proteção do sistema nervoso central – previne Alzheimer e Parkinson – e ainda diminui as alterações do DNA que levam à formação das células cancerígenas.

“Os últimos trabalhos com ratos e humanos também vêm demonstrando redução do peso e do acúmulo de gordura visceral e abdominal”, diz Caroline.

Uma das linhas que a biomédica pesquisa é o fator protetivo do suco às gestantes e seus filhos. Um estudo feito em ratos foi apresentado no último Simpósio Internacional Vinho em Saúde, que ocorreu em junho, em Bento Gonçalves. Partindo de pesquisas realizadas na University of Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, que demonstraram o fator protetivo da bebida contra o câncer de mama, Caroline investigou se esses benefícios se estendiam aos descendentes.

“Por mais que os filhotes não consumam, acabam recebendo os benefícios”. Ela também observou melhora no perfil de triglicerídeos e colesterol da prole de ratos.

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