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Por usar talco de bebê continuamente durante décadas, e provar que essa foi a causa do câncer de ovário diagnosticado em 2007, uma norte-americana ganhou na Justiça a indenização de cerca de US$ 417 milhões, algo em torno de R$ 1,3 bilhão, contra a empresa Johnson&Johnson, fabricante do produto. A relação, porém, entre o talco de bebê e o desenvolvimento do câncer não é comprovada cientificamente, de acordo com especialistas ouvidos pelo Viver Bem.

Até a década de 1970, era comum que as empresas fabricantes de talco misturassem ao produto a substância asbesto – que comprovadamente aumenta o risco de desenvolvimento de câncer e era comumente encontrada, no Brasil, em telhas de amianto. Por ser exposta, continuamente, ao talco com essa substância, o câncer pode ter se desenvolvido e essa pode ter sido a causa no caso da norte-americana.

“É sabido, tem vários estudos que mostram que o asbesto aumenta até 77% o risco de câncer de pulmão. No caso do câncer de útero e de ovário, os estudos são escassos e a quantidade de participantes é tão pequena que até mesmo os próprios autores sugerem mais estudos antes de fazer essa relação”, explica Roger Akira Shiomi, oncologista clínico do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba e do Hospital das Clínicas, da Universidade Federal do Paraná.

A falta de evidências comprovadas é também reforçada pela Ana Paula Dergham, oncologista clínica do hospital Santa Cruz. “Não tem nenhum estudo, hoje, que mostre essa relação sólida de que o talco possa causar câncer, independentemente do tipo de câncer”, afirma a médica, que completa:

“Sem falar que é preciso, além da exposição a substâncias cancerígenas, uma predisposição genética para que se desenvolva câncer, caso contrário todo mundo teria câncer por usar talco”, explica a oncologista.

Inalação do talco: problemas respiratórios

O talco é um fator alérgeno, de acordo com a oncologista clínica Ana Paula Dergham, que pode desencadear doenças respiratórias, como sinusites, rinites e pneumopatias, devido à exposição. Isso, no entanto, não gera câncer – embora possa causar inflamações e doenças pulmonares, até pneumonias.

“Em dezembro do ano passado, a agência regulatória norte-americana, o FDA, baniu o uso do talco em luvas de profissionais de saúde, para evitar a exposição a esse fator alérgeno. Ele pode causar alergias de pele, além das respiratórias. A recomendação é reduzir ou parar de usar qualquer substância alérgica ou irritativa e, se tiver persistência dos sintomas, procurar um profissional da área”, explica Roger Shiomi, oncologista clínico.

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