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Whey protein, cafeína e ginkgo biloba: veja os suplementos que interferem na ação de remédios

Vendidos sem prescrição médica, suplementos pode ser um risco à saúde, especialmente de quem usa medicamentos de forma contínua

Whey protein deve ser evitado por aqueles que estão tomando remédios que agem nos rins. Foto: Bigstock.Whey protein deve ser evitado por aqueles que estão tomando remédios que agem nos rins. (Foto: Bigstock).

É cada vez mais comum as pessoas utilizarem suplementos alimentares para complementar a dieta, perder peso, ganhar musculatura, aumentar a vitalidade ou o rendimento físico. Vendidos sem prescrição médica, o uso de suplementos por conta própria pode ser um risco à saúde, especialmente aos indivíduos que fazem uso de medicamentos. Esse é o alerta do farmacêutico Moacyr Aizenstein, professor do departamento de Farmacologia da Universidade de São Paulo (USP).

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Segundo o professor, a administração conjunta de suplementos alimentares pode afetar a forma como alguns medicamentos funcionam, além de aumentar o riscos de eventos adversos e interações:

“Algumas pessoas acreditam que os produtos chamados ‘naturais’, como os obtidos de plantas ou óleos de peixes são seguros e não fazem mal algum. No entanto, natural não significa seguro”, destaca Aizenstein.

Diabéticos e hipertensos

Quem sofre de diabete e hipertensão precisa ingerir medicamentos regularmente. Quando a ingestão de remédios é contínua, o risco de interações não desejáveis aumenta.

Os suplementos energéticos e estimulantes são muito danosos para indivíduos que utilizam medicamentos para o controle de doenças cardiovasculares – que são muito comuns, segundo o geriatra Marcos Cabrera. Segundo ele, 50% das pessoas acima de 55 anos têm hipertensão arterial.

“Os suplementos à base de cafeína interferem na ação dos medicamentos para o coração. Isso porque a cafeína é um estimulante do sistema cardiovascular”, explica. “Essa interação pode causar arritmia, aumento da pressão arterial, tontura e esquecimentos”, completa.

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Além dos hipertensos, os diabéticos também precisam tomar cuidado com os suplementos ingeridos – especialmente os que têm carboidratos na sua composição. Nestes caso, o suplemento pode dificultar o controle da glicemia do indivíduo, prejudicando o controle da própria doença.

Por fim, suplementos com alta cargas de proteínas, como o famigerado whey protein, não são recomendados para pessoas que fazem uso de medicamentos que também têm ação nos rins, como os anti-inflamatórios, muito utilizados para o controle de dores. Quando consumida em altas doses, a proteína afeta o funcionamento dos rins e reduz a absorção de cálcio pelo organismo.

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Equilíbrio, sempre

Em situações específicas, a suplementação pode ocorrer, conforme explica o endocrinologista Mario Carra. É o caso de indivíduos com carências nutricionais ou atletas de alta performance.

“Se eu tenho uma alimentação equilibrada, não preciso de suplementação alguma. As pessoas estão trocando uma vida natural por uma artificial”, lamenta.

Ao prescrever um remédio, o profissional de saúde deve conhecer os hábitos alimentares do paciente e saber quais são os suplementos que ele utiliza. Assim, será possível fazer uma orientação mais adequada. “O uso de suplementos não é proibido, mas precisa ser previsto”, diz Carra.

Suplementos alimentares, mesmo os mais naturais, podem afetar a absorção e ação de medicamentos

Suplementos alimentares, mesmo os mais naturais, podem afetar a absorção e ação de medicamentos (Foto: VisualHunt)

Interações perigosas

O professor Moacyr Aizenstein, do departamento de Farmacologia da USP, preparou uma lista com algumas interações entre medicamentos, suplementos alimentares e ervas:

– Suplementos como a ginkgo biloba e vitamina E quando utilizados em indivíduos que fazem uso de anticoagulantes como a varfarina podem aumentar o risco de hemorragias graves;

– Produtos naturais que possuem atividade antiplaquetária (alho, gengibre, boldo e ginseng) e que possuem cumarina em sua fórmula (camomila, castanha, trevo vermelho e salgueiro) podem interagir com anti-inflamatórios e analgésicos, aumentando o risco de sangramentos;

– A erva de St. John, quando utilizada simultaneamente com antidepressivos, como a fluoxetina e a paroxetina, pode causar anormalidades neuromusculares;

– A associação entre medicamentos analgésicos opióides, utilizados para o tratamento de dores severas, com plantas sedativas, como kava, valeriana e camomila, pode provocar depressão do sistema nervoso central.

Quando os alimentos se tornam vilões

Nem toda a bula de medicamento traz o alerta, mas há vários alimentos que não devem ser ingeridos com determinados medicamentos. De acordo com o professor Moacyr Aizenstein, alguns nutrientes podem alterar a ação do medicamento e a eficácia do tratamento.

Um erro muito comum é tomar remédios junto com leite. A bebida e seus derivados dificultam a absorção dos medicamentos, como os utilizados para reposição de ferro.

Outro perigo é o álcool, que tem interações clássicas com ansiolíticos, sedativos ou anestésicos. “A ingestão de álcool potencializa o efeito desses medicamentos”, explica.

Segundo Aizenstein, algumas frutas como maçã, ameixa e goiaba, que contém pectina, podem retardar a absorção de medicamentos à base de paracetamol. Já o feijão, lentilha e cereais, classificados como fibras insolúveis, retardam a absorção de digoxina, usada no tratamento da insuficiência cardíaca.

Já os pacientes que fazem uso de remédios anticoagulantes devem evitar o consumo de folhas verdes, como espinafre, brócolis e couve. O alerta é do nutrólogo Gustavo Gomes de Castro Soares. De acordo com ele, essas folhas são ricas em vitamina K, que potencializam o efeito do medicamento.

Com relação a melhor forma de ingerir os medicamentos, Soares esclarece que, no caso dos antibióticos, eles devem ser desacompanhados de alimentos. Já os medicamentos utilizados no tratamento das arritmias do coração são melhores absorvidos em uma refeição.

Os remédios para tratar fungos só devem ser consumidos na hora da refeição, enquanto os antiácidos, como o omeprazol, só são bem absorvidos se consumidos em jejum.

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