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Conheça o “caçador” de aurora boreal
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As luzes verdes do norte são um espetáculo que, segundo o “caçador” curitibano Marco Brotto, causam deslumbramento e um pouco de medo. Foto: Marco Brotto/Divulgação

É como ver o mar pela primeira vez. Assim o empresário curitibano Marco Brotto, 44 anos, conhecido como “caçador” de auroras boreais, define a sensação de alguém que contempla o fenômeno de luzes coloridas no céu. “Quando uma pessoa do interior vê o mar, ela fica deslumbrada, e ao mesmo tempo com medo. A diferença é que o mar ela pode sentir, a aurora só pode ser contemplada”, fala com brilho nos olhos.

Visita a países frios virou rotina para o curitibano, que fez da paixão sua profissão. Foto: Carlo Simão/Divulgação
Visita a países frios virou rotina para o curitibano, que fez da paixão sua profissão. Foto: Carlo Simão/Divulgação

A paixão pelo fenômeno – conhecido também como “luzes do norte”, decorrente da interação entre partículas solares carregadas de eletricidade e atmosfera terrestre, que acabam por gerar um verdadeiro espetáculo de luz e cores para os observadores – surgiu por acaso em uma viagem com um amigo. “Falávamos do céu e meu amigo comentou sobre as luzes verdes que podiam ser vistas no Polo Norte. Quando voltei ao Brasil, me interessei e comecei a pesquisar o assunto, fui pro Alasca, em 2007, e outros lugares, mas não era a época certa e não vi nada no começo das minhas buscas”, relembra Brotto.

As luzes parecem “dançar” sobre as cabeças ou no horizonte. Para o turista que quer registrar o fenômeno, a lição é não perder o foco. Foto: Marco Brotto/Divulgação
As luzes parecem “dançar” sobre as cabeças ou no horizonte. Para o turista que quer registrar o fenômeno, a lição é não perder o foco. Foto: Marco Brotto/Divulgação
Foto: Marco Brotto/Divulgação
Foto: Marco Brotto/Divulgação

Foi só em 2011, quatro anos após o início da jornada, e passados seis dias em Tromso, na Noruega, com uma temperatura de quase 20ºC negativo, que ele encontrou o que tanta buscava. Foi instantâneo: a partir daquele momento, tornou-se um caçador de aurora boreal, tendo presenciado o fenômeno mais de 50 vezes em sete países diferentes. Ele conta que os melhores lugares para se observar o fenômeno são o Canadá, Estados Unidos, Islândia, Groenlândia, Suécia, Finlândia e Rússia. “Mas na Rússia só é bom ir depois que você já viu a aurora anteriormente, porque a experiência lá pode ser estressante (pelas condições das estradas e das hospedagens, e por ocorrerem em lugares inóspitos) e improdutiva (pela baixa possibilidade de o fenômeno ocorrer)”, adverte.

Foto: Marco Brotto/Divulgação
Foto: Marco Brotto/Divulgação

Paixão compartilhada

A jornada tornou-se o assunto principal de um blog criado por ele, e a paixão compartilhada tem gerado muitos curiosos e seguidores. Foi então que Brotto aceitou ser coach de um grupo de pessoas interessadas em ver o fenômeno, e fez disso uma rotina. Neste domingo, dia 6, um grupo está indo para a Noruega e Finlândia, para uma viagem de nove dias em busca da aurora boreal. No dia 14, outro grupo, sob a coordenação de Brotto, parte para o Alasca. Em novembro e dezembro, a busca se dará na Lapônia, a “terra” do Papai Noel.

Brotto comanda expedições para observar o fenômeno que são muito procuradas. As próximas saem para a Noruega e Finlândia. Foto: Carlo Simão/Divulgação
Brotto comanda expedições para observar o fenômeno que são muito procuradas. As próximas saem para a Noruega e Finlândia. Foto: Carlo Simão/Divulgação

Para quem deseja se planejar com antecedência, outra viagem está marcada para o carnaval de 2016, com preços a partir de R$ 19.827 por pessoa em quarto individual. O pacote inclui passagens aéreas saindo de São Paulo, pernoite em hotel, cinco caças à aurora em van/micro-ônibus na companhia de motoristas locais credenciados junto ao Ministério de Turismo da Noruega e de Marco Brotto. Para quem se animar, ele diz que a viagem é descomplicada, e exige apenas o passaporte em dia. “Claro que não dá para garantir que encontraremos a aurora boreal nessas viagens, mas estudo e pesquiso o tempo inteiro para que todos possam ver, pela primeira vez, esse raro espetáculo”, conclui.

MITOS E VERDADES

Cinco informações que você não sabia sobre as auroras boreais:

Só acontece no inverno- Falso. Na teoria, elas acontecem todos os dias. Porém, é preciso que esteja escuro para ver. Em latitudes mais baixas e com atividades solares altas, é possível vê-las no verão, o que ocorreu em 2015.

Tem que passar muito frio para vê-las- Falso. As regiões mais procuradas para caçá-las são Alasca e Noruega, de temperatura agradável em setembro, em se tratando do Ártico.

Basta olhar ao céu para vê-las- Falso. Quase sempre é preciso se deslocar, fugir das luzes artificiais, encontrar lugares mais escuros e longes da poluição.

Todas são coloridíssimas- Falso. O céu nem sempre fica rosa, verde ou vermelho, pois podem se apresentar também manchas brancas. Nas fotos, cuide do foco e de ruídos.

É igual em todo o lugar- Mais ou menos. Com o passar das horas, ela se movimenta e parece mais forte ou fraca em relação ao lugar em que se está, ficando sobre a cabeça ou no horizonte. Elas ocorrem a 100km da Terra em média.

CONDIÇÕES

Na teoria, o fenômeno acontece todos os dias. “Para ele ocorrer é necessário estar frio, escuro (céu limpo, mas não em Lua cheia), e ter uma ajudinha das massas coronais (erupções solares) e dos ventos solares”, explica Marco Brotto. Apesar de muitos acharem que as auroras boreais ocorrem apenas no inverno, por serem vistas por um período maior, isso se deve mais ao fato de a maior parte do dia estar escuro naquela estação. “O fenômeno também ocorre durante o verão, mas é preferível viajar de setembro a abril para caçá-las”, fala.

Além das auroras boreais, a Noruega também é a terra dos fiordes e dos vikings

A Noruega é um desses lugares que nem todo mundo inclui na lista para ser visitado. Dá para entender. Tirando o fascínio pela aurora boreal, o bacalhau talvez seja, no imaginário da maioria, o principal atrativo desse país localizado na península da Escandinávia.

A cultura viking pode ser revisitada a partir de embarcações antigas. Foto: BigStock
A cultura viking pode ser revisitada a partir de embarcações antigas. Foto: BigStock

Essa imagem se desconstrói à medida que o visitante depara com a beleza exuberante de um fiorde, uma grande entrada de mar entre altas montanhas, como o de Geiranger, no sudoeste do país. Ou da costa com cerca de 20 mil quilômetros, se levadas em conta as entradas profundas dessas reentrâncias mar adentro. Tal qual quando se observa a neve se descongelando em forma de cachoeira no alto das montanhas branquinhas, escorrendo em forma de fenda na arquitetura rochosa e íngreme refletida no espelho de águas gélidas e profundas.

Vikingskipshuset, o Museu do Navio Viking, em Oslo.
Foto: Bigstock
Vikingskipshuset, o Museu do Navio Viking, em Oslo. Foto: Bigstock

Pensamento que se altera também quando o visitante entra em contato com os privilegiados moradores do país. Em 2014, conforme a Organização das Nações Unidas, a Noruega atingiu um PIB per capita acima de US$ 100 mil, feito inédito no mundo. No país com cerca de 4,8 milhões de habitantes, o serviço de saneamento ambiental atende a todas as residências, e a taxa de mortalidade infantil é baixíssima: três óbitos para cada mil nascidos vivos. Todas as pessoas acima de 15 anos são alfabetizadas.

O Fiorde de Geiranger é um espetáculo à parte na Noruega. Foto: BigStock
O Fiorde de Geiranger é um espetáculo à parte na Noruega. Foto: BigStock

A economia se baseia na pesca, principalmente do bacalhau, e na extração de petróleo e de madeira. A história do país está ligada aos vikings, que tiveram papel importante na cultura norueguesa e na mitologia nórdica. O visitante terá ideia disso na hora de comprar um suvenir, tal a quantidade de vikings em gravuras, camisetas, louças, imãs, entre outros.

E eles não estão apenas em espaços especiais, como no Vikingskipshuset, o Museu do Navio Viking, em Oslo. Os guerreiros ainda ocupam uma reserva especial na memória, ainda que vítimas de falsas imagens criadas no século 19 usando capacetes e chifres. Mas nada disso tira a autenticidade da Noruega, lugar que merece sempre ser (re)visitado.

*A reportagem da RBS viajou a convite dos escritórios de turismo Innovation Norway/ Visit Norway e VisitDenmark.

Serviço

Pacotes para caçar a aurora boreal: Insight – (41) 3018-1571. Blog Marco Brotto.

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