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Turismo

Entenda por que o Brasil não tem companhias aéreas ‘low cost’ como as da Europa

Especialistas e empresas afirmam que impostos, taxas aeroportuárias e forte regulamentação impedem a venda de passagens a preços muito baixos

Aviões de companhias aéreas low cost estacionadas em um aeroporto português. Foto: Autoridade Nacional de Aviação Civil de Portugal

Pagar até R$ 15 reais em uma passagem aérea pode ser o sonho de muitos brasileiros. Uma realidade vivida diariamente por quem paga em Euros e participa das promoções  praticadas por companhias como Ryanair, Easyjet e Vuelling, as chamadas low cost europeias que tem nas passagens muito baratas os seus grandes chamativos.

Isso acontece porque o mercado europeu possui uma regulamentação muito menor do que o brasileiro, além de uma carga tributária mais baixa e legislação trabalhista mais flexível. Há também uma infraestrutura que permite a operação em aeroportos alternativos relativamente próximos às grandes cidades.

“É um conjunto de fatores que impedem que este modelo seja implementado no Brasil”, explica Cleverson Pereira, professor de cenários econômicos do Centro Universitário Internacional Uninter.

A Ryanair foi a primeira companhia da Europa a adotar o modelo de low cost. Foto: Ryanair/divulgação.

Essa discussão começou em meados de 2001 com a chegada da Gol ao mercado, com passagens mais baratas para conquistar uma parcela maior da população. “Mas isso aconteceu com duas décadas de atraso”, completa o professor lembrando que este tipo de operação iniciou na Europa no início dos anos 1990.

Entre os fatores que ajudam a baratear ao máximo as passagens está o de cobrar por praticamente todos os serviços prestados. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), formada pelas companhias Avianca, Azul, Gol e Latam, afirma que “há valores diferenciados para se fazer o check-in pela internet ou no balcão do aeroporto, marcar assento ou não, pelo uso de serviços a bordo, refeições e bebidas, despachar bagagem, entre outros”.

São taxas que começam em torno de 15 Euros, e até mesmo a impressão do bilhete no aeroporto é cobrada.

Apesar das empresas brasileiras terem planos parecidos com as low cost europeias, o professor Cleverson Pereira afirma que os maiores custos vão continuar pesando no preço. “O ICMS do combustível, o querosene de aviação, pesa muito nos custos das companhias aéreas (12% a 25% dependendo de onde ocorre o abastecimento), além da falta de aeroportos alternativos como os da Europa e de jornadas flexíveis de trabalho dos tripulantes”, explica.

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A chegada de companhias aéreas low cost no Brasil depende principalmente de decisões governamentais. Nesta semana, senadores, empresas aéreas e Anac discutiram em reunião. Foto: Pedro França/Agência Senado.

Passagens mais baratas?

A flexibilização das normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que começou no ano passado, pode ajudar a baratear as passagens aéreas nos próximos anos. “O Brasil vai passar por mudanças muito severas e terá uma iniciação ao modelo low cost de verdade, com a gradativa desregulamentação do mercado”, explica o professor Cleverson Pereira.

No entanto, assim como ocorreu com a cobrança por bagagem despachada, as novas regras devem bater de frente com entidades de defesa do consumidor. Lívia Coelho, representante da Associação Proteste, afirma que os clientes tem direitos conquistados, e que “não pode haver retrocesso deixando as decisões a cargo das companhias aéreas”.

Já o presidente da Anac, José Ricardo Botelho de Queiroz, afirmou as novas medidas ajudarão a atrair empresas low cost para o Brasil, e consequentemente aumentar a oferta de voos mais baratos.

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O Aeroporto Internacional de Viracopos é considerado um terminal alternativo de São Paulo. Foto: Aeroportos Brasil Viracopos/divulgação.

 

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A Norwegian Airlines é uma das companhias europeias que estão planejando investir na América Latina. Foto: divulgação.

Mais próximas

Recentemente, a companhia norueguesa Norwegian Air anunciou que está planejando expandir a sua malha aérea na América Latina, mas começando pela Argentina. O presidente da empresa, Bjørn Kjos, afirmou ao jornal inglês The Guardian que o continente está muito mal atendido, mas que possui grandes planos de investimento.

A Ryanair também começou a ver potencial por aqui, e está testando algumas parcerias para iniciar seus serviços. No ano passado, a companhia estabeleceu um acordo de code-share com a AirEuropa para voos internacionais do Brasil para a Espanha.

E no próprio continente, algumas companhias low cost estão começando a se desenvolver. Na Argentina, a Flybondi promete preços mais em conta do que as passagens de ônibus e operação em aeroportos periféricos ainda neste ano. O hub dela (base operacional) deve ser o El Palomar, na periferia norte de Buenos Aires, mas a autorização esbarrou em questões judiciais.

Há também a Amaszonas (Paraguai), Viva Colombia (Colombia) e a Fly All Ways (Suriname).

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