Turismo

O guia definitivo do Carnaval no interior do Paraná

O estado tem festas tradicionais que continuam em alta, e algumas mais novas que estão bombando; veja a lista

Desfile das Escandalosas, em Antonina, é um dos mais animados do Estado. Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Reis Momos e Rainhas do Carnaval de todo o Paraná já estão se aquecendo para o carnaval 2018. Das prainhas do extremo norte do Estado às Cataratas do Iguaçu, várias cidades do interior têm festas muito tradicionais. A folia em Antonina, por exemplo, é uma das mais antigas do Brasil. Medianeira, no oeste, por sua vez, tem uma festa que vem crescendo nos últimos anos. O Viver Bem preparou um guia completo para quem quer pular o carnaval no interior em grande estilo.

Antonina

Alguns blocos carnavalescos de Antonina têm mais de 80 anos. Banhados em tradição, esses blocos desfilam pelas ruas históricas da cidade e fazem a alegria dos moradores e turistas. O carnaval de Antonina é um dos mais animados do Paraná e recebe, todos os anos, em torno de 50 mil foliões, de acordo com a Prefeitura Municipal.

Em suas origens, no final do século XIX, o carnaval de Antonina era o momento das brincadeiras de rua. Entre elas, estavam “a laranjinha – bolinhas de cera cheias de água perfumada que eram lançadas nos foliões, banhos com baldes d’água do mar tiradas de canoas, pinturas com graxa, barro, banha com carvão de fundo de panela, que eram passadas nos rostos”. Dentro dos salões dos clubes, por volta da década de 1920, começaram a surgir os cordões carnavalescos, que depois se tornaram os blocos de carnaval, como o Dragão, Filhos da Capela, Batel, Matarazzo, Bloco do Boi e Apinangés.

Alguns desses blocos viraram as escolas de samba da cidade. Já as “Escandalosas“, que são a grande sensação da folia antoninense, surgiram pela primeira vez na década de 1940. “O carnaval de Antonina, desde sua origem, é fruto da criatividade e animação das famílias antoninenses e faz parte da história de cada um dos capelistas”, afirma a Prefeitura. Este ano a programação se estende de sexta-feira (9) a terça-feira (13). A Corrida e o Desfile das Escandalosas serão realizados na segunda-feira (12), a partir das 19h.

Ruas de Antonina ficam tomadas durante a folia. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Ruas de Antonina ficam tomadas durante a folia. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Astorga

Até 2016 o carnaval em Astorga, a pouco mais de 400 km de Curitiba, era realizado pela Prefeitura Municipal. Com o fim das festividades promovidas pela administração da cidade, quem ganhou ainda mais visibilidade foi o Bloco do Aço, que já existia desde 2009. Para comemorar seus nove anos, o bloco promove shows no Centro de Eventos da cidade entre a sexta-feira (9) e a quarta-feira (12).

Para deixar os foliões ainda mais animados, em 2018 a organização do Aço aposta em festas temáticas. (sexta-feira: Festa da Caneca; sábado: Festa do Chapéu; domingo: Festa da Espuma; segunda: Festa do Pijama.) Herick Miranda, um dos organizadores, explica que o público do evento é essencialmente universitário. Assim, “a ideia das festas temáticas era que as pessoas usassem os materiais que já utilizam nas atléticas”.

O passaporte para todas as noites custa R$ 220 e dá direito aos ingressos, dois abadás – um para a sexta e o domingo e outro para o sábado e a segunda – e caneca, enquanto entradas para noites avulsas custam em torno de R$ 60, sem o abadá. Esses podem ser adquiridos separadamente por R$ 30. Compre nos pontos de venda ou direto pela internet.

Miranda afirma que este ano a organização espera um público de mais ou menos 600 pessoas na sexta e no domingo. No sábado e na segunda, a expectativa é de que a festa atraia entre mil e 1200 pessoas.

Em Astorga quem comanda o carnaval é o Bloco do Aço. Foto: Reprodução/Facebook

Em Astorga quem comanda o carnaval é o Bloco do Aço. Foto: Reprodução/Facebook

Dois Vizinhos

No sudoeste do estado um dos endereços do carnaval é a pequena Dois Vizinhos. Por lá a festa é comandada pelos seis blocos que compõem a Liga dos Blocos Carnavalescos de Dois Vizinhos. O presidente do grupo, Anibal Eugenio, conhecido como Mano, explica que toda a concentração e os bailes são realizados no parque de exposições da cidade. “Os portões ficam abertos 24 horas por dia e os blocos têm suas programações próprias durante o dia. À noite tem os bailes no pavilhão”, diz.

Depois de anos tendo como endereço os salões de baile duovizinhenses, há três anos o carnaval foi transferido para o parque. Drayton Diefenbach, diretor de cultura do município, conta que a mudança foi feita em nome da tranquilidade dos moradores. “É o maior carnaval do sudoeste do Paraná. A área do parque de exposições é muito grande e os foliões podem se divertir.”

Mano diz que este ano são esperadas entre três e quatro mil pessoas por noite. “Vem muita gente de fora. De Pato Branco, Francisco Beltrão e outras cidades.” Os ingressos para o baile são gratuitos para integrantes dos blocos e custam em torno de R$ 40 para os não-integrantes. Além disso, cada bloco monta seus próprios pacotes, que saem por mais ou menos R$ 350, de acordo com o presidente da liga.

Foliões do blocos Transas e Caretas curtem o carnaval de Dois Vizinhos em 2017. Foto: Reprodução

Foliões do blocos Transas e Caretas curtem o carnaval de Dois Vizinhos em 2017. Foto: Reprodução

Foz do Iguaçu

Só o nome “Carnaval da Saudade” já diz muito. Em Foz, brincar o Carnaval é costume que vem de longos anos entre os blocos formados por famílias, amigos e comunidades inteiras. Em 2017, aliás, a Fundação Cultural de Foz do Iguaçu optou por realizar só o Carnaval da Saudade. Este ano, além do famoso encontro dos blocos na Avenida Marechal Deodoro, haverá ainda o Carnafalls.

O baile, cujo nome é uma brincadeira com a palavra “falls” – quedas, em inglês -, será realizado no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) da cidade. Segundo Vera Vieira, diretora da Fundação, será um evento com entrada franca, para o qual será permitido inclusive levar a própria bebida, desde que não esteja acondicionada em garrafas de vidro. O concurso de Rei Momo e Rainha do Carnaval dará lugar à eleição do folião, da foliã e do bloco mais animados da festa.

Na Marechal, o Saudade também vem forte. “Essa tradição vem do tempo em que o carnaval era brincado dentro dos clubes. Do Floresta Clube, do Oeste Paraná Clube. Ali o carnaval se caracteriza pela brincadeira popular em que as pessoas se juntam em blocos para pular”, diz Vera. No sábado à noite a Fundação também está apoiando a realização do Carnarock, voltado para quem não quer saber de samba, axé e marchinhas. Será no Teatro Barracão.

Matinê infantil é uma das atrações do carnaval de Foz. Foto: Reprodução

Matinê infantil é uma das atrações do carnaval de Foz. Foto: Reprodução

Medianeira

Dois tipos de público podem aproveitar o carnaval de Medianeira, no oeste paranaense. A 360 km da capital, a cidade oferece opções para famílias e também para quem é solteiro. Os típicos carnavais de clube, tão populares até o começo dos anos 2000, estão sendo resgatados em lugares como o Clube União.

Fundado em 1956, o Clube União está com tudo preparado para “resgatar a tradição dos carnavais no salão do clube”. A programação ocupa as noites de sábado (10), domingo (11) e segunda-feira (12) e é voltada principalmente a famílias e casais. Os convites custam entre R$ 5 (para sócios na matinê de domingo) e R$ 35 (para não-sócios na noite de sábado) e podem ser adquiridos na sede do União. Telefone: (45) 3264-1419. Endereço: Avenida Brasil, 3140.

Já no Aruba Café quem tem vez é o público entre 18 e 45 anos. Douglas Sartori Muller, um dos sócios da casa, avalia que “quem gosta de balada” vai gostar da programação do carnaval. “Nos últimos três anos nossa festa cresceu bastante. Tem vindo muita gente de fora. Cascavel, Foz e Toledo sempre estiveram presentes, mas agora vem gente de Londrina, Maringá, Curitiba e até de fora do país, como da Argentina e do Paraguai.”

Por lá são dois palcos montados para agradar a gregos, troianos, vikings e quem mais chegar. Um deles toca samba, pagode, axé, sertanejo e funk, enquanto o outro tem foco em música eletrônica. São 10 horas de folia por noite, de sábado (10) a terça (13). Os ingressos para todas as noites custam R$ 325 no primeiro lote, incluem abadá e caneca e podem ser comprados no site da casa.

Registro do carnaval 2017 no Aruba Café. Foto: Divulgação

Registro do carnaval 2017 no Aruba Café. Foto: Divulgação

Morretes

Diferente de Antonina, Morretes nunca teve um carnaval forte. A grande folia antoninense sempre atraiu tantos turistas que até mesmo os morretenses preferem ir até a cidade vizinha para curtir a festa. A avaliação é do diretor de turismo de Morretes, Orlei Antunes de Oliveira.

Morretes não tinha carnaval, nunca teve. Qualquer morretiano que queria farra se mandava para Antonina, não ficava ninguém na cidade. O morretense adora  Antonina para se divertir, isso é histórico”, conta Oliveira. Há mais ou menos 15 anos, porém, a cidade começou a promover um carnaval de rua ainda tímido, que acabou se tornando uma alternativa à folia muito mais expressiva de Antonina.

De acordo com o diretor de turismo, no ano passado a cidade recebeu entre 12 e 13 mil pessoas ao longo dos cinco dias de folia. A expectativa para 2018 é que esse número cresça para algo em torno de 18 mil. Na sexta-feira (9) a programação começa às 19h com um pagode que vai até as 22h. Daí até as 2h30 da manhã entra uma banda tocando músicas carnavalescas. Do sábado (10) à terça-feira (13), as crianças têm uma matinê das 17h às 19h, com pagode das 19h às 22h e músicas de carnaval até as 2h. A ideia é que sejam nove horas seguidas de festa.

Quem espera um carnaval típico, com muita dança e muitas brincadeiras, pode se decepcionar um pouco com a folia de Morretes. É que, ali, a festa ainda é mais contida, como explica Oliveira. “Aqui é que ainda é possível levar criança de colo, carrinho de bebê, essas coisas.”

A pacata Morretes até tem carnaval, mas festa forte mesmo é em Antonina. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

A pacata Morretes até tem carnaval, mas festa forte mesmo é em Antonina. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Paranaguá

Cidade mais antiga do estado, em 2018 Paranaguá quer honrar suas raízes com o tema “Essa Folia tem História“. Na programação estão o desfile das escolas de samba da cidade, na Rua da Praia, concurso de Rei Momo e Rainha do Carnaval, bailes no Clube Atlético Seleto, no Clube Literário Campestre, e no Mercado Municipal do Café, desfile de blocos, apresentação de marchinhas e até uma exposição carnavalesca.

Por se tratar de uma extensa lista de opções, os eventos serão realizados em diversos lugares, inclusive na Ilha do Mel. Um dos pontos altos da festa é o Banho de Mar à Fantasia, que chega à sua 69ª edição este ano. O banho será realizado no dia 4 de fevereiro, com concentração a partir das 12h na Praça do Guincho. Para participar é necessário fazer uma inscrição. Você acessa todos os detalhes clicando aqui. A programação completa, com horários, informações sobre ingressos e endereços está no site da Prefeitura de Paranaguá.

Bloco Boi de Mamão brinca nas ruas de Paranaguá no carnaval de 2013. Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo

Bloco Boi de Mamão brinca nas ruas de Paranaguá no carnaval de 2013. Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo

Porto Rico

Com apenas três mil habitantes, o município de Porto Rico, na divisa com o Mato Grosso do Sul, é um fenômeno do turismo de fim de semana. Aos sábados e domingos a população local praticamente dobra, como afirma José Angelo, secretário municipal de turismo. São moradores de Maringá, Londrina, Cascavel e outras cidades do Paraná e do Mato Grosso do Sul, que aproveitam a folga para curtir as prainhas naturais de água doce.

Já o carnaval é um sucesso à parte. No ano passado o público chegou a um total entre 15 e 20 mil pessoas. “Nós interditamos um trecho de 300 metros na orla do rio e colocamos um dj, que montou uma estação de rádio. Assim, as pessoas iam com seus carros de som, sintonizavam aquela estação e curtiam todas juntas a mesma trilha sonora”, explica o secretário. Para ele, o diferencial do evento é que, mesmo sendo um carnaval de rua, com som automotivo, ele é frequentado por famílias inteiras.

À beira do rio, carnaval de Porto Rico é feito com som automotivo. Foto: Divulgação

À beira do rio, carnaval de Porto Rico é feito com som automotivo. Foto: Divulgação

Tibagi

“Optcha! Tibagi tem alma cigana, roda baiana e tem samba no pé”, diz o slogan do carnaval 2018 da cidade, que fica nos Campos Gerais. Os primeiros registros da folia por lá são de 1910, o que a torna uma das mais antigas do Paraná.

Era a década de 1930 quando o Clube Tibagiano promoveu os primeiros bailes de carnaval do município. Frequentado apenas por brancos, o clube era vizinho ao Clube Estrela da Manhã, fundado pela comunidade negra, separação que era “esquecida” durante o carnaval, quando os membros dos dois clubes se visitavam mutuamente.

Outra das tradições da cidade é o “Corso“, um desfile de veículos decorados que começou quando os carros ainda eram puxados por cavalos. Este ano ele está programado para a noite de segunda-feira (12), a partir das 21h. As escolas de samba 18 de Março, Vila São José, Unidos do Nequinho e Municipal se apresentam na sexta-feira (9), quando também haverá a apresentação da Rainha e das Princesas do Carnaval e a entrega da chave ao Rei Momo.

Quem for passar o carnaval em Tibagi também vai poder aproveitar os shows programados pela Prefeitura da cidade, matinês voltadas para as crianças e para a terceira idade e o resultado do concurso do Corso. Todas as informações no site da Prefeitura.

Desfile no carnaval de Tibagi em 2014. Foto: Josué Teixeira/Gazeta do Povo

Desfile no carnaval de Tibagi em 2014. Foto: Josué Teixeira/Gazeta do Povo

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