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Estátua da Liberdade e a ilha de Manhattan ao fundo. Nova York - NY. (Bigstock)
Estátua da Liberdade e a ilha de Manhattan ao fundo. Nova York - NY. (Bigstock)| Foto:

Um levantamento divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) mostra que mais de três milhões de brasileiros vivem no exterior, principalmente em países da América do Norte, Europa e América do Sul. Quase metade deles, 1,4 milhão, mora nos Estados Unidos, em um movimento que começou na década de 1990 e continua forte até os dias de hoje.

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Além da Terra do Tio Sam, os brasileiros expatriados também estão espalhados pelo Paraguai (332 mil), Japão (170 mil), Reino Unido (120 mil) e Portugal (116 mil).

A busca por uma vida melhor até os laços familiares são algumas das motivações para a mudança de país. Em comum a todos está “a sensação de segurança e melhores condições financeiras”, de acordo com a coordenadora do curso de Relações Internacionais da Uninter, Caroline Cordeiro.

Tanto que os continentes com menos turistas e residentes brasileiros são aqueles em que a violência e a pobreza são mais evidentes, como praticamente toda a África e partes do Oriente Médio, Oceania e América Central. Há ainda países que sequer possuem registros oficiais de brasileiros, como Mongólia, Papua Nova Guiné e Indonésia (Ásia), Síria e Iêmen (Oriente Médio) e Líbia, Níger e Madagascar (África).

Palácio presidencial de Assunção, capital do Paraguai. Foto: Bigstock
Palácio presidencial de Assunção, capital do Paraguai. Foto: Bigstock

Férias x trabalho

Segundo Caroline Cordeiro, há uma correlação direta entre o turismo e o trabalho. Ou seja: os destinos de férias são também os mais desejados para se morar. “Quantas pessoas que saem de férias voltam pensando em morar no lugar que visitaram?”, questiona a coordenadora se referindo ao turismo da cultura de consumo, que está aumentando cada vez mais, principalmente com os “ostentagram”. São aquelas pessoas que estão sempre conectadas e postando nas redes sociais o máximo de coisas possível sobre a viagem, em especial no Instagram.

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É a partir disso que se desperta o desejo de visitar um determinado lugar e depois fixar residência por lá. E o destino escolhido leva em consideração que tipo de raízes a pessoa pretende. O levantamento do Itamaraty comprova a “vocação” de cada país com o perfil de seus imigrantes.

Foto: Divulgação/Ministério do Turismo de Portugal.
Foto: Divulgação/Ministério do Turismo de Portugal.

Top 5

Mudança de vida, carreira, capacitação, família e língua: cada um destes motivos explica o perfil dos cinco países mais procurados: Estados Unidos, Paraguai, Japão, Reino Unido e Portugal. Todos eles começaram a ser intensamente mais sondados pelos brasileiros a partir do início da década de 1990, quando houve a abertura econômica do país. Não que não houvesse antes, mas foi a partir disso que as pessoas passaram a conhecer mais o que havia lá fora.

“Todos eles se confundem com o desejo de uma vida melhor, de consumir mais, de possuir, de ‘morar na Europa’”, explica Caroline. O “American Dream”, do estilo de vida norte-americano, foi a propaganda que mais atraiu brasileiros em busca de uma vida com mais posses.

Consumo acessível

Os Estados Unidos é um dos países mais  desejado, principalmente por conta do acesso fácil e barato a bens como carros mais novos e modernos, roupas a preços baixíssimos, e o romantismo das praias californianas, da latinidade de Miami e da vida cosmopolita de Nova York.

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Por outro lado, o nosso vizinho Paraguai vem despontando na economia mundial como uma terra de oportunidades. Caroline Cordeiro explica que a migração para o país “possui um fluxo muito diferente dos Estados Unidos. É mais pela questão da carreira, com profissionais já formados que não foram absorvidos pelo mercado brasileiro, mas que são muito requisitados por lá”.

O mesmo se dá com o Reino Unido, mas mais especificamente com a Irlanda, onde os brasileiros estão indo para aprender inglês e talvez voltarem depois.

Já o Japão e Portugal tem ligações mais fraternas do que de consumo. Ambos são países desenvolvidos, mas o primeiro recebe imigrantes mais por questões familiares, de descendentes de japoneses que vieram para o Brasil no começo do século passado.

Em Portugal, a procura se dá pela cultura e língua, de fácil adaptação para os brasileiros e por ser “a porta de entrada da Europa”, conta a coordenadora.

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Um novo perfil turístico

Enquanto os Estados Unidos e a Europa acalentaram os sonhos de férias e de moradia dos brasileiros nas últimas décadas, um novo movimento de turismo está se desenvolvendo: os lugares remotos. “Isso pode proporcionar um maior movimento migratório, como a própria África do Sul (que não era um destino explorado), a Tailândia, Mali, Fiji e a Oceania toda”, explica Caroline Cordeiro.

As Ilhas Phi Phi. Foto: André Gonçalves/Gazeta do Povo
As Ilhas Phi Phi. Foto: André Gonçalves/Gazeta do Povo | Gazeta do Povo

Essa abertura para destinos não tão turísticos está se dando sobretudo pela questão econômica, com a desvalorização do Real perante moedas como Dólar e Euro. Segundo Caroline, “apesar de as passagens para estes países serem mais caras, os gastos internos serão menores do que nos destinos mais famosos”.

Nesta lista entram também destinos de inverno como as estações de esqui da América do Sul, mais acessíveis do que os Alpes Suíços e Aspen. “Tem um pessoal que está indo mais para a Patagônia e para a Terra do Fogo, Chile e extremo sul do continente. A América do Sul está começando a ser redescoberta”, completa a professora.

Ela explica que isso acontece também com as praias, já que muitas vezes o nordeste brasileiro pode ser mais caro do que viajar para além das nossas fronteiras. “Por outro lado, o Brasil também está sendo descoberto pelos estrangeiros, principalmente europeus, que tem sua moeda mais valorizada que o Real”, conta.

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