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No magnífico centro histórico, a Praça Tiradentes com o  Museu da Inconfidência ao fundo. Fotos:  Divulgação
No magnífico centro histórico, a Praça Tiradentes com o Museu da Inconfidência ao fundo. Fotos: Divulgação| Foto:

A riqueza da decoração das igrejas barrocas de Ouro Preto é apenas a face mais visível do que restou do glorioso Ciclo do Ouro de Minas Gerais. Poucos metros debaixo do extraordinário conjunto arquitetônico da cidade mineira – declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1980 – se estende uma rede de túneis com milhares de quilômetros. São as minas de ouro que, após serem abandonadas por mais de um século, hoje são abertas para visitação.

Túnel feito por escravos na mina Santa Rita
Túnel feito por escravos na mina Santa Rita

Há 2.040 minas catalogadas na região, sendo 400 delas em Ouro Preto. A maioria permanece fechada e esquecida, mas algumas podem ser visitadas com excursões organizadas por empresas de turismo do Circuito do Ouro, região que agrupa 16 municípios próximos a Belo Horizonte, incluindo Mariana, Congonhas, Catas Altas, Sabará e Nova Lima.

A Mina da Passagem, em Ouro Preto, é uma das mais interessantes. O percurso tem 315 metros de extensão e 120 metros de profundidade e a descida é feita num trolley. No fim do trilho há um lago natural onde é possível mergulhar. Outras minas, localizadas a poucos minutos de carro do centro de Ouro Preto, são a Mina Jeje e a Mina du Veloso. Os passeios a pé são guiados e não apresentam particulares desafios, embora alguns trechos devam ser percorridos agachados, mas que podem ser feitos tanto por idosos quanto por crianças. O custo, em média, é de R$ 25 por pessoa.

Entrada da mina de Jeje, explorada no século 18. 
Fotos: Andrea Torrente/Gazeta do Povo
Entrada da mina de Jeje, explorada no século 18. Fotos: Andrea Torrente/Gazeta do Povo

Não há visitante que, ao entrar nas galerias, cavadas na duríssima rocha ferrosa entre 1700 e 1800 pelos escravos, não sonhe em encontrar uma pepita ou pelo menos um resquício esquecido, mesmo que minúsculo, de ouro. Não se sabe quantas toneladas do precioso mineral foram extraídas durante o Ciclo de Ouro: o que sobreviveu ao quinto imposto pela Coroa portuguesa e ao dizimo do Vaticano hoje está na decoração das dezenas de igrejas da região.

De encher os olhos

A bela fachada barroca da Igreja de  São Francisco de Assis
A bela fachada barroca da Igreja de São Francisco de Assis

Os mestres Aleijadinho e Athaíde foram os responsáveis por transformar as igrejas de Ouro Preto em magníficas obras de arte. A igreja de São Francisco de Assis, cuja construção começou em 1766, é o melhor exemplo do trabalho dos dois artistas (ingresso R$ 10). Eventualmente, o local recebe concertos de música erudita com emocionantes jogos de luzes. Ao lado, funciona todos os dias ao ar livre a feirinha onde artesãos locais criam e vendem suas obras, objetos e lembrancinhas feitos em pedra-sabão, material abundante na região.

O centro histórico é pequeno e é possível explorá-lo a pé, basta calçar sapatos confortáveis para enfrentar as ladeiras de paralelepípedos. Cada canto da cidade merece uma foto, mas é quando o sol se põe, atrás da serra, que Ouro Preto dá o melhor de si: uma luz alaranjada reflete nas paredes brancas dos edifícios e se espalha pelo ar. No fim de semana, as charmosas lojinhas de artesanato, os empórios e os cafés ficam abertos até mais tarde, iluminados pelas antigas lanternas que decoram as fachadas dos casarões.

As criações de Aleijadinho na Igreja de São Francisco de Assis
As criações de Aleijadinho na Igreja de São Francisco de Assis

Visita obrigatória é o Museu da Inconfidência, localizado na Praça Tiradentes, que abriga mais de 4 mil peças que retratam a vida sociocultural mineira dos séculos 18 e 19. Entre elas estão obras de Aleijadinho e Athaíde, além dos túmulos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e dos demais inconfidentes.

* O jornalista viajou a convite do Festival de Turismo que ocorreu em outubro de 2015

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