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Viagens culturais com foco em iniciativas sociais
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A agência de viagens especializada em roteiros customizados com foco em conhecimento NomadRoots recebeu nesta semana Gabriele e Felipe, do projeto Think Twice Brasil, para um bate-papo sobre a experiência do casal durante uma viagem de 400 dias por mais de 40 países. Os dois passaram por dezenas de cidades da África e da Ásia em busca da troca de experiências com empresas e organizações voltadas ao desenvolvimento social. Com foco na empatia e na vivência com comunidades locais, Gabi e Fe saíram da zona de conforto e se libertaram de padrões sociais estabelecidos.

Viagens culturais com foco em iniciativas sociais

Confira a entrevista que fizemos com eles:

Como surgiu a ideia do projeto e da viagem e como foi o planejamento pessoal e financeiro de vocês para passar tanto tempo fora?

O nome está ligado ao repensar, pensar duas vezes, e isso não só com a gente, mas na relação entre nós e o outro. Também é reconhecer que temos uma consciência pessoal mas também uma consciência social, precisamos olhar para dentro e para fora. A ideia surgiu quando estávamos há anos em empregos formais e começamos a questionar nossa vida, pois não enxergávamos um propósito, um legado para deixar para o mundo. Assim, repensamos o rumo que queríamos dar para nossas vidas. Com a decisão de mudarmos de carreira, o Felipe fez uma especialização em negócios sociais com comunidades de baixa renda, então nós estudamos e nos especializamos nesta área. Quando tomamos essa decisão de trabalhar pela justiça social, percebemos como somos privilegiados e pensamos em como vamos fazer isso sem estar nessa realidade. Aí veio a questão da empatia, de se colocar no lugar dos outros para compreender a situação, ouvindo e enxergando o problema do próximo. Fizemos a viagem para fugir da nossa zona de conforto e dos padrões que já não nos serviam mais. Quando a gente tomou a decisão de que essa seria a melhor opção para aprender e depois fazer a transição da carreira, nos preparamos durante 7 meses, o que envolveu desde montar um roteiro inicial com países que sofrem de uma grande desigualdade social e também vivem culturas muito diferentes das nossas. Tínhamos nossas economias, então fizemos toda a viagem sem parceiros ou patrocínios e já tínhamos o plano inicial de ficar no mínimo um ano.

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Como foi o contato com as pessoas, empresas e organizações que vocês visitaram em todos estes países?

Pensamos em conhecer organizações sociais, não necessariamente apenas ONGs, mas iniciativas de grupos que tinham um trabalho bacana para que a gente pudesse viver essa experiência da maneira mais genuína possível. Fizemos uma longa pesquisa e já fomos com vários contatos feitos. Na Etiópia e em Ruanda, por exemplo, não tínhamos contatos nem lugar para ficar, mas fomos perguntando de porta em porta, procurando pessoas engajadas, e também buscamos na internet. Acreditamos que quando você está com uma boa energia as coisas acontecem. Sempre havia uma pessoa, como o próprio fundador que servia de mediador, que geralmente falava um inglês melhor, que nos ajudava nessa busca. Mas é uma questão forte de barreira, principalmente a linguística, pois a gente não conseguia falar muito com as crianças, por exemplo, mas nas atividades a gente conseguia se virar.

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Como foi a experiência da vivência com as comunidades e como isso levou à compreensão das diferentes realidades sócio culturais?

Ficamos seis meses na África, e ficou mais fácil de compreendê-la depois que saímos de lá. Foi quando conseguimos compreender nossas semelhanças, pois fomos muito bem acolhidos, então eu percebi como somos muito parecidos, inclusive nas questões de desigualdade social. Viajamos muito abertos para realmente entender como a vida nesses lugares funciona. Você enxerga coisas do dia a dia de um jeito completamente diferente. Por exemplo, o shopping center é uma tendência global, na maioria das cidades sempre há muitas lojas, muita gente e muitas redes de fast food também. O que íamos observando é como as pessoas lidam com os padrões sociais e com as relações e as diferenças entre os milionários e os pobres. Botsuana, por exemplo, é um dos países menos corruptos da África, mesmo existindo o subdesenvolvimento nas cidades, existe um respeito mútuo entre as pessoas de diferentes classes sociais. A profundidade de ir para lugares que você não conhece nada, pelo contrário, muitas vezes tem uma visão estereotipada que é errada, é incrivelmente intensa. Logicamente esse choque também pode acontecer em lugares do Brasil, mas conhecer esses contrastes gigantescos permite sentir essa compreensão, ir de cabeça aberta. Uma das premissas sempre foi respeitar as individualidades, pois o momento de cada um e as experiências ao longo da vida são muito importantes para se descobrir através de uma viagem. Uma dica importante, se você está preocupado em ter uma vivência mais consciente, é o turismo responsável, com uma preocupação maior com o entorno das vilas e das pessoas que participam daquela comunidade, não apenas desfrutando do turismo local.

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Quais os planos para aplicar isso no Brasil?

Desde que tivemos a ideia de viajar, nosso objetivo era implementar projetos aqui no Brasil. Agora vamos passar por um processo de absorver e repensar tudo o que vivemos e aprendemos com a viagem e com as pessoas que encontramos, para aí então agir. Queremos formar uma rede de agentes de transformação ativos, atuando em parceria com empresas sociais e ONGs que já realizam algum trabalho nesta área, buscando principalmente implementar ações de empatia e resgate de valores. Esse potencial está em todas as pessoas, não é preciso viajar o mundo para isso, basta ter esse sonho de mudar um pouco nosso mundo.

Saiba mais sobre o projeto no site www.thinktwicebrasil.org.

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