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2020: O ano dos negócios velozes. E corretos!
| Foto: Bigstock

O ano de 2019 trouxe razões para questionarmos alguns dos novos modelos de negócio. Mas perder o encanto pode cegar. Então, aproveitando o momento do ano, proponho trazer à luz alguns bons exemplos.

Para surfar esse otimismo vale recorrer a um episódio recente em São Francisco: Um encontro com um executivo brasileiro de uma das maiores empresas do “novo petróleo” mundial. Previsto para durar 60 minutos, ultrapassou duas horas em um papo de alto nível que tratou, entre outros assuntos, do uso dos dados de usuários. Em dado momento ele reconheceu que algo “pode ser ruim”. Mas imediatamente abriu um enorme campo para a dúvida-preço-da-pureza: “mas também pode ser bom!”. É esse viés que gostaria de explorar aqui: a tecnologia e as empresas velozes tem feito entregas importantes. E boas. Quer ver?

Podemos começar por um exemplo clássico, como a última versão do Apple Watch, que além de monitorar batimentos cardíacos, já está conectada ao serviço de emergência nos EUA, fazendo com que você possa ser socorrido antes mesmo de um incidente cardíaco. No outro extremo do ambiente americano surgem sinais (e animais) diferentes: o movimento Zebras Unite é um deles. Trata-se de um grupo que pede negócios mais éticos e menos agressivos, tanto que seu mote é “as zebras consertam o que os unicórnios quebram” — para eles é urgente a construção de um modelo que se oponha ao vigente, pautado por maior sustentabilidade e menor ânsia de crescimento a qualquer custo.

Mas por aqui temos outra realidade. E como 2019 foi um ano incrível para o ecossistema de inovação brasileiro vamos a alguns dos nossos bons exemplos (e são vários!).

No setor da educação, a “Dentro da História” é uma plataforma de aprendizado contínuo através de conteúdo personalizado; nela as crianças podem criar seu próprio avatar e recebem todo mês um livro customizado onde ela é a personagem principal em histórias que ajudam no seu desenvolvimento socioemocional e de habilidades para a vida (soft skills). Mais de 350 mil famílias já foram impactadas e mais de meio milhão de livros já foram vendidos.

Já a A55 é focada em sanar a dor enfrentada pelos empreendedores ao tentar obter crédito no mercado tradicional. Com um modelo de income-backed lending, inovador no Brasil e expandido este ano para o México, empresas de serviço que não têm ativos físicos para dar em garantia, e muitas vezes queimam caixa para viabilizar o crescimento de seus negócios, conseguem obter crédito utilizando a própria receita futura da empresa como forma de garantia. Dessa forma a A55 já financiou mais de 40 empresas em um total aproximado de R$ 100 milhões e pretende quadruplicar o número de beneficiados até 2020.

Com uma linha de ação similar, a Atta é uma plataforma criada para resolver gargalos do mercado imobiliário. Em um país com questões urgentes de acesso a moradia, a startup está atuando para democratizar o acesso à compra de imóveis. Por meio da tecnologia, já viabilizou mais de R$1 bilhão em financiamentos e mais de 3 mil contratos apenas nos dois últimos anos.

Entre as startups de impacto, a Conecta Incentivos se destaca por ajudar empresas que pagam muitos tributos a direcionarem melhor seus impostos, por meio de leis de incentivo, para fazer o bem, apoiando cultura, esporte e assistência social com crianças e idosos. Para 2020 já são cerca de 30 projetos alinhados em diferentes áreas.

Outra iniciativa interessante é o Delivery Reverso, uma parceria entre a agência Grey e a ONG Banco de Alimentos. O serviço permite que os clientes façam o “caminho inverso” dos serviços tradicionais: ao invés de somente receber a comida pedida, eles podem também doar alimentos para a campanha. O app permite que, ao pedir por uma entrega de um dos restaurantes parceiros da iniciativa, exista a possibilidade de doar alimentos para a ONG com a mesma facilidade do delivery; os entregadores buscam os alimentos na casa do cliente e entregam para quem precisa.

Neste mesmo escopo, outros destaques são as empresas que estão se certificando no chamado “Sistema B” - aquelas que se comprometem de forma pessoal, institucional e legal a tomar decisões considerando as consequências de suas ações na comunidade e no meio ambiente, adotando ações de empreendedorismo de impacto, que vão desde a implantação de melhores práticas de diversidade a sustentabilidade e governança na empresa. Algumas delas são a Mãe Terra, que oferece produtos alimentícios orgânicos e sustentáveis, e a RentCars, que visa democratizar o aluguel de carros e já opera em mais de 160 países.

Já no segmento do meio ambiente, vale citar a COMPOSTA+, startup que realiza a coleta e a compostagem de resíduos orgânicos e, desta forma, reduz impactos sociais e ambientais causados pela atual destinação dos mesmos em aterros. Desde novembro de 2018 a startup já compostou mais de 300 toneladas em seu pátio - onde os resíduos são reciclados e transformados em adubo fertilizante orgânico. Até o momento, a iniciativa já evitou que mais de 165 toneladas de gás metano (principal gás do efeito estufa) fossem emitidos para a atmosfera. Contribuindo muito para o nosso planeta!

E isso que ainda sequer falamos de Sociedade 5.0, conceito nascido no Japão que prega que, pós-Indústria 4.0, tecnologias como big data, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) devem ser usadas para criar soluções com foco nas necessidades humanas. Aqui, por exemplo, temos a MetaMaker que procura ensinar robótica de forma acessível para auxiliar crianças e jovens a se expressarem como cientistas e inventores. Na mesma linha, a Parças é uma startup que procura implementar a Justiça Restaurativa e foca em ensinar programação para ex-presidiários e adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e egressos das medidas de internação e semiliberdade. Já a LegalBot possui um sistema de gestão do fluxo de normativos que busca controle do risco regulatório e democratização do acesso à inteligência regulatória.

Esses são só alguns exemplos e já empolgam, não é mesmo? A tecnologia e os novos modelos de negócio não são diferentes de todas as camadas da sociedade: existem coisas boas e ruins, e cada novo elemento que surge é, por natureza, imperfeito e incompleto - seja ele um ser humano ou uma startup. O mais bacana é que ambos podem, sim, ser bons! Que assim seja em 2020!

PS.: conhece outros exemplos? Deixe aqui nos comentários. Eles poderão participar do Prêmio “Negócios Velozes e Corretos” - em breve divulgaremos maiores informações neste mesmo espaço.

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