i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Advisors

Foto de perfil de Advisors
Ver perfil

Um local para você ter uma visão aprofundada do mundo da inovação e do empreendedorismo

Breque dos Apps

O futuro das relações entre plataformas e entregadores pós-pandemia

  • Por Anderson Godz
  • [03/07/2020] [11:11]
Na última quarta-feira (1°), motoboys que atuam como entregadores para aplicativos de delivery  aplicativos paralisaram as atividades em episódio chamado de “Breque dos Apps”.
Na última quarta-feira (1°), motoboys que atuam como entregadores para aplicativos de delivery aplicativos paralisaram as atividades em episódio chamado de “Breque dos Apps”.| Foto: Marília Castelli/Unsplash

Na última quarta-feira (1°), motoboys que atuam como entregadores para aplicativos como iFood, Rappi, Loggi e Uber Eats paralisaram as atividades em episódio chamado de “Breque dos Apps”. O movimento, organizado por WhatsApp, reivindica pontos que vão da definição de uma taxa fixa mínima de entrega por quilômetro rodado até o aumento dos valores repassados aos entregadores pelo serviço. Os motoboys também cobram das empresas uma ajuda de custo para a aquisição de EPIs contra o Covid-19, como máscaras e luvas.

A precarização do trabalho dos entregadores não é tema novo. Já foi, inclusive, assunto central de uma das nossas edições do Speed & Some Control, realizada em março deste ano, e também alvo de ações judiciais. Em 2019, por exemplo, a justiça paulista penalizou a Loggi em R$ 30 milhões em indenizações, obrigando a companhia a reconhecer vínculo empregatício de seus entregadores. A empresa, que rapidamente se tornou um dos unicórnios brasileiros, poderia ter seu modelo de negócio inviabilizado da noite para o dia caso a decisão não tivesse sido suspensa até apreciação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Por outro lado, há motoboys que elogiam a flexibilidade do modelo e a autonomia por ele proporcionada, que permite a criação das próprias rotinas e ritmos de trabalho – e, consequentemente, de renda. A situação dos entregadores ganha mais força, porém, quando vemos instaurada uma pandemia de proporções nunca vistas antes. Agora, com o isolamento social provocado pela crise do coronavírus, o delivery virou praticamente questão de sobrevivência no novo normal. No pós-pandemia, então, é consenso que todo varejo precisará de delivery.

Ainda não se sabe qual foi efetivamente a adesão à paralisação, mas a expectativa era baixa. Donos de bares e restaurantes não se mostraram preocupados e muitos motoboys afirmaram que iriam trabalhar normalmente. Parece até uma situação em que a causa interessa muito mais à sociedade civil do que à própria classe.

Não significa, porém, que as empresas de entrega, diante da exposição da situação dos entregadores, não possam gerar algumas concessões em favor deles. A pauta, afinal, não engloba nada de outro mundo. Muitas reivindicações são singelas, como a oferta de banheiro e áreas de descanso e alimentação. Vários entregadores dizem entregar refeições enquanto eles próprios estão com fome - como não se sensibilizar?

Essas questões, é claro, devem ser endereçadas. Ao mesmo tempo, não podemos descartar os benefícios; o mercado brasileiro precisa aprender a debater as questões e contradições em toda a sua complexidade. Isso é também sobre tecnologia, mas não apenas sobre tecnologia.

Hoje, uma economia colaborativa não necessariamente comporta as relações de trabalho estabelecidas no passado, quando tais relações eram pautadas por uma grande proximidade entre empregador e trabalhadores. A exploração do empregado pelo empregador, que exigiu a criação de intermediários, é uma questão cada vez menos relevante (pelo menos nos moldes tradicionais) num contexto em que o trabalhador tem cada vez mais autonomia e possibilidades de escolha em relação à sua fonte de renda.

Estudo divulgado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da ONU especializada em tecnologia, no fim do ano passado, indicou que 4,1 bilhões de pessoas ao redor do globo estão conectadas à Internet, de um total de 7,7 bilhões de habitantes no planeta. E eu tenho certeza de que a pandemia vai acelerar a conexão dos outros 3,6 bilhões. Pensem que há mais de 4 bilhões de indivíduos conectados e que agora conseguem perceber que o trabalho remoto é possível. No Brasil, estima-se que o número de empresas com home office deve crescer cerca de 30% passada a crise do coronavírus. O modelo convencional de relação trabalhista, portanto, de estar sempre presencialmente na empresa como funcionário, está prestes a implodir.

Desse cenário, podemos extrair duas lições: o trabalho via aplicativo e suas contradições não serão só uma pauta dos entregadores. Além disso, nesse embate deve-se agradecer aos céus enquanto o próprio não é tomado por outro tipo de obstáculo: os drones. #speedandsomecontrol

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]
Tudo sobre:

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.