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Computação afetiva: a evolução do aprendizado de máquinas
| Foto: Charles Deluvio/Unsplash

Não é de hoje que venho dizendo como a inteligência artificial (IA) vem ganhando o mundo. Presente em nosso dia a dia, facilita nossa vida em processos, traz respostas e experiências de maneira quase imediata, do varejo ao setor financeiro, das edtechs ao ramo de saúde. Na última década, a IA deixou de ser a palavra da moda e se tornou uma competência empresarial obrigatória. E agora está ganhando contornos cada vez mais "empáticos" com quem está do outro lado da tela. Começa a crescer a era da computação afetiva.

A Computação Afetiva é uma área da tecnologia em que emoções humanas "ensinam" as máquinas a responder não apenas a comandos primários. Com esse novo grau de aprendizado, passa a ser possível que as máquinas consigam detectar o estado emocional dos usuários e, dessa maneira, oferecer serviços e funcionalidades personalizadas.

O processo consiste em uma cadeia de aprendizado. Para que a máquina aprenda sobre o universo humano, o caminho percorrido é:

Entender → Aprender → Predizer → Adaptar

Dessa maneira, a Computação Afetiva permite criar sistemas inteligentes, que são programados para aprender e se adaptar de acordo com o hábito e comportamento do seu usuário, diferente das ações previamente definidas às quais temos acesso atualmente. Os sistemas passam a interpretar as emoções a partir de padrões de voz, expressões faciais e outras demonstrações não-verbais.

Recentemente apontada como uma das tecnologias crescentes pelo relatório do CB Insights, a Computação Afetiva aparece como uma das tendências mais promissoras para 2021 e os próximos anos. E algumas de suas aplicações já se materializam com causas bastante nobres.

Algumas tecnologias de deep learning estão sendo desenvolvidas para capturar expressões faciais de dor e ajudar a detectar desconforto, especialmente aqueles que não podem se comunicar. Outras estão aprimorando o uso de IA e de softwares avançados para determinar os níveis emocionais de pacientes com paralisia facial, especialmente nos momentos pré e pós-cirurgia.

Embora em seus estágios preliminares, tecnologias de reconhecimento de emoções começam a se desenvolver também no setor automotivo. Algumas de suas principais aplicações envolvem sistemas de monitoramento que podem detectar, por exemplo, cansaço no motorista, como já aparece em anúncios da Volvo, que colocou câmeras que captam as "pescadas".

A CB Insights destaca, por exemplo, o sistema da Hyundai desenvolvido com o MIT, que permite otimizar o "clima" do carro com base nas circunstâncias ou estado emocional do paciente. Um carro conceito utilizado para transporte hospitalar de crianças recentemente apresentado pela montadora mostrava uma situação em que o sistema permitia ajudar aceleração, luz, temperatura e música de acordo com a condição do paciente transportado.

Já a IBM, em parceria com a Airbus e o Centro Alemão Aeroespacial, lançou recentemente uma espécie de robô com IA embutida para fazer companhia para seus astronautas. O objetivo do Cimon é ser um robô empático para missões no espaço para ajudar na saúde mental dos astronautas solitários.

Anúncios assertivos?

Em outra frente, tecnologias de computação afetiva também miram conectar marcas e consumidores. A Affectiva, empresa de inteligência artificial baseada em emoções, afirma que anunciantes estão usando a tecnologia para ajustar o tipo de publicidade aos seus consumidores.

De acordo com um estudo, 70% dos maiores anunciantes do mundo e 28% das empresas do ranking Fortune 500 tiveram melhora nas vendas ao utilizar tecnologias que estimulassem a interação ou a reação dos clientes.

Já empresas como Behavioral Signals e Cogito têm usado IA em clientes de vários setores para analisar elementos como tipo de discurso, tom, e ênfase vocal para conectar o melhor entre seus atendentes ao humor do cliente naquele momento.

No entanto, nem tudo são louros para a computação afetiva. O AI Now Institute da New York University pediu a proibição do uso de tecnologia de reconhecimento de emoções, durante interações que envolvem "decisões importantes na vida das pessoas". De fato, o limite ético das tecnologias afetivas deverá ser bastante questionado à medida que a tecnologia se desenvolve.

As perspectivas desse mercado, porém, são otimistas. A consultoria The Courier aponta que até 2025 o segmento de computação afetiva vai crescer a uma taxa média anual de 41,3%, chegando na casa dos bilhões de dólares.

Seguindo em frente, as empresas que desenvolvem tecnologia de IA afetivas precisarão navegar pelas complexidades de lidar com dados emocionais (especialmente ao levar em conta várias reações ao mesmo tempo, como em um carro cheio de passageiros, por exemplo).

Elas também precisarão calibrar suas tecnologias e algoritmos para "entender" diferenças culturais nas expressões emocionais. Vai ser interessante observar para onde vai a nova fronteira da computação, que dessa vez desponta como afetiva e mais empática. Será mesmo? Vamos observar.

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