i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Camila Farani

Foto de perfil de Camila Farani
Ver perfil
Investimentos menos desiguais

Lideranças femininas ganham espaço à frente das startups

    • 23/02/2020 08:00
    Lideranças femininas ganham espaço à frente das startups
    | Foto: Unsplash

    No começo do mês, uma matéria escrita pela Claire Diaz-Ortiz e veiculada pela TechCrunch — da qual inclusive participei, reúne algumas pesquisas de mercado interessantes que mostram como o impacto da presença de lideranças femininas em startups estão performando acima da média e sendo responsáveis por gerar bons retornos para empresas de venture capital que investiram na América Latina.

    A consultoria americana Boston Consulting Group mostra que startups fundadas por mulheres geram 2,5 vezes mais receita por dólar levantado junto a investidores do que aquelas fundadas por homens. Outro estudo, este do First Round Capital, mostra que empresas fundadas estritamente por mulheres registraram desempenho 63% melhor do que aquelas com equipes fundadoras eminentemente masculinas.

    Neste sentido, é interessante o exemplo da Theia, startup brasileira fundada pelas empreendedoras Flavia Deutsch e Paula Crespi. Em meados do ano passado, quando elas estavam levantando investimentos para sua plataforma B2B que apoia mães e pais em suas principais necessidades, decidiram rejeitar alguns cheques de investidores homens, mesmo sendo até mais fácil convencê-los a assinarem os maiores valores.

    A Theia, por sinal, marcou o ano passado ao se tornar a companhia fundada apenas por mulheres a conseguir levantar o maior valor em investimentos de 2019 - e suas investidoras combinaram de não abrir mão da proporção de, para cada investidor homem que colocasse dinheiro, houvesse também a participação de uma investidora mulher.

    E não foi por ideologia, ou pelo menos não apenas por causa dela. Um outro estudo, da fundação Ewing Marion Kauffman, divulgou que o retorno do investimento obtido em empresas lideradas apenas por mulheres é 35% mais rápido em relação àquelas lideradas majoritariamente por homens.

    E não somente nas empresas ancoradas em mulheres está o futuro, como também na diversidade de fundadores. Os investimentos feitos por companhias lideradas por homens e mulheres é outro fenômeno que está em alta na América Latina: correspondeu, em 2019, a 16% dos dólares investidos no continente. 

    Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, essa porcentagem é de apenas 9% e, na Europa, 8%. Esse número da América Latina inclui US$ 400 milhões colocados no Nubank, que se tornou o principal unicórnio brasileiro, cofundado por Cristina Junqueira — que, por sinal, estava grávida na época.

    À frente de mais de 40 investimentos em startups, lido com founders homens e mulheres e, apesar dos números, não acredito que o gênero possa definir se um negócio irá ou não dar certo. Ainda assim, sou defensora da diversidade no board das empresas que investi, porque entendo que contar com diversos pontos de vista diferentes colocados na mesa torna as decisões mais assertivas e pertinentes. Pessoas que pensam diferente de nós trazem outras visões do mercado e, frequentemente, nos mostram aspectos que não conseguimos enxergar sozinhos.

    Quando comecei, praticamente não havia mulheres investindo em startups no Brasil, éramos menos de 1% das investidoras-anjo e a principal dificuldade que enfrentávamos era justamente acreditar em nós mesmas. De lá para cá, empreendi, me tornei protagonista em minha vida e muita coisa mudou, fundei o MIA - Mulheres Empreendedoras Anjo, o Gávea Angels, a G2 Capital, voltei-me para os meus próprios negócios, consolidei a operação de meus grupos empresariais.

    Em vez de mencionar as dificuldades enfrentadas, portanto, sempre prefiro falar das conquistas. Acredito no valor da diversidade para o desenvolvimento de negócios inovadores. Em 2019, os investimentos em empresas com equipes fundadoras mistas, feminino-masculino, representaram 16% dos dólares investidos na América Latina, 9% nos EUA e apenas 8% na Europa. No geral, o investimento total em equipes masculinas e femininas mistas representou 17% do total investido na América Latina, 13% nos EUA e 9% na Europa.

    E é nesse ponto que se torna ainda mais importante este ciclo virtuoso que está acontecendo na América Latina: mulheres e homens investidores atuando em sinergia e acreditando nas empresas que, por sua vez, tem dado retorno cada vez maior.

    Estes movimentos de saída acontecendo mais rapidamente e de forma coordenada farão, por sua vez, as relações de investimento se tornarem gradualmente menos desiguais e a roda da economia girar mais rápido e de forma mais democrática. É ou não é o cenário que todos nós buscamos?

    2 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
    Use este espaço apenas para a comunicação de erros
    Máximo de 700 caracteres [0]

    Receba Nossas Notícias

    Receba nossas newsletters

    Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

    Receba nossas notícias no celular

    WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

    Comentários [ 2 ]

    Máximo 700 caracteres [0]

    O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

    • G

      GUSTAVO_RJ_70

      ± 6 horas

      Boa sorte nos empreendedorismos. Não ligo a mínima se a empresa é tocada por homem ou mulher. Aliás, essas inúmeras matérias que mostram as mulheres à frente ou melhores que os homens só alimentam o que supostamente vocês querem evitar: a desigualdade. Não há bloqueio ou barreira a vocês mulheres e há muito tempo já. Feminismo light detected

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

      • Máximo 700 caracteres [0]

    • J

      Jorge Dias

      ± 16 horas

      A Camila se tornou a plena porta voz dos CEOs NewAge brasileiros: politicamente corretos, que não entendem porque seus produtos vendem menos que os da concorrência, eh tipo o Luciano Huck de saias.

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

      • Máximo 700 caracteres [0]

    Fim dos comentários.