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Com a importância dos negócios sociais no mundo, nunca se falou tanto sobre inclusão. Como disse o CEO da Microsoft no Fórum Econômico Global este ano: "os negócios precisam buscar a diversidade. É hora de agir". Parece algo simples e que toda grande empresa deveria ter como um dos seus principais pilares. Mas, na prática, não acontece bem assim.

Estamos na era da informação, dos dados, da diversidade. Empresas que não possuírem esse fator em sua cultura e não o incorporarem nas suas práticas internas estarão fadadas ao fracasso. As últimas temporadas do Shark Tank Brasil refletiram bem essa mudança. É visível o crescimento exponencial dos negócios sociais e a valorização da diversidade.

Um exemplo da terceira temporada foi o investimento na Logay, um e-commerce voltado ao público LGBT, liderado por um pai e seu filho. Na temporada atual, vemos o caso da Translúcida, loja colaborativa que visa fomentar empreendimentos de pessoas transgênero.

O fato é que o consumidor, hoje, está mais atento à responsabilidade social das empresas e procura comprar daqueles que apresentam ações consistentes e de impacto na sociedade. No Brasil, uma pesquisa do Sistema Fiep mostrou que 87% dos brasileiros preferem comprar de empresas socialmente responsáveis e sustentáveis.

Isso também se reflete na força de trabalho nas empresas. Um estudo da Deloitte, realizado nos Estados Unidos, em 2017, mostrou que 23% dos entrevistados tinham deixado seus empregos para entrar em companhias mais inclusivas. Qual a consequência disso para essas empresas? Substituir funcionários nos Estados Unidos, e em qualquer país, custa mais de um quinto de seu salário, em média. E o pior: isso significa a perda de muitos talentos promissores e criativos, e torna mais difícil a mudança da imagem da empresa no mercado.

Mudança de cultura não é algo feito da noite para o dia, mas algo construído com atitudes alinhadas à estratégia das empresas. Portanto, faz-se necessário revisitar processos internos e externos, dando mais espaço para a contribuição dos colaboradores. E isso começa na hora da contratação! Diversidade na equipe é sinônimo de inovação. Experiências e habilidades diferentes, mas complementares, propiciam ambientes mais criativos. Grandes empresas que trabalham fortemente com design (como Apple, Google e Nike) entenderam a importância disso para o crescimento dos seus negócios. Consequentemente, o resultado aparece na criação de produtos melhores.

Se você quer provocar essas mudanças na sua empresa, precisa pensar em alguns pontos muito importantes: preparar suas lideranças e times; alinhar a estratégia organizacional; e fidelizar seu cliente interno. Como fazer isso na prática? Listo aqui três iniciativas:

1) Aumente as alternativas para encontrar talentos

Uma ótima opção é sempre criar parcerias estratégicas no mercado para encontrar talentos que estejam alinhados com sua missão, como universidades, ONG’s, redes sociais e associações. Use a força das redes para divulgar sua missão e postar mensagens de recrutamento para públicos diversificados.

2) Estabeleça metas e parcerias internas

O primeiro ponto é estabelecer parcerias internas com as áreas de Recursos Humanos, Marketing e Comunicação Interna para a concepção de um programa que priorize a diversidade. Depois padronize um processo de recrutamento, crie métricas de avaliação dos candidatos e estimule que seu próprio time indique profissionais alinhados com a cultura da empresa. Use a tecnologia a seu favor e invista em sistemas, integrando mídias sociais com machine learning.

3) Mostre ao mercado que você pratica equidade internamente

Utilize sempre um vocabulário neutro e imparcial para se comunicar com seu público. Mostre que sua cultura está mais alinhada com habilidades cognitivas do que com questões puramente técnicas. Ou seja, quando se referir a alguma função, mostre que qualquer um está apto a alcançar resultados, independentemente de gênero, idade ou opção sexual. Outro ponto relevante, e que poderá trazer muito valor para o seu negócio, é demonstrar a importância da igualdade salarial. Persiga-o! Mais um aspecto essencial: escute seu colaborador. Crie canais para que eles possam sugerir ideias e novos processos. E, no mercado, procure criar uma comunidade em que você receba feedbacks contínuos. É importante ser transparente na hora de apresentar ações e os resultados alcançados.

Uma coisa é certa: organizações que conseguirem estimular uma cultura de diversidade e inclusão vão estar melhor posicionadas para contratar e reter equipes. Pessoas talentosas são disputadas no mercado. Mostre a elas que você possui um negócio de valor e elas com certeza virão até você.

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