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Talentos híbridos são essenciais para o novo ambiente de trabalho
| Foto: Bigstock

Que a pandemia de coronavírus reinventou a maneira de consumir, de trabalhar, de interagir com o próximo já não é mais novidade. A necessidade de isolamento social catalisou o home office em milhares de empresas pelo mundo, e passou a colocar o modelo híbrido – presencial e remoto – como uma probabilidade cada vez mais crescente mesmo no período pós-Covid-19.

O que surge com mais força, porém, neste início de ano é a discussão sobre a importância de empresas nutrirem talentos múltiplos, diversos e igualmente híbridos nesse novo ambiente de trabalho que se desenha.

Dados da Burning Glass Technologies, que usa a inteligência artificial para monitorar cerca de um bilhão de postos de trabalho, destacam uma demanda crescente por indivíduos com combinações mais flexíveis de hard skills e soft skills. São os talentos híbridos.

Se você se considera um profissional multifuncional, seu espaço pode estar mais garantido do que nunca, especialmente em áreas com complementaridade desejável.

Por exemplo, as habilidades de design digital são procuradas em mais de 50% das funções de TI. Da mesma forma, especialização em ciência de dados – uma das hard skills mais desejadas do momento - pode lhe garantir um emprego em RH, marketing, finanças ou vendas.

Todos os setores dependem muito da mineração de dados (especificamente, transformar dados em insights) e profissionais com essas competências passaram a ser ainda mais desejados no cenário atual, segundo detalha o professor Tomas Chamorro-Premuzic, especialista em psicologia dos negócios na Universidade de Londres e na Universidade de Columbia.

Um outro levantamento da Randstad realizado no ano passado com 800 líderes de empresas, mostrou que 66% dos empregadores estão planejando fornecer treinamento e capacitação em inteligência artificial para seus funcionários, enquanto 60% querem desenvolver as soft skills naqueles que têm as competências técnicas mais aguçadas. Os entrevistados acreditam que esta é a melhor combinação possível para que se tenha uma força de trabalho adaptável à automação, com mentalidade de resolução de problemas e pensamento crítico.

Contratar pessoas que "se encaixam bem" normalmente é a estratégia adotada pela maioria esmagadora dos recrutadores e dos gestores em uma seleção.

Mas agora, mais do que nunca, com tantas mudanças no ambiente de trabalho e no perfil de consumo, vale observar a relevância de se ter talentos híbridos em diferentes posições pela empresa. Isso porque esses indivíduos podem trazer uma perspectiva, um conjunto de valores e origens diferentes, aumentando assim a diversidade cognitiva e expandindo a cultura e os referenciais existentes no ambiente de trabalho, diz o professor Premuzic. É a vez das estruturas organizacionais fluidas, flexíveis e inclusivas.

Conexões culturais

Muitas empresas quebraram um paradigma antigo de que equipes em home office não geram resultados. Uma pesquisa do Gartner apontou que 82% das empresas pretendem que seus funcionários sigam em home office ao menos uma parte do tempo. Pelo visto os resultados não foram tão ruins, não é mesmo?

Afinal, para muitos, o modelo parece unir o melhor dos dois mundos: otimização das atividades, diminuição dos atrasos dos colaboradores por causa do trânsito, descentralização, redução de custos com infraestrutura física, melhor gestão do tempo para realização de atividades com familiares e amigos, entre outros.

Por outro lado, existe um ponto de interrogação gigante entre muitas empresas em como perpetuar a cultura da empresa mesmo com trabalhadores em trabalho remoto. De acordo com o mesmo estudo, praticamente 1 em cada 3 líderes de negócios expressaram preocupação em conseguir manter a cultura da empresa nesse ambiente de interação remota crescente.

Mas é claro que esse novo cenário exige ajustes dos dois lados. Se de um lado há uma grande oportunidade de ganhos com o home office, há ajustes que precisam ser feitos também entre os gestores para compreender como lidar melhor com o controle de produtividade, como estabelecer programas para reforçar o DNA da empresa e também para aproveitar ao máximo os talentos híbridos.

Culturas uniformes, claramente definidas e homogêneas mostram que todos pensam, sentem e agem da mesma maneira. Mas também é assim que as empresas limitam suas capacidades adaptativas. Entendo que nunca houve uma oportunidade tão grande como agora para que as empresas reforcem sua essência, ao mesmo tempo em que constroem com seus colaboradores as bases que serão seguidas nas próximas décadas. Cultura é viva e nutrida no dia a dia, e não deveria estar diretamente atrelada às formas de interação - seja remota ou presencial.

O poder das escolhas

Na esteira da busca ampla dos talentos híbridos por parte das empresas, se você é intraempreendedor, esta é a chance para você reimaginar o seu potencial. Esteja aberto a escolhas incomuns, observe onde seus talentos complementares poderão trazer esse "algo a mais" que a empresa está procurando - os dados estão aí e mostram a ânsia corporativa por mentes complementares. Reinvente-se se necessário.

Por mais terrível que seja essa crise, ela confirma o que sempre soubemos sobre a humanidade: somos incrivelmente resilientes e adaptáveis. Em resumo, nunca houve um momento melhor para manter suas opções em aberto.

Se você empreende, vale observar as tendências e oportunidades que essa realidade híbrida oferece. Elas nascem a todo momento, e cabe a você empreendedor ou empreendedora, líder de negócios e de pessoas, começar a considerar o potencial desses profissionais com perfis diversificados. O modelo híbrido veio para ficar e esse é o momento para pensar como ele poderá ser incorporado ao seu ambiente de trabalho.

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