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Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil| Foto:

A lenta e dolorosa fritura do agora ex-ministro Vélez fez mais do que – como fartamente repetiu a extrema-imprensa – demonstrar fraquezas do governo Bolsonaro. Na verdade, o que se teve e o que se há de ter de agora em diante com a casa sob nova administração é a mais árdua das lutas que este governo vai enfrentar. Os militares, talvez para comprovar o ditado segundo o qual “inteligência militar” é uma contradição em termos, deixaram que a educação no Brasil caísse nas garras dos maiores interessados em destruir tanto o Brasil quanto a educação. Foi a “válvula de escape” aonde a esquerda iria, inofensivamente, gastar suas forças, pensava o Gen. Golbery, ideólogo dos governos da época.

A burrice monstruosa, no caso, é que não se tratava nem de válvula de escape nem, muito menos, de uma caixinha de areia inofensiva onde os comunistas pudessem brincar sem quebrar nada. Ao contrário, até; é célebre o adágio jesuíta “deem-me os primeiros anos da criança e dar-lhes-ei o homem”. Pudera que em todos os lugares onde se estabeleceram, os membros desta ordem dedicaram-se ao ensino: é ali que se faz o homem. E a incapacidade mental do Gen. Golbery o fez entregar nossos filhos e netos para os comunistas, a um tal ponto que hoje vejo frequentemente famílias conservadoras cujos filhos sofreram lavagem cerebral esquerdista nas escolas. Com as redes sociais fica até triste pular do perfil de um avô para o da neta, por exemplo. E, diga-se de passagem, como o terreno está todo dominado, quanto mais cara é a escola mais bem feita é a lavagem. Afinal, a definição de “boa escola” quem dá é justamente quem é responsável por garantir a doutrinação. Em uma das muitas passeatas que encheram as ruas domingo passado, uma amiga comentou que lá simplesmente não havia jovens. A razão é simples: os jovens foram doutrinados pelo inimigo, foram adestrados para pensar como comunistas.

E é esta a razão de ser do MEC, nos moldes em que foi montado e gerido ao longo das últimas décadas, começando já dentro dos regimes militares. A educação brasileira toma como modelo o bestialógico de Paulo Freire, cuja única diferença em relação aos métodos anteriores e posteriores é a ênfase que dá à subversão e à pregação ideológica esquerdista. Para ele, “Ivo viu a uva” deve ser substituído por “Ivo oprimiu a viúva”, ou besteira do gênero. O resultado, o triste e deprimente resultado disso, pode ser percebido não apenas nos exames internacionais de qualidade de ensino, onde estamos atrás até mesmo da Jordânia ou do Casaquistão, mas também na vida quotidiana. Já cansei de ver caixas de mercado incapazes de multiplicar por dez de cabeça, advogados incapazes de redigir um parágrafo coerente e sem erros de ortografia graves, professores que nada sabem das matérias que supostamente estariam lecionando… A lista é infinita. E todos estes horrores decorrem da mesma base: um ensino primário e secundário (ou fundamental e médio. Tanto faz; a troca de nomes e números é outra tática de confusão) perfeita e completamente incapaz de ensinar o mínimo, o básico: ler, escrever, fazer contas e localizar-se no tempo e no espaço. Sem esta base, não há o que se possa construir. Não há aprendizagem possível.

Este seria o trabalho das escolas, como suplentes dos pais, quando e apenas quando estes não puderem efetuá-lo. Mas a nossa legislação – também inspirada nos totalitarismos do século passado – coloca a criança como antes filha do Estado que dos pais, exigindo que eles a mandem sofrer e desaprender nas escolas mesmo quando forem mais que capazes de instruí-la por conta própria ou com tutores particulares. E o Estado brasileiro, bem como as escolas que controla direta ou indiretamente, cria as crianças para que sejam bons militantes, e só. Não lhe interessa, ou quase não lhe interessa, sendo isto apenas um elemento lateral, que sua instrução nas matérias objetivas seja bem feita, desde que eles aprendam desde cedo a seguir a opinião predominante, obedecer à maioria, anular-se enquanto pessoa e enquanto cidadão, existindo apenas dentro de uma massa compacta a gritar palavras de ordem, em tudo dependente do Estado.

Tudo aponta para este fim: a “formação”, entre muitas aspas, das professorinhas de escola primária, que antes era muito bem feita ainda no ensino médio, hoje em dia demanda anos de faculdade, dos quais a imensa maior parte é dedicada à doutrinação ideológica de esquerda. É comum que as moças saiam da faculdade de pedagogia analfabetas funcionais, mas é muito raro que saiam achando-se dotadas do direito de expressar uma opinião politicamente incorreta. Educação é lacração, educação é doutrinação, no Brasil.

E é esta a briga do ministro da Educação, seja ele quem for. Vélez, pelo que pude acompanhar, sofreu por não conseguir se impor. O próximo ministro aparentemente tem um temperamento mais aguerrido, e talvez consiga. Mas é quase impossível, mais ainda quando o trabalho do ministro – que a esta altura do campeonato tem de ser ao mesmo tempo de desmanche da estrutura de doutrinação e de montagem de uma estrutura de instrução notadamente ausente – é sabotado por militares positivistas, orgulhosos do erro de Golbery e querendo perpetuá-lo.

A primeira coisa a fazer é tornar novamente a escola capaz de ensinar a ler, escrever, fazer contas e localizar-se no tempo e no espaço. Para isso, em primeiro lugar, deve ser priorizada a alfabetização. Neste sentido, Vélez até ia moderadamente bem, tendo chamado um estudioso do assunto para elaborar um plano. Infelizmente, devido à fraqueza do ministro, aos quarenta e sete minutos do segundo tempo o plano foi substituído por outro, uma porcaria digna das gerações de analfabetos que estupidificaram o MEC e a educação brasileira ao longo das últimas décadas. Não se sabe ainda qual seles será o oficial; se for o original, estaremos no bom caminho.

Ler e escrever é o básico, o fundamental para que se possa aprender o que quer que seja. Mas nossas escolas não ensinam, não sabem ensinar, pela razão simples de terem ido atrás de métodos delirantes. Quem lê depressa, quem lê bem, lê muita coisa de uma vez só. Eu mesmo leio um parágrafo de uma vista d’olhos, porque tenho o hábito da leitura. Outros leem uma linha, meia linha ou algumas palavras. Já uma criança em fase de alfabetização ainda não aprendeu a decodificar a língua escrita. Esta é uma forma de linguagem muito diversa, com códigos próprios (outra coisa que as escolas vinham e vêm negando, aliás: a norma culta da escrita é forçosamente diferente do padrão oral informal). Para aprender, o evidente é que a criança aprenda, literalmente, o bê-á-bá. Ela deve aprender que um bê tem um som que vibra na garganta e enche os lábios de ar, enquanto o pê tem a mesma posição na boca mas não vibra a garganta, exatamente como o efe e o vê ou o esse e o zê. Daí ela vai passar a juntar as letrinhas, de modo a pronunciar as palavras. Fácil, não? Mas não é isso que fazem com as pobres crianças. Ao contrário: querem pular etapas, levando-as a ler palavras de uma vez só, sem explicar os sons das letras. O resultado é que as crianças aprendem, na prática, a chutar palavras pelo contexto e pelas primeiras e últimas letras. É comum que um adolescente ou jovem adulto leia “educação” se se vir diante da palavra “edulcoração”, por exemplo. Além disso, evidentemente, tendo-se acostumado a chutar palavra por palavra, a pessoa jamais se desenvolverá ao ponto de ler mais de um apalavra por vez. O que parecia ser uma queima de etapa acaba sendo um handicap em médio e longo prazos.

Os programas das matérias são igualmente delirantes, com idas e vindas que só servem para garantir que o aluno não seja capaz de aprender, mas perceba a visão de mundo marxista como se fosse uma lei da natureza. A Base Nacional Curricular, estrovenga delirante que deixa de lado coisas importantíssimas para dar espaço a besteiras e mais besteiras, é outra imundície no mesmo caminho.

O correto, para o MEC, seria seu fechamento puro e simples. Ele serviu ao mal, e serve ainda. Quem quer que seja que esteja à frente vai ter de lidar com interesses econômicos fortíssimos, e com interesses políticos mais fortes ainda. Basta lembrar que o autor dos livros de “História do Brasil” (entre aspas, porque aquilo é militância marxista, não História) mais vendidos no Brasil (inclusive e especialmente por ordens do MEC) nunca estudou História num contexto acadêmico, mas sempre teve fartas conexões políticas. E a alguns poucos reais por livro, os netos dele nunca precisarão trabalhar. O mesmo ocorre em todas as áreas: quem conseguir que o MEC adote um livro seu ganha na loteria. E hoje em dia (não creio que já tenha mudado), o critério de escolha não é a qualidade, mas a adequação ao projeto de controle ideológico das próximas gerações.

O MEC tem uma máquina gigantesca, move bilhões de reais, e tudo isso é usado contra as futuras gerações. Se as escolas fossem libertadas do duro tacão em que os militares e os comunistas as colocaram, se elas não fossem obrigadas a dar esta e aquela matéria, nesta e naquela ordem, com este e aquele professor, com tantos tempos de aula por semana, etc., seria possível para elas começar a ensinar de verdade. Ensinar a ler, a escrever, a fazer contas, a localizar-se no tempo e no espaço. Mas o MEC não deixa. Ele engessa a educação de uma maneira ainda mais grosseira que a CLT engessa a economia. Ele, na verdade, impede a educação.

E não adianta nada fazer a mesma besteira com sinal trocado. O que a educação precisa não é de crianças cantando o Hino ou de escolas militares, mas sim que o MEC pare de segurá-la num abraço de jiu-jitsu. De nada adiantaria trocar Cuba por Israel como modelo nos livros de geografia, quando o problema é que livros de geografia apresentem modelos ao invés de ensinar o que há no mundo (sim, também em termos sociais). De nada adianta acabar com questões “lacradoras” para colocar outra besteira política com viés oposto. Chega de política na escola! A política tem o seu lugar no ensino, que é no ensino superior, com todas as vozes discordantes fazendo-se ouvir. Mas não na escola.

Fosse eu ditador plenipotenciário do Brasil – que isto nunca aconteça! – eu não só fecharia o MEC como daria a cada um dos seus inúmeros funcionários e agregados a escolha entre ir em cana ou ganhar um facão e uma passagem só de ida para a Amazônia. Infelizmente, contudo, parece-me improvável que isto venha a ocorrer tão cedo.

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