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Arte: @rafa.camargo3110 @camarkkk rafacamargo.com.br| Foto: Rafa Camargo

Muitos escritores adoram criar listas como “os seis segredos de liderança do Google”, “seis competências essenciais que guiaram o desenvolvimento dos líderes da Amazon” ou ainda outras baseadas no modelo de grandes marcas mundiais. Mas, na grande maioria das vezes, são exemplos distantes da realidade do dia a dia das nossas empresas.

Afinal, por que temos dificuldade de olhar para os casos de sucesso das empresas que estão próximas de nós?

Refletindo sobre isso, decidi conversar com três CEOs da maior competência para saber como eles lidam com a seleção e formação de seus líderes. São três casos de sucesso que certamente podem nos guiar de uma forma mais autêntica.

Primeiro CEO: Jefferson Nogaroli

O primeiro deles foi Jefferson Nogaroli, presidente do conselho superior do Grupo Nogaroli, do conselho de administração Sicoob Sul e do conselho de administração da Companhia Sul-americana de Distribuição, uma empresa de supermercado que hoje está entre as 20 maiores do Brasil, entre as três maiores do Paraná e vem crescendo com consistência ao longo dos anos.

Como você encontra, desenvolve e, eventualmente, demite seus líderes?

Costumo formar as pessoas dentro da própria companhia. Como nem sempre isso é possível - pois existem competências que muito específicas -, algumas vezes preciso buscar líderes fora da empresa.

Seja com pessoas da empresa ou de fora, dois pontos são fundamentais: uma delas é a competência técnica, sem dúvida. Contudo, tenho olhado cada vez mais para a habilidade emocional e comportamental, pois acredito que, se a pessoa não souber liderar pelo exemplo, ficará difícil conseguir turbinar e manter uma equipe motivada e de alta performance.

Líder é aquela pessoa que me motiva a ir para um lugar aonde eu não iria se ele também não fosse. Liderar é extrair o melhor das pessoas, então eu desenvolvo meus líderes através de desafios.

Além disso, deixo sempre muito claro quais são as metas e as métricas, e dou autonomia. Quando a demissão é necessária, eu procuro fazê-la de maneira justa, deixando claro no que a pessoa falhou. Estou à frente de algumas empresas e só em uma delas tenho aproximadamente 10 mil colaboradores. Todos têm oportunidades, mas todos também sabem qual é a régua.

Como você gerencia o desempenho de seus líderes, quais técnicas e ferramentas utiliza e o que realmente considera importante para a companhia atingir os melhores resultados?

Dando autonomia e acompanhando produtividade e performance através de BI. Logicamente nem sempre tudo dá certo, mas eu analiso se o líder age proativamente e se ele reage no tempo certo, pois não temos tempo para esperar.

Por isso, acredito que a melhor ferramenta para atingir o resultado é treinar ao máximo as lideranças. Gosto muito de investir em comportamento e em conteúdo, ensinar as pessoas a darem resultados e fazer com que elas motivem e mantenham uma equipe de alta performance.

Segundo CEO: Markenson Marques

Markenson Marques é CEO do grupo Cargolift, que em 2009 figurava na 43ª posição entre as Maiores & Melhores do setor de logística e transportes. Em 2019, já ocupava a 23ª posição no mesmo ranking. O grupo tem cerca de 500 colaboradores e mais de 500 motoristas frotistas que trabalham agregados. A Cargolift também possui a Requinte Empreendimentos, além da Requinte USA Vacation Rentals, localizada nos Estados Unidos.

Em 2020, criou a PAYcargo na área financeira e investiu na MatrixCARGO, uma plataforma digital para soluções logísticas colaborativas. Além disso, o grupo mantém o Instituto Cargolift que, dentre outros projetos, já tratou mais de 1,7 mil jovens com dependência química em 17 anos na comunidade terapêutica Ceifar. Seu índice de recuperação é de 54%.

Como a Cargolift encontra, desenvolve e, eventualmente, demite seus líderes?

Cada líder da alta direção precisa ter em sua rede de relacionamento possíveis candidatos a serem convidados para juntarem-se ao time Cargolift. Passamos a utilizar uma plataforma com inteligência artificial para fazer recrutamento e seleção, o que tem sido muito eficaz.

Trabalhamos bem na contratação pois não gostamos de demitir. Quando acontecem demissões, na maioria das vezes é devido à falta de resultados do colaborador, o que é avaliado a cada fechamento de trimestre. O colaborador recebe feedback constante e por isso não é surpreendido na demissão.

Como você gerencia o desempenho de seus líderes e o que realmente considera importante para que a companhia atinja os melhores resultados através deles?

Mantenho tanto o time quanto os KPIs (Key Performance Indicator, do inglês indicador-chave de desempenho) dos centros de negócios e centros de resultados alinhados aos objetivos dos acionistas (que é a taxa de remuneração anual sobre o capital dos acionistas). Abaixo desta macro meta, há os gatilhos para PLR que são o Ebitda, o lucro líquido e o faturamento.

A cada semestre, priorizamos duas destas três de acordo com a estratégia da empresa para aquele período. Temos KPIs online em que todos os gestores acompanham as metas em tempo real. Além disso, nossa área de Gente & Gestão tem business partners que apoiam os líderes e fazem follow-up na forma como estão contagiando seus liderados.

Terceiro CEO: Alex Comandolli

Alex Comandolli é CEO da Turma da Árvore, grupo empresarial com sede em Lages (SC). Através de projetos específicos, busca atender causas de interesse socioambiental e com sustentação socioeconômica com o objetivo de compensar e equilibrar os prejuízos ao meio ambiente causados por atividades essenciais à existência humana.

Alex, conta um pouco mais sobre os princípios da Turma da Árvore.

Nós trabalhamos com um tripé muito forte. A primeira perna é fazer o bem e não ter contraindicação. A segunda é ser um produto sustentável, o que significa ser ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo. Nos perguntamos sempre: isso é mais barato que as tecnologias atuais ou tem o mesmo preço? Ele agride menos o meio ambiente? Ele vai ajudar as pessoas?  Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for não, ele volta para a prancheta. Se a resposta for sim, seguimos com o projeto.

A terceira perna do tripé é atender às 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU. Se o produto não atende, ele volta para a prancheta. Agora se ele atende, significa estar em compliance com 198 países no mundo, e é isso que nos importa.

Como você encontra, desenvolve e, eventualmente, demite seus líderes?

Nós buscamos pelo propósito da empresa! Se a pessoa tem o propósito alinhado com o da empresa já é 90% garantido. Nos outros 10% a gente olha o conhecimento. Preferimos isso a ter profissionais sem o propósito no modelo da Turma da Árvore.

Até hoje não tivemos que demitir líderes. Isso porque a gente procura muito, independentemente do local onde vivem. Por exemplo, temos líderes que moram em Portugal, em Boston, em São Paulo, em Londrina. Nós buscamos as pessoas que têm o conhecimento certo e com a capacidade de atuação naquela área, independentemente do local físico. A partir daí, o local físico passa a ser secundário. Nós vamos ajustar isso de acordo com a necessidades deles: ou tentamos trazê-los à nossa sede ou eles trabalham remotamente com reuniões presenciais esporádicas. Esse é um modelo que vem dando muito certo.

Como você gerencia o desempenho de seus líderes, quais técnicas e ferramentas utiliza e o que realmente considera importante para a companhia atingir os melhores resultados?

O que considero importante para atingir os objetivos é a inovação. Hoje a Turma da Árvore resolve velhos problemas com novas soluções. Acredito que nós temos que privilegiar a criatividade das pessoas e não somente medir sua produtividade.

Uma inovação como o concreto sustentável, desenvolvido através dessa equipe, pode valer mais do que o xarope da Coca-Cola, pois é um negócio grandioso. Portanto, o formato é o acompanhamento próximo às pessoas e a evolução de cada produto.

Sempre começamos a analisar o problema e queremos uma solução audaciosa. Nunca avaliamos um problema para reduzir, por exemplo, 10% do seu impacto, mas sim 10 vezes o seu impacto. Esse é o pensamento do time da Turma da Árvore.

Transformamos o vidro em areia para a construção civil – 100% limpo, conseguimos não gerar patologia na obra, economizamos material e mão de obra e temos base para a tinta e para uma série de soluções. Até fazer uma quadra de vôlei para poder jogar descalço em cima do vidro não cortante.

Eu sempre brinco que, se Jesus Cristo tivesse tomando uma Coca-Cola, possivelmente a garrafa estaria aqui até hoje. Mais um exemplo, nós temos soluções para o vidro, para o isopor, para plásticos não utilizados, plásticos duros, lixos industriais, uma série de soluções que não existiam. Por isso a reciclagem é limitada no Brasil e no mundo: porque você consegue reciclar o que tem valor de marcado e o que não tem você não consegue fazer.

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Não precisamos ir muito longe para ter bons modelos para criar e gerir um de time de líderes diferenciados dentro das empresas! Assim como o Grupo Nogaroli, a Cargolift e a Turma da Árvore, muitas outras empresas do nosso ecossistema vêm inovando em boas práticas que contribuem para promover o crescimento dos liderados e dos líderes com o objetivo de alcançar equipes de alto desempenho, com uma gestão saudável e reconhecendo o trabalho e o talento das pessoas.

Podemos sim nos inspirar nesses CEOs que estão pensando ativamente na criação de novas metodologias para sair dos apuros!

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