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Com mercados sem funcionários, compras sem contato e delivery, a low touch economy é uma tendência que veio para ficar.
Com mercados sem funcionários, compras sem contato e delivery, a low touch economy é uma tendência que veio para ficar.| Foto: @rafa.camargo3110 / @camarkkk / rafacamargo.com.br

Ter a correta percepção dos comportamentos mundiais, do que está ocorrendo na economia e nas negociações, é o grande drama dos CEOs que precisam dar a direção estratégica para os negócios que comandam. Para ajudar nisso, teremos a primeira série do ano de 2021 dedicada a este tema: lojas autônomas, uma grande tendência que se sustenta por diversos motivos e mostra sua força de permanência para os próximos anos.

O que vem sendo chamado de low touch economy (ou economia de baixo contato, em uma tradução direta) faz referência a um modelo de mercado que se firmou em 2020, no qual o distanciamento social passou a ser regra de segurança. O termo se refere àquele negócio feito com o menor contato possível entre vendedor, consumidor e dispositivos de venda.

Essa forma de relação tornou ainda mais valiosas tecnologias que possibilitam a criação de lojas autônomas, por exemplo. Esse tipo de negócio é capaz de reduzir ou até de eliminar a necessidade de pessoas em funções que antes pareciam insubstituíveis, oferecendo mais autonomia, mais facilidade e, neste momento, mais proteção para o cliente.

Exemplos da low touch economy

Existem atualmente diversos exemplos de inovação voltadas à low touch economy. Uma delas é a Bingo Box. Essa loja de conveniência autônoma na China se trata de um contêiner sobre rodas, que pode ser movido de acordo com a demanda ou a estação. A loja sem funcionários funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, e utiliza reconhecimento facial e tecnologia RFID (identificação por radiofrequência), com a qual o cliente escaneia o produto e paga através de seu smartphone.

Foto: Divulgação/Bingo Box
Foto: Divulgação/Bingo Box

Outro exemplo bem conhecido de modelo low touch é a americana Amazon Go. O CEO Jeff Bezos inaugurou em 2018, em Nova York, um supermercado autônomo, sem caixas e com somente um funcionário para suporte no ponto de venda. Para comprar, o consumidor se identifica, entra na loja através do próprio smartphone, pega os produtos e sai da loja. Na saída, ele passa por sensores que debitam o valor em conta. Todos os detalhes da transação podem ser acessados via aplicativo.

Isso é possível devido às câmeras que detectam movimentos e identificam objetos e produtos, além da visão computacional de pistas visuais com algoritmos de aprendizagem profunda e fusão de sensores de profundidade e peso nas gôndolas.

No Brasil, uma loja autônoma foi implementada sob a liderança do CEO Eduardo Cordova: a Market4u. A empresa de 2019 oferece um mercado inteligente dentro de condomínios, onde o consumidor utiliza seu próprio smartphone para fazer a compra nas gôndolas, que oferecem desde produtos mais simples até congelados, pães e carnes.

Foto: Market4u/Divulgação
Foto: Market4u/Divulgação

O conjunto de ferramentas da Market4u incorpora a tecnologia da empresa curitibana VisionSpace. Ela possibilita o contato de áudio entre o cliente e o operador, que analisa a necessidade de suporte através de uma câmera. Também resolve os problemas de ruptura de gôndola através de um sensor, equilibrando a informação de estoque no sistema com o estoque real.

Sem funcionários e com espaço reduzido, as lojas autônomas guardam um futuro brilhante pela frente. Como não há a necessidade de funcionários de caixa, seguranças ou zeladores, muitas vezes os produtos se tornam mais baratos, já que os gastos de manutenção são muito menores.

Na Bingo Box, por exemplo, o custo dos produtos fica entre 20% a 25% mais barato devido à tecnologia implementada. Além disso, o consumidor pode ter atendimento a qualquer hora — uma garantia de conveniência, rapidez e autonomia.

Momentos de transformação definem o futuro. Esses CEOs investiram nessas tecnologias antes da pandemia. Será que o futuro influenciou o passado, assim como Einstein previu? Ou o estudo da tecnologia nos prepara para lidar com o futuro? De qualquer forma, estar sintonizado com as tendências realmente impactantes pode, sim, dar a direção estratégica para a companhia que você dirige — e essa é uma das principais funções dos CEOs.

*A ilustração desta matéria foi elaborada pelo ilustrador e designer Rafa Camargo, que nos acompanha em todas as edições. 

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