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Lavar frango
| Foto: bigstockphoto

Se eu estivesse contando essa história, pediria que você fechasse os olhos e imaginasse as cenas que vou descrever. Mas, como é um texto, e você provavelmente está o lendo, pule a parte dos olhos e só imagine:

O local é a casa de sua avó. Você ainda é criança, está de férias de verão por lá, e é quase hora do almoço. Você pergunta: “O que a gente vai comer vovó?”. E ela responde: “Macarrão com frango!” Você dá pulos de alegria, pois sabe que o macarrão da vó é o melhor do mundo. Aí, vem a fatídica frase: “Meu neto, você me ajuda? Vai lavando o frango enquanto eu faço a massa do macarrão.”

Esta cena foi presenciada por muitos de você leitores, e era até normal na época em que estamos falando (talvez, anos 70, 80 ou 90?). Lavava-se o frango por causa de seu cheiro forte, o que ocorria, muitas vezes, devido a má manipulação ainda nos locais de abate. Em casa, acreditava-se que ao lavar o frango com água se tirava o cheiro forte e, por consequência, “matava as bactérias” .

Tudo bem, a gente perdoa (e dá graças que nada aconteceu). Mas hoje, uma cena destas deve ser erradicada de nosso dia a dia, e vou te explicar o por quê.

O frango é uma carne que naturalmente tem bactérias, até mais que a carne bovina e suína, por exemplo. E sabe o que as bactérias amam? ÁGUA!! Sim, elas se proliferam em ambientes úmidos. Ao lavar o frango, você está dando mais condições favoráveis para que elas se desenvolvam. Além disto, a água atinge apenas a superfície da carne, e todo o interior segue quentinho e molhadinho para as bactérias! Ou seja, você só está piorando o problema, mesmo.

Outro ponto é a contaminação cruzada. Quando a água corrente da torneira bate no frango, ela respinga por toda a sua pia. Aqueles pratos que já estão limpos e a própria torneira onde você pegará com a mão para fechar a água recebem os respingos, e consequentemente as bactérias do frango.

E elas não morrem facilmente. Pelo contrário; ficam ali por horas e horas. E por mais que você “não as veja”, ou “limpe os respingos com um pano”, elas continuarão ali, prontas para te contaminar quando você for usar o prato para servir uma salada, por exemplo. Portanto, agora além de não matar as bactérias, você ainda está espalhando elas por toda sua casa!

E, por fim, o ponto mais importante: a temida salmonela! Sabemos o risco de comer ovo cru e se contaminar, certo? E vamos nos recordar de onde vem os ovos? Sim, das aves! A carne do frango pode conter a salmonela, e essa bactéria representa um risco grave para nós humanos.

A Agência de Regulamentação Alimentar do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês), alertou em 2014 sobre a correlação entre o aumento de contaminação por bactérias e o hábito de se lavar o frango dentro de casa. Lavar o frango cru respinga bactérias, inclusive as da salmonela, e você pode se contaminar tempos depois de manusear a carne por contaminação cruzada.

ESTAMOS ENTENDIDOS?

Mas então, se lavar o frango não adianta nada, como matar as bactérias presentes na carne? Simples: COZINHANDO A CARNE!

Você pode assar, grelhar, fritar, cozinhar, enfim... O importante é que a temperatura da carne atinja ao menos 74°, temperatura esta que mata tudo que vê pela frente no nosso franguinho de cada dia. E você não precisa de um termômetro: 74° é um frango “ao ponto”, sem cor rosada no meio. Abaixo desta temperatura, você estará correndo sérios riscos abomine frango “mal passado”, isso não existe -- é sério.

Você pode não conseguir voltar no tempo e explicar para sua vovó tudo isso que contei agora, mas nunca é tarde para começar a conscientização! Pare de lavar o frango na sua casa hoje, proteja você e sua família, conte para os cozinheiros e cozinheiras próximos de você sobre isso (talvez para as vovós leve mais tempo, mas persistência é a chave) e me chame para comer o próximo franguinho que você fizer -- bem cozido, por favor.

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