Fortalecimento das famílias é algo desejável a qualquer sociedade, já que famílias amorosas e unidas, que passam às suas crianças valores como respeito e cooperação, costumam entregar para o mundo pessoas com inteligência emocional suficiente para encarar os desafios individuais da vida sem ferir os direitos coletivos.

O Brasil está cheio de maus exemplos que "vêm de casa", dos vândalos pichadores de muros (que nunca foram orientados a cuidar do que é seu, que dirá a respeitar o patrimônio alheio) àqueles que jamais aprenderam sequer a respeitar os próprios pais ou avós, por isso xingam e agridem qualquer um como se fossem os donos da razão e do mundo.

Aposto que só de ler isso já veio à sua mente uma série de lembranças desagradáveis, de fatos que certamente não teriam acontecido se os protagonistas tivessem aprendido, ainda pequenos, a valorizar a vida, o berço de onde vêm, seus genitores e todos os que vieram antes, os antepassados.

Não vejo como criticar um governo que percebe a falência da sociedade a partir desse prisma e se dispõe a um esforço concentrado, unindo ministérios para ajudar famílias a fortalecerem os vínculos entre seus membros, seja com palestras, cartilhas ou orientação individual via assistência social.

Como a iniciativa partiu do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado pela ministra Damares Alves, os críticos ficam ouriçados a ponto de deturpar tudo o que é sugerido só para não ter que admitir que a ideia é válida.

Iniciativa e narrativa

Vamos aos fatos! Em dezembro o governo publicou um decreto instituindo uma Estratégia Nacional de Fortalecimento dos Vínculos Familiares e criando um comitê interministerial para levar a ideia adiante.

Este comitê, que ainda está sendo formado, envolve representantes do ministério da ministra Damares e também dos ministérios da Educação, Saúde, Cidadania e Casa Civil. A ideia é que todos pensem e planejem de forma integrada políticas públicas para ajudar no fortalecimento de vínculos familiares.

Não demorou para entidades dominadas pela esquerda raivosa saírem dizendo que a ideia do governo é desprezar as mulheres, especialmente as negras (porque, sim, é sempre necessário encaixar uma questão racial no meio de tudo para dividir a sociedade).

Acusaram também o governo de estar isolando os gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, em mais uma clara tentativa de misturar assuntos para colocar uns contra os outros e espalhar ranço ideológico através de narrativas que distorcem a realidade.

Criticar por criticar

O decreto 10.570/2020, publicado no dia 10 de dezembro de 2020, nada mais fez do que lançar a ideia de uma estratégia nacional de fortalecimento das famílias e criar o comitê com representantes de vários ministérios para se reunirem com regularidade (sem remuneração extra) e alinharem as políticas públicas focadas no fortalecimento dos vínculos familiares.

Um mês depois de publicado, em 07 de janeiro de 2021, a ANDES, uma entidade que reúne sindicatos de professores universitários de todo o país, publicou uma nota de repúdio ao decreto, que é basicamente uma tentativa de desmerecer o governo como um todo, tanto que a nota mistura até pandemia e reforma da previdência com o assunto realmente proposto para análise crítica.

E em vez de tentar explicar por que acha ruim a ideia de uma união nacional em prol do fortalecimento das famílias, espalha suposições de que o governo entende como família apenas os núcleos de pessoas “brancas, herteronormativas e cristãs”.

Tem ou não tem ranço ideológico aí, além de uma espécie de preconceito reverso? Há ainda o agravante de que isso está sendo dito por representantes de uma entidade que deveria estar preocupada com o ensino superior e não com as políticas públicas voltadas às famílias.

O que diz o decreto

No documento publicado pelo governo estão algumas diretrizes para nortear a tal Estratégia Nacional de Fortalecimento dos Vínculos Familiares. E é exatamente isso que está escrito lá: vínculos familiares, nada mais. Não há citação a qualquer modelo de família, muito menos à cor da pele e preferências sexuais ou religiosas dos adultos em cada uma delas.

A estratégia pretende articular as ações federais que já existem e planejar melhor o atendimento à população para ampliar a atenção às famílias como forma de garantir proteção social a todos os indivíduos, especialmente os mais fracos: crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e os indígenas.

Vejam o que disse, em entrevista recente, a secretária nacional de Família, Ângela Gandra, maior autoridade do governo nessa área.

“Essa estratégia, de certa forma, já estava sendo vivida, mas agora foi institucionalizada, o que ganha força e aumenta também, provavelmente, o foco de cada ministério de pensar em suas próprias ações e o impacto que pode ter no fortalecimento de vínculos familiares.”

Ângela Gandra, Secretária Nacional da Família  

É aquela história: família é a base da sociedade. Com famílias fortes e unidas, a sociedade toda tende a melhorar, a prosperar.

Tem outro ponto interessante por trás dessa estratégia de fazer os órgãos de governo trabalharem voltados para o fortalecimento das famílias. Quando divulgou o decreto, o governo disse que “a medida ainda vai incentivar a pesquisa, a produção e a divulgação de conhecimento sobre a realidade das famílias brasileiras e da relação entre os vínculos familiares e o bem-estar da população”.

É know-how que vem por aí para ajudar o poder público a não ficar trabalhando no escuro e atirando para tudo o que é lado sem a certeza de que vá colher resultados no futuro. Investimento em melhorar a forma como as pessoas se relacionam dentro de casa pode trazer muitos ganhos para o sistema educacional e para o mercado de trabalho.

Como dito acima, não se menciona nenhum tipo específico de família no decreto, fala-se em “vínculos familiares”. Mas é claro que tentaram politizar e deturpar tudo, como se o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos estivesse armando um grande complô contra as mulheres, já que muitas são mães solteiras ou têm filhos com pai reconhecido, mas criam as crianças sozinhas.

E como se fosse um complô contra outros formatos de família, inclusive aquelas em que os filhos são adotivos, criados por casais homo ou heterossexuais. Acontece que o decreto, repito, não traz nenhuma definição de família, fala apenas em reforçar os vínculos entre pais e filhos, avós e netos, e por aí vai.

O documento, aliás, chega a mencionar indígenas e filhos adotivos, para estimular a valorização desses indivíduos ou grupos específicos em seus ambientes familiares, ao contrário do que dizem os arautos da intriga.

Vínculo familiar é algo que nem todos têm, mas não há uma única pessoa que não saiba do que se trata. Não há espaço para dupla interpretação.

Nota de repúdio da ANDES

A nota da ANDES traz a ladainha de sempre e usa aquela tática de repetir exaustivamente as mesmas palavras para tentar colar alguns adjetivos em quem quer que apoie este ou aquele programa do governo.

Usam agora as palavras “branca, heteronormativa e cristã” para dizer que esse é o único tipo de família aceito pelo governo ou por quem apoia o governo. Como se todo mundo que ache oportuno um governo se preocupar em fortalecer vínculos familiares discriminasse famílias que não fossem formadas exclusivamente por pessoas brancas, cristãs e heterossexuais.

Fizeram o mesmo na pandemia, repetindo que nem papagaio as palavras “negacionista”, “terraplanista”, “fascista”, “homofóbico”, “nazista”. Não concordou com ideias de esquerda (não importa quais) ou apoiou qualquer coisa que eles julgam “de direita”, já é necessariamente tachado de um desses adjetivos que generalizam tudo e todos.

Já falei isso em outro vídeo, quando expus a falácia da ideologia de gênero. Não é porque você discorda da tese absurda de que o ser humano nasce sem sexo e só vira menino ou menina por uma imposição cultural que você é homofóbico ou tem preconceito contra homossexuais e pessoas que não se sentem confortáveis no sexo biológico.

Da mesma forma, se você questiona a eficácia do lockdown e do trancamento em casa de pessoas saudáveis não quer dizer que você negue a necessidade de manter distanciamento dos outros, de evitar aglomerações ou até mesmo a existência da doença.

Questionar a pressa em se aprovar vacinas pulando etapas importantes de testes ou em liberar vacinação de idosos sem ter testado o imunizante experimental em pessoas mais velhas, não significa que você seja contra a vacinação ou que deixe de se cuidar e de cuidar dos outros para sustentar sua opinião.

E a história da Terra plana é tão estúpida que me recuso sequer a comentar, mas vejam as palavras de ordem que agora querem grudar em você: branco, heteronormativo e cristão, defensor de um modelo de família que é só isso: branca, heteronormativa e cristã. Dá até preguiça analisar esse tipo de discurso, tão limitado. Trago para cá apenas porque é preciso desmascarar a hipocrisia.

A intenção por trás da narrativa

O que alguns movimentos e entidades de esquerda radical como a ANDES estão dizendo é que o governo, que defende a família (e por conseguinte, você, que acha importante o governo defender a família), são ditadores segregacionistas, porque querem impor ao país um formato único de família.

Esse discurso que tenta grudar o adjetivo de preconceituoso em todos que defendem a família ignora que para a imensa maioria das pessoas, que prezam a instituição (família), pouco importa se o casamento deu certo ou se os pais se separaram, se a mãe cria o filho sozinha ou se é um casal de gays ou lésbicas que se dispôs a adotar uma criança abandonada.

Você sabe que todo mundo é filho de um homem e de uma mulher; todos têm pai e mãe, mesmo que não se relacionem com eles. Quem foi abandonado e adotado, também tem pais. E imagino que você apoie que haja um bom relacionamento entre pais e filhos, entre netos e avós, independentemente do lugar onde morem.

Aposto que torce para que as famílias permaneçam unidas e fortalecidas e que os casais separados consigam pelo menos manter o diálogo e o respeito para não afetar o desenvolvimento emocional das crianças. É claro que estimular esse bom relacionamento traz benefícios para todos os envolvidos, porque fortalece esse pequeno núcleo humano, que é a base da sociedade.

Pois os extremistas de esquerda, que vivem querendo roubar para si a causa de minorias e dividir a sociedade, criando a ideia de que todos que discordam deles são preconceituosos e maldosos, sequestram também o direito de expressão de categorias inteiras.

A ANDES, por exemplo, arvorou-se em falar em nome dos professores universitários como se todos fossem contra a ideia de fortalecer laços familiares. Posso apostar que a imensa maioria nem sonha que a diretoria da ANDES esteja gastando dinheiro da contribuição sindical para espalhar esse tipo de narrativa.

Já vimos esse filme antes! O presidente da OAB fingindo falar em nome de 100% dos advogados do país ou o presidente desta ou daquela Sociedade médica com a pretensão de ser o porta-voz de todos os profissionais ou pesquisadores de saúde. Não são. Estas são apenas associações de interesses da classe, não representantes do pensamento de seus associados em todas as questões da vida.

Feministas contra o decreto

Na esteira da nota de repúdio da ANDES vários “coletivos femininos” ou ONGs feministas, que também não falam por todas as mulheres, saíram reproduzindo o ataque à ideia do governo de fortalecer as famílias.

“Nós sabemos qual formato de família que Bolsonaro e de todos que estão em seu governo, especialmente a Ministra Damares, defendem: a família branca, heteronormativa e cristã”, publicou o site Marcha Mundial das Mulheres. Não por acaso são, de novo, as mesmas palavras, escancarando que as narrativas são orquestradas para pregar nas mentes mais incautas.

"O decreto fere a possibilidade de autonomia e emancipação das mulheres na medida que reforça esse modelo que exclui a maioria dos lares brasileiros, chefiados por mulheres, majoritariamente negras com filhos, ou ainda por casais homoafetivos ou ainda as comunidades indígenas. Ao instituir essa Estratégia e a criação de um comitê, o governo quer ao mesmo tempo impor um modelo de família, perseguir e criminalizar casais LGBTs, restringir programas públicos de saúde.”  

Trecho da nota de repúdio ao decreto, publicada no site Marcha Mundial das Mulheres

Nada disso está no documento publicado pelo governo. O decreto, que sugere um esforço de governo para fortalecimento das famílias, cita que é necessário valorizar os núcleos familiares indígenas e também “as funções sociais da família, baseada em relações de reciprocidade, responsabilidade e solidariedade entre os seus membros.” Propõe também o acesso ao planejamento familiar e à maternidade e à paternidade, inclusive por adoção.

O manifesto feminista mistura interpretação errada e deturpação do conteúdo original, praticando o que essa mesma turma acusa os outros de produzirem: fake news.

“O decreto reforça a divisão sexual do trabalho, empurra as mulheres ao trabalho doméstico e de cuidados feito gratuitamente, exaltando as mulheres que abdicam da vida para serem donas de casa e relegando à nós (sic) apenas esse lugar de servidão.”

O texto original sugere a valorização, o reconhecimento e o apoio às funções desempenhadas pela família na formação, no cuidado e na proteção de crianças, adolescentes e jovens, pessoas idosas e com deficiência, além do fortalecimento do valor da maternidade e da paternidade responsáveis.

Talvez o que tenha desagradado as feministas foi prever a "promoção do equilíbrio entre o trabalho e a família". E aqui está o ponto que foi deturpado de forma descarada: o decreto diz que é preciso, dentro dessa estratégia, promover também “o reconhecimento do valor social do trabalho doméstico e dos cuidados da casa como essenciais para o desenvolvimento da família e da sociedade”.

Isso quer dizer que a mulher que decide ficar em casa para cuidar dos filhos não deve ser desprezada pela sociedade, mas valorizada. Programas de governo podem ajudar nessa valorização. É muito diferente daquilo que as feministas radicais estão dizendo: que o governo quer transformar as mulheres em escravas domésticas, “relegando a nós apenas esse lugar de servidão”.

Se você concorda que é bom reforçar vínculos familiares entre pais e filhos; reforçar o apreço pelos avós; a necessidade de cuidarmos, dentro de casa, com carinho, das pessoas com deficiência... E se, por outro lado, discorda dessas notas de repúdio de entidades contaminadas pelo esquerdismo doentio, deixe um comentário, curta e compartilhe o vídeo publicado no topo da página para mais gente ajudar a espalhar a verdade dos fatos.

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