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Passaporte sanitário é a expressão do momento. Prefiro chamar de apartheid sanitário. Estamos caminhando a passos largos para experimentar o segregacionismo vivido na África do Sul por décadas, com a diferença que lá decretavam a separação de pessoas conforme a cor da pele e aqui, pela situação vacinal.

Desde os primeiros momentos da pandemia, em março de 2020, foram tantas as regras absurdas a que fomos submetidos, sem fundamento científico, que agora parece natural prefeitos, governadores e até empregadores privados classificarem pessoas por categorias. Parece que as pessoas recusam-se a pensar.

É normal dizerem quem é bom ou mal apenas por ter ou não se vacinado e sem ouvir os argumentos de quem não se vacinou para tentar entender suas razões; sem saber se essa pessoa evita se expor a riscos para não contrair vírus, ficar doente e sair espalhando para o outros?

No vídeo que publico hoje, anexado a este artigo, faço o que poucos estão fazendo por medo do cancelamento, outra praga da atualidade. Trago argumentos para mostrar a inutilidade do passaporte sanitário e para onde esta onda de insanidade e a aceitação de regras tirânicas, sem questionamento, estão nos levando.

Passaporte sanitário

O chamado passaporte vacinal, que está sendo implantado praticamente no mundo todo e avança também no Brasil, é um apartheid sanitário. Apresentar um selo num aplicativo ou o carimbo numa carteirinha de papel para entrar nos lugares, como se isso fosse a garantia de que você está protegido e protegendo os outros contra Covid, não tem nenhuma fundamentação científica.

Ninguém, nem as autoridades, os cientistas ou a própria indústria farmacêutica, garante que os vacinados estão livres de contrair e de transmitir Covid. Há inúmeros casos de gente vacinada que ficou doente e morreu de Covid.

Mesmo que, para a maioria, a imunização surta algum efeito de proteção contra o coronavírus, a eficácia não chega nem perto de 100%. Isso quem diz são os estudos comandados pelos próprios fabricantes.

Ocorre que o medo de pegar Covid paralisa e poucos parecem perceber que não faz sentido separar pessoas. O lógico não seria continuar exigindo o respeito às medidas sanitárias, como uso de máscara, álcool em gel, distanciamento físico e evitar aglomerações?

As pessoas parecem ter parado de raciocinar. Pense bem: se a vacina protege tanto, por que os vacinados precisam ter medo dos não vacinados? E se não protege, de que adianta separar as pessoas?

Qual o sentido do apartheid? Por que exigir passaporte sanitário para a entrada em estabelecimentos, tirando a liberdade de ir e vir das pessoas e, pior, seu direito de acesso a alimentação, serviços de educação e saúde?

Apartheid nas cidades

Já temos casos, como o Rio de Janeiro, em que o prefeito impediu o acesso de não vacinados até a hospitais. Pessoas com outras doenças, que não Covid, estão impedidas de fazer cirurgias eletivas, por exemplo.

Já vi denúncia de gente com fraturas ou outras emergências, mas que não estava com Covid, portanto não oferecia risco a ninguém, tendo negado o acesso a atendimento médico. Um paciente que estava há anos na fila de um transplante não pode receber o órgão quando surgiu um doador, só porque não tinha tomado a vacina de Covid. Isso não faz o menor sentido.

Quer dizer que se um carioca não está vacinado não pode se tratar de mais nada? Haja incoerência! Vão matar pessoas sem sintomas de Covid, impedir o socorro médico, apenas porque não se vacinaram? Quando, antes, isso aconteceu?

E não adianta vir com o argumento de que estamos no meio de uma pandemia. É claro que isso demanda praticamente os mesmos cuidados de antes, mas não há motivo algum para segregar pessoas. Os números de casos e mortes por Covid no Brasil vêm caindo há meses, muito antes de termos atingido um percentual alto de vacinados.

Covid ainda é um problema sério de saúde sim, por isso é preciso ter a consciência de não participar de aglomerações, como shows e carnaval, onde todo mundo fica abraçado, cantando, se beija e bebe no mesmo copo ou garrafa. Mas, no dia a dia, para ir ao mercado ou a uma consulta médica de rotina, quem não está vacinado de Covid oferece mesmo risco aos vacinados? É claro que não.

E pessoas vacinadas, mas com sintomas de Covid ou até com a doença confirmada por exames? Essas podem circular onde quiserem? Entram nos hospitais e em qualquer outro lugar só porque têm um selo ou um carimbo? Mesmo que estejam transmitindo a doença? 

Situação no exterior

Aconteceu recentemente na COP-26, a reunião mundial do clima, realizada no começo de novembro, na Escócia. Vários dos participantes vacinados testaram positivo para Covid e tiveram que ficar em quarentena, inclusive o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), um dos defensores do passaporte sanitário (que não funcionou para ele).

Antes, na reunião da ONU, em Nova York, onde não se exigiu passaporte vacinal, mas testou-se os participantes, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vacinado, descobriu que tinha Covid e precisou ficar em isolamento na cidade por mais duas semanas. Toda hora surgem notícias assim.

No começo de agosto, um cruzeiro no Caribe com mais de 96% dos passageiros vacinados precisou desembarcar uma turista que estava com sintomas graves de Covid e, depois, infelizmente, já transferida para um hospital na sua cidade de origem nos Estados Unidos, ela acabou falecendo.

26 tripulantes desse mesmo navio testaram positivo. Detalhe: todos estavam vacinados, segundo o Ministério do Turismo de Belize, país em que a passageira doente foi hospitalizada. O índice de vacinação entre os tripulantes era de 99,98% e entre os turistas de 96,5%. Depois desse caso, virou regra entre as companhias de cruzeiro exigir o passaporte vacinal.

A pergunta que fica é: adianta? Os números divulgados nesse navio que teve o surto de Covid a bordo mostram que não. E há muitos e muitos casos pelo mundo de eventos fechados a quem tem o tal do passaporte, onde houve registro de contaminações. Ainda assim, a loucura da exigência de passaporte vacinal só avança e atinge níveis absurdos.

Essa semana notícia estarrecedora da Alemanha deu conta que uma clínica de eutanásia está se recusando a receber pacientes não vacinados. Chegaram ao cúmulo de impedir que pessoas em fase terminal de alguma doença, que não queren mais esperar pela morte, possam se internar nesta clínica para receber uma injeção letal. Só aceitam se a pessoa se ela primeiro se vacinar contra Covid.

Chegamos ao ponto de não mais nos surpreendermos com a bizarrice humana, mas calar não é opção para quem defende a liberdade e a transparência. Se querem proibir acesso a não vacinados, apresentem estudos comprovando que isso funciona. Não apresentam.

Contra todas as evidências científicas e estatísticas, estão impedindo gente saudável, que se cuida, usa máscara, higieniza as mãos e mantém distanciamento dos outros, de entrar em alguns lugares ou de ter acesso a alguns serviços só porque decidiram esperar para se vacinar.

Essas pessoas não são anti-vacina, como pejorativamente costumam chamá-las. Apenas preferem ter mais informações quanto à eficácia e à segurança destas vacinas de Covid antes de tomar, o que é plenamente compreensível e legítimo.

Ninguém está vendo os abusos cometidos por determinação de presidentes de tribunais ou de outros órgãos públicos, decretos de prefeitos e governadores, leis municipais ou estaduais segregam, a título de “proteger a coletividade”?

E tem gente aplaudindo essa tirania e fomentando a divisão absurda entre as pessoas, dizendo com todas as letras que os não vacinados são egoístas e sádicos - uma desumanidade inacreditável, até porque essa classificação rasa ignora o luto de parentes de vítimas fatais de efeitos adversos das vacinas, que mesmo sem ser divulgados abertamente, estão acontecendo.

Audiências Públicas

Os relatos inundam as redes sociais, que são a praça pública do mundo atual e já se contam aos milhares nos sites oficiais da ANVISA (VigiMed) e do governo americano (VAERS - Vaccine Adverse Event Reporting System), onde quem teve problemas de saúde depois da vacina ou parentes de pessoas que morreram relatam o ocorrido.

Pelo Brasil inteiro médicos, que estão atendendo pessoas com efeitos adversos graves após se vacinarem e peritos, que fazem os exames para atestar causas de morte, abrem espaço na agenda já apertada para, de forma voluntária, participar de audiências públicas, onde possam levar mais esclarecimento para vereadores e deputados que cogitam fazer leis implantando a obrigatoriedade das vacinas.

Também estão nesse esforço por esclarecer autoridades e a população como um todo, especialistas em ética, advogados, professores universitários e cientistas que estão há meses estudando a relação das vacinas com tantos casos de infarto em adolescentes e jovens, casos de AVC, tromboses que levam a amputação de membros, síndrome de Guillain Barré e outras doenças.

É uma maratona para tentar evitar que, além de todos esses problemas já enfrentados pela população, políticos ainda aprovem o passaporte sanitário impedindo cidadãos de bem de ir e vir, trabalhar e tentar seguir suas vidas. São de 2 a 5 audiências públicas por semana, acontecendo em todos os estados.

A Gazeta do Povo publicou recentemente um levantamento de como anda a discussão sobre passaporte sanitário Brasil afora. A repórter Jocelaine Santos descobriu que as restrições de acesso a espaços, eventos e serviços para pessoas não vacinadas, mesmo considerada uma medida excessiva ou ilegal por muitos juristas, já atinge 17 estados e o Distrito Federal.

Nas cidades a pressão para obrigar as pessoas a se vacinarem também está grande. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, numa consulta a 2.362 prefeitos em novembro, 380 disseram que já estavam adotando a medida. Isso representa 16% do total consultado, mas o número real é maior. A Confederação consultou pouco mais de 2300 prefeitos e o Brasil tem 5570 municípios.

Projeto de lei propõe cadeia para quem não se vacinar

A insanidade chega a tal ponto que já tem projeto de lei apresentado no Senado para criminalizar quem não se vacina. O autor dessa ideia absurda é o senador Ângelo Coronel (PSD-BA).

O projeto tipifica como crime “deixar de se submeter, sem justa causa, a vacinação obrigatória em situação de emergência de saúde pública; criar, divulgar ou propagar, por qualquer meio, notícias falsas sobre as vacinas do programa nacional de imunização ou, de qualquer modo, desestimular a vacinação.

O projeto está em fase de consulta pública e qualquer um pode dar sua opinião lá para tentar impedir que vá para frente. Por sorte o "não" ao PL 5555/2020 está vencendo com muita folga. Nesta sexat-feira (3) estava com quase 60 mil votos pelo "não" e 7 mil "sim".

A mim chama muito a atenção que 7 mil brasileiros pensem como o senador baiano e queriam colocar na cadeia quem não se vacinar. Se você discorda, não deixe de entrar no site do Senado e registrar seu voto contrário a essa proposta.

Esse é o momento de falar e há muita gente fazendo isso. Todos os dias recebo e-mails e mensagens diretas de pessoas ameaçadas de perder o emprego (até emprego público, onde há estabilidade) e sendo impedidas de entrar no local de trabalho.

Sugiro que clique no play da imagem no topo da página para conhecer o caso da mãe que não pode retrirar o passaporte da filha em Salvador e do vereador de Sorocaba (SP) que elaborou um Termo de Responsabilidade para pessoas impedidas de entrar em algum lugar entregarem para o responsável pelo local assinar.

Se os algozes do passaporte sanitário vão querer assumir responsabilidades sobre possíveis efeitos adversos graves que a vacina eventualmente venha a provocar nas pessoas que estão sendo obrigadas a se imunizar, não sei. Mas é uma arma capaz de causar constangimento e, quem sabe, reflexão.

O prefeito de Sorocaba já garantiu à população que na cidade o passaporte do apartheid não será implantado. Ele se diz a favor da vacinação, revelando inclusive que ele e a esposa se vacinaram, mas entende o direito dos conterrâneos de não querer tomar vacina nesye momento. Viva a liberdade! Saúde, com responsabilidade.

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