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"O mundo deve US$100 bilhões ao Brasil em crédito de carbono", diz Ricardo Salles ao fim de meia hora de entrevista sobre a Amazônia, que você pode conferir clicando no play do vídeo acima.

Para quem não está familiarizado com o tema, crédito de carbono é uma espécie de "vale" que países poluidores compram de países que preservam suas florestas, uma forma de compensar o fato de já terem destruído suas próprias matas e, além disso, despejarem no ar elevada quantidade de gases responsáveis pelo efeito estufa.

Entre os devedores estão os que espalham fotos de queimadas antigas da Amazônia como se fossem atuais; aqueles que divulgam notícias deturpadas e estatísticas infladas sobre desmatamento, dando a entender que o país não cuida da floresta; e também os que têm interesses comerciais em denegrir a imagem do Brasil por serem nossos concorrentes no agronegócio.

Isso não quer dizer que a Amazônia não seja vítima de queimadas, desmatamento e de falhas na fiscalização. É, e Ricardo Salles admite. "A área é imensa, equivalente a 16 países europeus juntos. Se não houver ajuda das polícias dos estados é impossível dar conta da fiscalização. Sozinho o governo federal não consegue."

A conversa com o ministro do Meio Ambiente foi ao vivo, pelo Instagram da Gazeta do Povo, na noite desta segunda (3). Em pouco mais de meia hora ele descreve a situação atual da Amazônia neste ano de tanta estiagem e queimadas por todo o país.

Salles desmente que os incêndios florestais tenham atingido uma marca histórica e aponta outras ameaças à floresta, como a mineração e o baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da região, que faz com que a população ribeirinha, sem oportunidades, aceite trabalhar para grileiros de terras.

Salles diz que uma das soluções para diminuir as agressões à Amazônia é tornar os moradores locais também responsáveis pela proteção da floresta e isso seria possível através da regularização fundiária, que estava prevista na MP 910/2019 apresentada pelo governo ao Congresso, mas que perdeu a validade em julho, porque o presidente Rodrigo Maia não colocou em votação.

Outra alternativa seria investir em projetos para dar educação profissional, empregabilidade e melhores condições de vida aos 25 milhões de habitantes da região amazônica. Diz o ministro que esta população foi esquecida, abandonada à própria sorte. E que as ONGs que atuam na Amazônia não têm projetos abrangentes que dêem conta de resolver tamanho desafio.

Para o ministro isso seria possível se o Brasil recebesse os US$100 bilhões que países europeus, asiáticos e os Estados Unidos se comprometeram a pagar ao país a título de compra de créditos de carbono. "O acordo de Paris, que previa esses pagamentos, nunca foi respeitado", disse o ministro na parte final da conversa. Confira a entrevista!

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