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Na gestão Biden, o tema dos OVNIs passou a ser levado mais a sério pelos EUA
Na gestão Biden, o tema dos OVNIs passou a ser levado mais a sério pelos EUA| Foto: Mark Makela/Getty Images

Quando dois presidentes americanos e um vencedor do prêmio Nobel repetem a mesma opinião sobre um determinado tópico, é provável que exista ali uma operação de propaganda em curso. Segundo Bruce Lannes Smith, professor emérito de ciência política na Universidade Estadual do Michigan, propaganda se caracteriza pela “disseminação de informações - fatos, argumentos, rumores, meias-verdades ou mentiras - para influenciar a opinião pública”. É dessa forma que pode ser vista a insistência recente do Pentágono em vazar e confirmar vídeos de objetos voadores não identificados (OVNIs). Pode haver um interesse político por trás disso tudo. E vou mostrar para vocês os possíveis desdobramentos.

Assim como aconteceu recentemente com a busca sobre a origem do coronavírus, a temática dos objetos não identificados revela mais um exemplo de mudança drástica de opinião do governo americano sobre temas antes considerados conspiratórios ou tabus. Desde o final de 2020, o assunto dos OVNIs passou a ser não apenas tratado com seriedade em Washington, mas se tornou tópico frequente no noticiário global. Numa clara estratégia de persuasão, na tentativa de conferir maior seriedade ao tema, a sigla UFO (“objetos voadores não identificados”, a partir do inglês) foi alterada para UAP (“fenômenos aéreos não identificados”). A mudança lembra o procedimento da “novilíngua” do livro 1984, de George Orwell, em que havia um apagamento de termos e transformação no sentido das palavras, com a finalidade de controlar o pensamento.

As recentes “liberações” do Pentágono atendem a uma estratégia de preparar o terreno para o cumprimento de uma obrigação legal. Em dezembro de 2020, o ex-presidente Donald Trump sancionou a lei HR 133, que havia sido aprovada pelo Congresso Nacional. No meio das 6 mil páginas do documento, estava o Intelligence Authorization Act 2021, que condicionava a liberação do orçamento das agências de inteligência à publicação, por parte da Marinha dos EUA, de um estudo aprofundado sobre os agora chamados “fenômenos aéreos não identificados”. Dessa forma, para não ter que apresentar tudo de uma única vez, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos começou a divulgar, em doses homeopáticas, imagens e documentos sobre o tema, para ir preparando a opinião pública antes da divulgação do relatório completo, que deve acontecer nas próximas semanas.

Mas quero ajudá-lo a entender uma possível estratégia por trás disso tudo, a conexão entre a questão dos OVNIs e um poderoso objetivo geopolítico. Lembram que, no início do texto, eu comentei sobre dois presidentes e um vencedor do prêmio Nobel concordando sobre um mesmo assunto? Aqui está a chave para desvendarmos eventuais propósitos ocultos. Durante a Guerra Fria, no dia 21 de setembro de 1987, na 42ª Assembleia Geral da ONU, o presidente americano Ronald Reagan surpreendeu o mundo ao falar, em seu discurso, que uma “ameaça alienígena” acabaria com todos os conflitos, pois a humanidade teria que estar unida para defender-se dos invasores. Isso dava a entender que uma invasão alienígena poderia encerrar a Guerra Fria entre EUA e União Soviética. E não foi a primeira vez que Reagan abordou publicamente o tema. No dia 4 de dezembro de 1985, durante uma fala a alunos e professores da Fallston High School, em Maryland, ele afirmou que, se houvesse uma repentina ameaça de alguma espécie de outro planeta, nós esqueceríamos todas as pequenas diferenças locais e descobriríamos que realmente somos todos seres humanos aqui nesta terra juntos. Ele repetiria a mesma tese no dia 4 de maio de 1988, numa sessão de perguntas e respostas com membros do Fórum de Estratégia Nacional em Chicago. O curioso é que, no dia 19 de novembro de 1985, numa reunião oficial em Genebra, na Suíça, o presidente americano chegou a tocar nesse assunto com o então premiê soviético Mikhail Gorbachev, que prontamente concordou com a ideia de interromper a Guerra Fria no caso de uma invasão alienígena.

Você pode ler isso e pensar que se trata de um doido, um ex-ator de faroeste e amante de livros de ficção científica que acabou se tornando presidente americano. Coisa de um maluco isolado. E se eu revelar a você que Bill Clinton disse exatamente a mesma coisa numa entrevista concedida a Jimmy Kimmel em 2014? O presidente afirmou: “Se eles estão por aí, pense em como todas as diferenças entre as pessoas na Terra pareceriam pequenas se nos sentíssemos ameaçados por um invasor do espaço”(tradução livre do inglês). Cabe lembrar que John Podesta também era um aficionado pela questão dos OVNIs. Ele foi ex-diretor da campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016, chefe de gabinete da Casa Branca no governo Bill Clinton e conselheiro do presidente Barack Obama.

A coisa fica ainda mais estranha quando, em 2011, o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirmou, numa entrevista ao programa da CNN "Fareed Zakaria GPS", que uma invasão alienígena poderia ajudar a resolver a crise econômica rapidamente. A tese de Krugman era que, com o risco de uma incursão extraterrestre, os americanos teriam que aumentar rapidamente os gastos com equipamentos militares. Seguindo uma linha keynesiana, ele acreditava que uma direta intervenção econômica estatal poderia trazer o pleno emprego, manter a inflação sob controle e acabar com a crise.

A inspiração para a ideia veio de um programa chamado "The Outer Limits", num episódio de 1963 chamado "The Architects of Fear” (“Os Arquitetos do Medo”, em tradução livre do inglês). Na história, o mundo vivia uma espécie de guerra fria, aproximando-se de um enorme conflito global. Com o objetivo de evitar um caos nuclear, alguns cientistas levantam a ideia de criar uma falsa invasão alienígena de forma que a humanidade teria que se unir para combater um inimigo comum. Ou seja, a ideia de uma invasão alienígena foi colocada, por todas essas importantes figuras, como solução para um problema global, por meio da união dos humanos para combater um adversário externo. Tal união seria viabilizada por uma espécie de governo mundial.

Isso te lembra alguma coisa? Hoje, a humanidade está diante de um inimigo comum (o vírus), e muitos propuseram como solução o estabelecimento de um governo único mundial. Com a proposta de investigar as origens do coronavírus, Biden está tentando criar um novo inimigo: a China. Seria a narrativa de uma presença alienígena a antecipação dos planos para estabelecer a paz no mundo pós-pandemia e para evitar um iminente conflito com os chineses? Seria o Grande Reset o viabilizador desta governança mundial? Só nos resta esperar e analisar com muita atenção o que a propaganda do Pentágono está tentando incutir no imaginário global.

Post scriptum: para sua reflexão

A NASA divulgou, em 2017, uma estranhíssima oferta de emprego, talvez um dos maiores cargos já concebidos: “Oficial de Proteção Planetária”. O Escritório de Proteção Planetária estava precisando de um funcionário que atuariam para evitar que uma “contaminação orgânica e biológica” pudesse ser desencadeada durante missões espaciais.

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