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Organização meteorológica de Curitiba
| Foto: Imagem: Maryane Vioto Silva/ Gazeta do Povo

A exemplo do Hemisfério Norte, aqui no Brasil Meridional devíamos dar nomes aos furacões, tornados, tormentas, inundações, enchentes, tempestades, trovoadas, chuvas em geral. Bem assim como se dá nome aos bois, precisamos dar nomes às chuvas.

A tradição de nomear os fenômenos climáticos, como se sabe, começou no século 19, quando um meteorologista australiano usou o nome dos políticos locais para classificar os furacões, como crítica ao comportamento imprevisível das tempestades e da política. Quanto à atual nomenclatura, foi na década de 1950 que começaram a batizar os furacões e, desde então, é a Organização Meteorológica Mundial (OMM) que dá nomes de mulheres aos furacões nascidos sobre o Atlântico Norte.

Organização Meteorológica de Curitiba (OMC), assim poderia se chamar o órgão encarregado de classificar e dar nomes aos fenômenos naturais que atormentam o Paraná, com destaque às inundações na capital do Paraná, como por exemplo o temido “Buraco da Velha”.

Curitiba não é mais aquela, quando uma velha rabugenta fazia o céu desabar e sobrava água nos reservatórios da Região Metropolitana. Nos bons tempos com abundância de chuva, meteorologistas diziam que os temporais eram causados por alguma frente fria que passava pelo Paraná. Mal sabiam eles que ainda hoje o buraco é mais embaixo. É o “Buraco da Velha”, a maldição que faz Curitiba pagar pelos seus pecados.

Primavera ou verão, quando a temperatura aumenta e os ossos pressentem uma tempestade no ar, a gente antiga de Curitiba levantava os olhos para o céu do Parque Barigui, na direção de Campo Largo, rumo de Ponta Grossa. Naquela nesga de hemisfério se localiza o que os antigos chamam de “Buraco da Velha”. Se as nuvens daquele canto escurecem, é tempestade da grossa. O “Buraco da Velha” inundava os bairros, vilas se enchiam de lama, como ainda hoje, e a prefeitura declarava calamidade pública.

Além da “Chuva da Velha”, Curitiba teme ainda a “Chuva do Greca”, inundação quer inspirou o ex-prefeito Rafael Greca a deixar uma frase para a história. Ao inspecionar os estragos causados pelos rios e riachos entupidos de pneus velhos, sofás e poltronas, geladeiras enferrujadas e armários, Greca subiu num barranco e, apontando o dedo para o povo em sua volta, ensinou: “Rio não caga!”.

“Chuva de Merda” é o dilúvio nas áreas miseráveis da periferia. Tributo ao jornalista Mussa José Assis que, no dia seguinte a uma calamitosa enchente, imprimiu no jornal “O Estado do Paraná” a manchete que deixou a cidade envergonhada de si mesma: “Curitiba joga merda na água que bebe!”.

Quando cai um pé d´água no centro da cidade e os subterrâneos de Curitiba mostram nossas mazelas, é a “Chuva do Arzua”, lembrança do corajoso ex-prefeito que, ao “enterrar dinheiro”, canalizou o Rio Ivo. “Chuva dos chorões” é o aguaceiro de final da tarde que transborda a esquina da Cruz Machado com Visconde de Nácar e deixa a cidade chorando por um táxi.

A Organização Meteorológica de Curitiba (OMC) poderia ter como patrono o lendário meteorologista curitibano Oswaldo Iwamoto. O homem-satélite. No século passado, o japonês era o oráculo do tempo no Paraná, quando todos os jornalistas batiam na porta do meteorologista: “Professor Iwamoto, teremos sol neste fim de semana?” As previsões meteorológicas do Iwamoto eram controvertidas. “Chuva do Iwamoto” é aquela chuva que pega o curitibano de surpresa, ilhado sob uma marquise, sem eira nem beira.

50 anos depois do Iwamoto, temos a “Chuva da Sanepar”: chove em toda a cidade, menos na nossa caixa d´água.

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