Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
  • Ícone FelizÍcone InspiradoÍcone SurpresoÍcone IndiferenteÍcone TristeÍcone Indignado
Primavera artificial
| Foto: Daniel Nardes/Gazeta do Povo

É sabido no mundo inteiro que Curitiba é uma cidade criada por vias administrativas, pelas mãos e pranchetas de arquitetos e engenheiros que passaram a se denominar urbanistas.

Um desses engenheiros se chamava Nicolau Klüppel. Quando chove canivete, se existe curitibano a merecer uma estátua no Parque Barigui é o Nicolau, festejado como “Nicolago” por ser o criador dos parques para regulagem das cheias em Curitiba.

– Nicolau – disse Jaime Lerner numa certa tarde de muito calor –, o maior defeito de Curitiba é a falta do mar. Água, Nicolau, precisamos de muita água!

Com isso, não se sabe se Lerner queria pegar uma onda no Rio Belém – pois nunca foi afeito aos esportes náuticos –, ou apenas se imaginar com os amigos reunidos em Ipanema.

Nicolau bateu com a palma da mão na mesa e prometeu ao jovem alcaide:

– Água? Deixa comigo!

Assim nasceu o Parque Barigui. Como também nasceu, graças a Nicolau Klüppel, o sistema de pequenas barragens que pudessem acumular os grandes volumes de água nos momentos de cheia, para depois soltá-los com um ritmo suportável pela rede de drenagem. E com isso se criaram os grandes parques da cidade. Graças ao dedo verde de Nicolau Klüppel, se Curitiba não tem mar, tem os parques com seus lagos. Não tem baías, tem áreas verdes. Não tem ilhas, tem praças.

Acompanhado do escritor Fábio Campana, Jaime Lerner foi recebido em audiência especial com o Todo Poderoso:

– Senhor – disse o nosso grande urbanista, depois de dissertar sobre a influência benfazeja do Parque Barigui no espírito reservado do curitibano –, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para fazer de Curitiba uma cidade bonita de se ver e viver. Só não conseguimos, por vias administrativas, criar nos laboratórios do Jardim Botânico uma primavera artificial.

– Como assim? O prefeito Rafael Greca ainda não tratou disso? Além de um aplicado prefeito, o Greca está se revelando um excelente cenógrafo – respondeu o Todo Poderoso ao urbanista.

– Senhor – retrucou Lerner –, Rafael Greca fez do Passeio Público um campo de ensaio de uma primavera artificial para os doze meses do ano.

O todo Poderoso abriu um sorriso com a menção ao Passeio Público.
– Tenho acompanhado diariamente o florir do Passeio. É um colírio para os meus olhos com tantas desgraças que tenho assistido mundo afora. Só estou sentindo falta dos velhos pedalinhos.

Jaime Lerner, sem disfarçar seu histórico numa boa mesa, ainda acrescentou:

– Sou também pela volta dos bolinhos de arroz da dona Isaura, a esposa e cozinheira do Pasquale.

O Messias gostou do assunto:

– No Passeio Público também está fazendo falta uma pequena Praça de Alimentação, no espaço onde existia o restaurante do Pasquale.

A Inteligência Artificial surgiu em 1956, na Universidade de Dartmouth, em New Hampshire (EUA). Desde então, a expressão se tornou tão popular e a disciplina adquiriu tantas aplicações que atualmente só falta inventarem quatros estações artificiais para regular o clima do planeta.

– Diga-nos, senhor Fábio Campana – perguntou o Messias – seria viável em Curitiba uma primavera artificial?

– Senhor, o curitibano não é de perder o bonde e sempre se orientou pelo relógio de sol da Farmácia Stellfeld, na Praça Tiradentes, mais pontual que os sinos da Catedral. Só não é mais consultado porque o sol pouco aparece por aquelas bandas. A primavera artificial não seria muito bem assimilada em Curitiba. Principalmente entre os poetas e contistas, Dalton Trevisan principalmente.

– Com isso você quer dizer, senhor Campana, que até artificialmente as estações do ano perderam credibilidade? Fábio Campana fez o sinal da cruz e respondeu:

– Senhor, em verdade vos digo: em Curitiba, a primavera, o verão, o outono e o inverno só foram levados a sério numa revista do colunista social Dino Almeida que se chamava Quatro Estações.

Fábio Campana fez o sinal da cruz e respondeu:

– Senhor, em verdade vos digo: em Curitiba, a primavera, o verão, o outono e o inverno só foram levados a sério numa revista do colunista social Dino Almeida que se chamava Quatro Estações.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]