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Frio
| Foto: Daniel Nardes/ Gazeta do Povo

Quando o frio nos faz doer os ossos, desde sempre gaúchos, catarinas e paranaenses se provocam com uma pergunta para esquentar o tempo no Brasil Meridional: “Qual a cidade mais fria do Brasil?”.

São muitas as controvérsias. Para responder a essa pergunta com a isenção de um termômetro, precisaríamos buscar o parecer abalizado de dois especialistas no assunto. Ernani Buchmann, autor do livro “Onde me doem os ossos”, que, como ex-presidente do Paraná Clube, já se meteu em algumas frias no futebol brasileiro e, na qualidade de presidente da Academia Paranaense de Letras, lida com a frieza da imortalidade. Outro especialista no assunto seria o juiz Sérgio Moro: com a frieza de um magistrado, tornou-se uma autoridade climática de tanto entrar em frias no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na adolescência da televisão brasileira, existia um programa de televisão pioneiro nos desafios entre cidades. O jornalista e radialista Jamur Júnior foi um dos primeiros apresentadores destas gincanas que colocavam frente a frente cidades paranaenses e gaúchas, para tirar a teima de qual delas seria a mais bem dotada e atrativa. Esses duelos eram um sucesso na televisão, pois reacendiam antigas diferenças que ainda hoje mexem com os brios sulistas.

Vacaria! – Se vangloriam os gaúchos. Lá nos confins, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Vacaria é nossa velha conhecida, desde os tempos em que os tropeiros dos Campos Gerais levavam o nosso mate para Viamão e na volta conduziam o gado para Sorocaba. Aqueles pagos eram conhecidos como “Baqueria de los Pinhales” (Vacaria dos Pinhais), assim dito em castelhano porque os missionários jesuítas deixavam o gado se criar solto, trazido das Missões.

Conforme proseiam na “Porteira do Rio Grande”, a maior nevada até hoje vista no Brasil aconteceu na “Baqueria de los Pinhales”, no ano da graça de 1879. Nos dias 7, 8 e 9 de agosto, a neve chegou a dois metros de altura, enterrando o gado que só ficou com os chifres de fora.

Xanxerê! – Apostam os catarinas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a menor temperatura já registrada no Brasil foi de -11,6°C, em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, a 500 km da capital. O termômetro chegou a este número por lá em 1945. Na serra catarinense não faltam retratos para provar as maiores nevascas do Brasil. A nevada de 1957, por exemplo, foi tão severa que deixou a Serra Catarinense isolada, sem ter um grão de feijão para comer com carne seca. O socorro veio de Curitiba, quando cinco aviões jogaram fardos de mantimentos sobre São Joaquim, Urupema e Urubici, o triângulo das neves de Santa Catarina.

General Carneiro! – Correm os paranaenses do extremo sul do Estado para inscrever General Carneiro ao título de cidade mais fria do Brasil. Quase embutida no mapa de Santa Catarina, General Carneiro tem como prova termômetros que já marcaram -7,1 º C, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Curitiba! – Do alto do Edifício Moreira Garcez um bravo vai proclamar que Curitiba é a capital mais fria do Brasil. É o que nos basta. Aqui o sol nasce pra todos, mas convém acordar cedo para pegar um lugar na fila. Mais ainda, é a única cidade do mundo onde os ouvintes ligam para as rádios reclamando quando anunciam que o tempo vai melhorar: “Ora, tá bom assim! Não precisa melhorar!” – protestam os adictos do leitE-quentE.

O curitibaníssimo Temístocles Linhares (1905-1993), professor e crítico literário, autor da “História crítica do romance brasileiro”, deixou para a posteridade o seu “Diário de um crítico”, onde declarou seu amor incondicional por Curitiba: “É preciso ser de aço para aguentar esses dias penumbrentos, esse clima sem verão, sem sol, sem calor, sem vida. Ah! Como dói viver em Curitiba!”

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