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Onde está sua ancestralidade?
| Foto: Canva

Escrevo essa coluna em meio a “Campagna” italiana, em um período para lá de especial: o Ferragosto. Trata-se de uma festividade italiana, desde o período pagano, cujo significado é Feriae Augusti (descanso de Augusto), e que foi instituída no século 18 A.C. pelo Imperador Augusto.

Na origem, a festividade provém do fim do período de plantio, e é dedicada a Conso, o deus da terra e da fertilidade. Este dia é considerado tão sagrado que nem os animais poderiam trabalhar na época de Roma antiga. E em meio a esse período ocorrem muitas festividades por aqui.

Cada “paese”(cidade) resgata seus costumes e homenageia o seu “patrono”. Em tais festividades são servidas comidas típicas, ocorrem procissões e danças locais. Estive, nestes dias, em meio a uma tradicional “piazzeta”, na qual havia um concurso de poesia dialetal.

O dialeto trata-se de uma língua específica de cada pequena localidade, muitas vezes não entendida para além de suas fronteiras. Logo, um ponto de referência e pertencimento à região.

Ainda por aqui fui assistir um show de jazz noturno, em região chamada de Giardino della Ninfa, localizada a cerca de 60 quilômetros de Roma. Por ali me deparei com espetáculo no qual uma artista, Silvia Lorenzo, pesquisou canções históricas de diversas épocas: italiana do século XVIII, francesa do século XVI, israelense serfadita do século XVII, e por aí vai.

Ela foi convidada por um conjunto de jazz, de Francesco Bruno, que por sua vez, desenvolveu arranjos de forma a acompanhá-la.

O líder e pensador indígena Ailton Krenak bem diz que o futuro é ancestral.

A ancestralidade, assim como o dialeto, é reconhecimento. A pesquisação histórica seguida de resgate e uma reinterpretação é ligar os pontos entre presente, futuro e passado. Ou seja, é significado.

No mundo contemporâneo, se faz necessária a criação de produtos no qual as pessoas se identifiquem, e para tanto, é necessário entendermos que nossa vivência real não é o tempo o qual vivemos hoje, mas sim, o tempo que trouxe a humanidade até o presente momento.

Esse é o futuro que acredito: o Futuro do Passado, no qual novas criações não são aleatórias, mas sim respeitam (e resgatam) uma história ancestral.

E você, já parou para pensar onde está a sua ancestralidade? E em como traduzi-la sem suas criações?

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