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Salone del Mobile
| Foto: Divulgação

Quando se aproxima o maior evento mundial de design, o Salone del Mobile.Milano, muitas memórias me vêm à mente. Acompanho o (e participo do) evento há mais de vinte anos.

Por lá passam mais de 600 mil visitantes anualmente, o que o faz o maior evento do métier de design do mundo. No decorrer desses 20 anos conheci in persona os maiores protagonistas da história do design: Vanni Pasca, Alessandro Mendini, Borek Sipek, Pininfarina, somente para citar alguns.

Diferentemente do que muitos (leigos) podem imaginar, o Salão de Milão é muito mais do que uma simples “feira” de móveis. Trata-se da maior plataforma de cross branding do mundo, no qual marcas que querem se associar ao tema design marcam presença. Empresas de todos os segmentos, diga-se: fashion, automotivo, bebidas, entre outros.

Por lá, o design é uma religião. Em Milão aprendi a respeitar o ofício como tal.

O design alla italiana vai muito além de um produto comercial. É uma plataforma política, sensorial, econômica. Existe uma grande responsabilidade por trás do tema design. Talvez seja a maior engrenagem da economia italiana.

A cidade se transforma e veste o design. Desde as vitrines de lojas, passando pela loja de doces, e ao complexo futurista projetado pelo italiano Massimiliano Fuksas, que hospeda o evento principal.

Ao contrário do que se pode imaginar, a Itália passou a ser uma referência no tema, a partir dos anos 1960, muito por conta do surgimento do Salone del Mobile, em 1961.

Compartilhar a história é revivê-la. De Vanni Pasca, um dos maiores conhecedores da história do design italiano, me recordo quando compartilhou a história da B&B, uma indústria que revolucionou o design italiano associando-o à alta tecnologia. Seu fundador, Piero Busnelli, ao visitar uma feira de fornecedores da cadeia automobilística, surpreendeu-se com o processo da Bayer de injeção de poliuretano, utilizada até então para a produção de assentos automotivos. Assinou por ali mesmo o fornecimento exclusivo da tecnologia para aplicação em seus móveis. Surgiu, assim, não apenas uma das mais importantes indústrias do design italiano, como também uma “receita” de pesquisa que viria a ser seguida por seus concorrentes e que transformaria a história do design para sempre.

Já de Mendini me recordo quando, em meio a minhas tantas perguntas, ele me rebateu contando sobre o movimento que liderou em meados dos anos 1970, chamado Radical Design, que pregava pelo papel mais crítico do design de forma a gerar mais perguntas do que propriamente encontrar respostas, e que pôs em xeque a fórmula consagrada “bauhausiana” da forma mais função, buscando a emoção.

E com Paolo Pininfarina descobri que o design pode até mesmo mudar um sobrenome. Seu avô, chamado Battista Farina, se tornou “Pinin” Farina, ou o pequeno Farina, por um decreto presidencial, após ter se tornado também um dos mais emblemáticos designers automotivos, produzindo clássicos para sua própria marca, mas também para Ferrari e Alfa Romeo.

Essas e muitas outras narrativas transformaram o Salone del Mobile no local que escreve a história do design de ontem, de hoje e de amanhã.

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