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A transformação digital vai além da tecnologia
A transformação digital vai além da tecnologia| Foto: Unsplash, NordWood Themes/Reprodução

Nunca se falou tanto sobre transformação digital. A temática não é nova e bem ocorre já há algumas décadas, mas ganhou força com a pandemia de Covid-19 que dominou o planeta nos últimos dois anos, especialmente em razão da digitalização do trabalho, comércio e até mesmo das relações pessoais, com encontros de família, confraternizações com os amigos e happy hours realizados por meio de plataformas como Zoom e Google Meet.

O assunto assusta porque comumente é tratado como sinônimo de automatização, gerando temor em muitos trabalhadores, que acreditam que serão substituídos por máquinas, robôs, como que num filme de ficção científica do século passado. É claro que a transformação digital envolve a aplicação de tecnologias, não há como negar – e isso vem desde a Revolução Industrial, em meados do século 18, quando maquinários foram desenvolvidos para facilitar o trabalho braçal. Ocorre que o fator humano é o principal “ingrediente” desse fenômeno, está no cerne dele.

A transformação digital não é a simples digitalização de sistemas e metodologias. Ela está muito mais ligada à transformação pessoal e profissional de cada um, da compreensão de que o próprio mercado se transforma, evolui, e que desse processo surgem oportunidades que demandam uma mudança de mentalidade e busca por qualificação.

A partir do momento que o empreendedor automatiza sua fábrica, quem é que estará na programação? Na manutenção? Na testagem? Essa renovação faz com que surjam outras funções que mostram ao profissional que ele precisa evoluir junto à tecnologia. Se não o fizer, será derrotado, vencido. E a empresa que não se transformar digitalmente está fadada ao fracasso.

O que é mandatório compreender é que a tecnologia deve ser aplicada em um negócio para atuar como uma ferramenta de facilitação dos processos e de inovação. Ressalte-se, ainda, que a inovação não está atrelada, necessariamente, à criação de novos produtos ou serviços, mas ao questionamento “como fazer o que eu já faço de maneira melhor e mais rápida?”.

Em minha trajetória, pude constatar que a transformação digital tem dois pilares principais: colaboração e gestão data-driven. Munida de informações sobre as pessoas que a compõem, a empresa poderá definir a melhor estratégia voltada ao aprimoramento de sua atuação. Muitas vezes, escanear documentos e transferi-los para o computador ou para a nuvem, para uma companhia que tem um fluxo grande de papéis, é transformação digital, por trazer facilidade e agilidade, ainda que possa parecer extremamente simples.

A colaboração também é essencial. Não adianta definir quaisquer planejamentos relacionados à transformação digital sem consultar os colaboradores e demais stakeholders. De nada vale implementar um software caro e complexo se ele não fizer sentido para o dia a dia dos profissionais da empresa. Será dinheiro jogado fora. Tomemos como exemplo um pequeno restaurante que deseja aderir a um grande app de delivery. As taxas de serviço e de motoboy se justificarão? Vai valer a pena? Em muitos casos, utilizar um aplicativo local, da própria cidade ou estado, como há em diversas localidades brasileiras, faz mais sentido.

Transformação digital não é só trazer tecnologia ao empreendimento, mas inseri-la no negócio de maneira assertiva, com foco no cliente e nos colaboradores. Além de tudo, temos que falar na fluência digital, que envolve capacitação. As pessoas da sua organização conhecem e entendem das ferramentas que estão sendo discutidas? Porque a tecnologia pode até mesmo ser uma trava de crescimento se aplicada de maneira incorreta! Para as pequenas e médias empresas (PMEs), que não têm tempo e dinheiro para errar, isso pode fulminar o negócio em última instância.

A tecnologia deve, portanto, fazer sentido, mostrar-se necessária, impactar positivamente. No fim das contas, são as pessoas que precisam ser colocadas no centro. Se a colaboração e a orientação a partir das informações coletadas em trocas com os profissionais e stakeholders não forem incorporadas à cultura da empresa, esqueça. Transformar-se digitalmente, afinal de contas, não pressupõe a construção de foguetes, mas aprimorar o que já se faz, com excelência.

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