O petróleo é deles
| Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná

Você provavelmente nunca ouviu falar em Otacílio Rainho, mas ele criou uma das frases que mais nos assombrou a política brasileira: “O petróleo é nosso!”. Getúlio Vargas colocou-a na boca do povo.

Desde fins dos anos 1940, a Campanha do Petróleo, em defesa do monopólio estatal na exploração da commodity, escapou dos gabinetes dos burocratas e invadiu as ruas para abastecer o tanque ideológico nacionalista, que unia militares de direita e agremiações de esquerda. O confronto público entre esse grupo e os defensores do capital estrangeiro para investimento interno moldou, nas décadas seguintes, o embate sobre intervencionismo.

O retorno de Vargas ao poder, no início dos anos 1950, ofereceu a ele palco para propor ao congresso a criação da Petrobras, na esteira de seu projeto nacional-desenvolvimentista. Na contramão do que preceituava a constituição de 1946, os parlamentares acataram o projeto varguista, vetaram o capital externo na exploração petrolífera, acaso somente derrubado bastante tempo depois, na década de 1990. Ainda assim, o governo jamais renunciou ao controle da empresa.

O fantasma varguista voltou a deambular por aqui quando da descoberta do Pré-sal. Vocês conhecem o filme. Lula veste casaca laranja, põe óculos de proteção, mete a mão no barril e a exibe para a imprensa deleitar-se com a promessa de que aquilo seria nosso passaporte para o primeiro mundo. Não foi, não é e não será.

Agora, após demitir Roberto Castello Branco, Bolsonaro voltou a dizer: "O petróleo não é nosso? Ou é de um pequeno grupo no Brasil?" A rigor, não há diferença entre a linha de raciocínio de Bolsonaro e a de qualquer membro do Sindipetro. Ou do Partido dos Trabalhadores. Ou da direita militar-nacionalista. E é desse grupo que vem o indicado para assumir o cargo. Joaquim Luna e Silva já disse que a empresa tem que servir ao país e “enxergar questões sociais”.


Nos anos 1940, a máxima “O petróleo é nosso” poderia significar e dedicar algum tipo de amor ao Brasil. Mas nós sabemos o que ela representa na boca dos populistas, dos sindicatos e das corporações: não mexam nos nossos cargos e privilégios; não ousem vender a empresa, abrir o mercado e oferecer alternativas à população.

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