Por que falar de empoderamento feminino?
| Foto: LinkedIn Sales Navigator/Unsplash

O que a sociedade almeja com o empoderamento feminino? Na visão coletiva, construída socialmente, as primeiras imagens que vêm à mente de homens e mulheres são movimentos feministas de igualdade a qualquer custo — uma igualdade primeiramente social e de gêneros. Mas o verdadeiro empoderamento é o processo de transformação e fortalecimento econômico à medida que se buscam resultados tangíveis para meninas e mulheres.

Esses resultados podem ser:

  1. Controle e acesso aos ganhos produtivos em proporção igualitária;
  2. Poder para tomada de decisão em todos os níveis;
  3. Aumento da participação na força inteligente de trabalho;
  4. Inserção em políticas e programas para avançar em áreas de tecnologia;
  5. Aumento de práticas de apoio para as empreendedoras (redes de mentoria e investimento).

Quando permitimos que mulheres que não tinham poder, voz e escolhas busquem mais capacidades, recursos e oportunidades para acessar mercados e representatividades (que as beneficiem para ganhos econômicos), estamos fortalecendo aspectos ainda pouco conhecidos. E quais são eles?

Segundo a Bill & Melinda Gates Foundation, aumentar o acesso a fontes de recursos e de oportunidades melhora a qualidade de vida e da saúde da família e da comunidade ao seu redor. Quando uma mulher tem poder de decisão, a violência diminui, a autonomia aumenta e os casamentos são mais tardios.

Ainda segundo os estudos da fundação, os maiores facilitadores para que o fortalecimento econômico aconteça, permitindo que a mulher passe a ter o domínio de sua própria vida, são a educação, o planejamento familiar, os direitos da mulher ao trabalho, a segurança nas cidades, a inclusão digital e social e o acesso a redes de cuidado aos filhos.

Como brasileiros, o que podemos fazer? Na minha visão, promover mecanismos de aceleração e promoção da participação das mulheres em cargos políticos de alto nível, criação de organizações e movimentos coletivos de empoderamento por meio de investimento em empreendedoras, mudança de regras sociais, parcerias público-privadas na promoção de empregos mais digitais, parcerias com organizações internacionais, campanhas de conscientização pública, movimentos de inclusão de mulheres em conselhos de empresas, redes de investimento em startups de fundadoras mulheres, capacitação guiada em áreas tecnológicas mais demandadas e desmistificação do “medo” das ciências exatas.

Felizmente, a ONU Mulheres tem divulgado programas que têm funcionado no mundo inteiro. Recentemente, no México, uma parceria entre os ministérios de Igualdade de Puebla e o programa social Sembrando Esperanza treinou 80 mulheres para administrar e manter uma estufa. O objetivo da iniciativa era o empoderamento econômico e a promoção de habilidades de liderança. O programa é voltado para mulheres que tiveram seus estudos interrompidos e que desejam iniciar um negócio ou ingressar no mercado de trabalho.

Na Ásia Central, antiga rota da seda que ligava a Ásia ao Mediterrâneo, foi criado um programa espacial incrível para meninas, com base socioeducativa e científica, que contribui para aumentar a conscientização sobre desigualdade de gênero e normas sociais prejudiciais que exigem mudanças sistêmicas. O programa espacial foi formado por uma equipe de meninas talentosas na montagem do primeiro nanosatélite do país.

Ali se ensinam mulheres jovens e meninas cursos sobre soldagem, modelagem 3D, impressão 3D e programação para promover a educação STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

A missão é unir estas mulheres a todos e mostrar que a presença de mulheres traz visões fundamentais no desenvolvimento de um produto inclusivo e orientado a aspectos mais humanos.

Há inúmeros relatos de programas bem sucedidos, a exemplo de uma empresa em Israel que tornou-se a primeira empresa no país a publicar voluntariamente um Relatório de Responsabilidade Social e Ambiental, em que reflete o seu compromisso com a igualdade de gênero.

Temos que acreditar que é possível sair das marcas negativas de anos de história de desigualdade por meio da ciência, tecnologia, inovação e design. Entender que personificação feminina pode ser expandida da arte, das humanas e da comunicação (campos tradicionais) para unificar-se ao design, ciência e engenharia (campos de inovação expandidos e expansíveis). É necessário unir cultura e sociedade por meio da inovação que beneficie a todos, igualitariamente. O empodera-se é empodera-Té!

Por que empodera-TÉ?

Esta coluna vem inspirada na analogia de que podemos realizar mais com igualdade e comunidade, em uma tarde gostosa daquelas em que podemos tomar um chá (thé, em francês) descontraídos, mas em uma eterna zona de desconforto inconsciente se posso ou não comer um brigadeiro na segunda-feira. Sentindo-se desconfortável? Bom sinal, sinal de que você está descortinando a insustentável leveza do ser, na sua dualidade eterna.

À la Milan Kundera, “não era obcecado pelas mulheres, era obcecado pelo que em cada uma delas há de inimaginável, em outras palavras, era obcecado por esse milionésimo de dessemelhança que distingue uma mulher das outras” . Permaneçam indecifráveis e únicas, isso as tornará empoderadas.

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