i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Fernando Jasper

Foto de perfil de Fernando Jasper
Ver perfil

O que você prefere: combustível mais barato, saúde ou educação?

  • PorFernando Jasper
  • 17/07/2018 08:07
Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo| Foto:

Se você decide fazer de carro um trajeto que antes vencia a pé, gastará mais com gasolina. Ou diesel. Das três, uma:

1) você tomou essa decisão porque conseguiu uma promoção no trabalho ou outra renda nova que criou uma folga no orçamento; ou

2) você fez a troca apesar de sua renda continuar a mesma; ou

3) sua renda diminuiu e mesmo assim você achou por bem usar mais o carro.

Nos casos 2 e 3, você terá três alternativas para bancar a gasolina:

a) gastar menos com outra coisa (almoço, celular, balada, tevê a cabo, dentista, consulta médica, mensalidade escolar…); ou

b) manter todos os demais gastos e pegar dinheiro emprestado. Se for no cheque especial, modalidade mais usada pelos brasileiros, uma dívida de R$ 500 vai se transformar em R$ 1.015 em seis meses e R$ 2.059 em um ano; ou

c) fazer um pouco de a e um pouco de b.

A lógica do orçamento público é parecida. Aproveitando o exemplo, o governo brasileiro é um sujeito cuja renda diminuiu (a receita líquida, que era de 18,7% do PIB em 2013, terminou 2017 em 17,6% do PIB) mas mesmo assim está gastando mais (a despesa primária subiu de 17,3% para 19,5% do PIB no mesmo intervalo). E abusando do cheque especial (a dívida do governo federal saltou de 51,5% para 74% do PIB entre 2013 e 2017, chegando a 77% em maio de 2018).

Para ser justo, o governo até que reduziu alguns gastos nos últimos anos.

Não os maiores, obrigatórios, como Previdência (que foi de 6,7% do PIB em 2013 para 8,5% quatro anos depois) e funcionalismo (de 3,8% para 4,3% do PIB). São despesas que, sem mudança na lei, só podem ser contidas se o governo deixar de reajustar aposentadorias e salários.

A tesoura passou foi nos gastos discricionários, não obrigatórios, que já não eram grande coisa. Os investimentos em obras públicas encolheram (o PAC recuou de 0,8% para 0,5% do PIB) e os desembolsos dos ministérios da Saúde, Educação e Assistência Social ficaram estagnados (em 2,5% do PIB, na soma dos três). Quem depende de infraestrutura e serviços públicos essenciais sabe a falta que esse dinheiro está fazendo.

Se a verba é pouca e disputada, é de se perguntar por que o governo continua abrindo mão, todos os anos, do equivalente a 4% do PIB na forma de renúncias fiscais. São impostos que ele deixa de cobrar para beneficiar determinados contribuintes.

Com esse dinheiro, seria possível – por exemplo – triplicar o orçamento federal de Saúde e Educação. Mas, como vimos após a greve dos caminhoneiros, nossos representantes acham melhor subsidiar refrigerantes e combustíveis fósseis (depois, a fatura vai para a saúde pública, que você sabe como está).

O subsídio aos derivados do petróleo não é coisa nova. Um estudo recém-publicado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) estima que, de 2013 a 2017, o governo destinou R$ 342 bilhões – na soma do que gastou com o que deixou de arrecadar – para produtores de petróleo, gás natural e carvão mineral e consumidores de gasolina, diesel e gás de cozinha.

Por que combustíveis fósseis merecem tratamento especial? Qualquer que seja a resposta, o impacto (bom ou ruim) dessas desonerações é desconhecido, pois no Brasil esse tipo de programa não costuma ter meta nem avaliação de resultados.

Na média, o incentivo aos fósseis soma pouco mais de R$ 68 bilhões por ano, pelos cálculos de Alessandra Cardoso e Nathalie Beghin, as autoras do estudo. Para manter o paralelo feito há pouco, é dinheiro suficiente para meio ano de despesas federais em Saúde e Educação. Ou dois anos de Bolsa Família. Curioso, aliás, que tanta gente questione a transferência de renda aos mais pobres mas não se incomode em inteirar o diesel de SUVs de luxo ou ajudar proprietários de minas de carvão.

É tudo questão de escolha. O dinheiro público, o nosso dinheiro, é finito. Se decidimos ajudar uns, temos de prejudicar outros.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.