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Fernando Schüler

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Um espaço dedicado para debater o complexo cenário nacional atual

O país precisa de senso de urgência

  • Fernando SchülerPor Fernando Schüler
  • 15/10/2020 00:01
Imagem do presidente Jair Bolsonaro abraçando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, flagrada pela CNN Brasil, no sábado (3)
Jair Bolsonaro abraça o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, antes de encontro na casa do magistrado, em 3 de outubro.| Foto:

Duas narrativas pautaram o debate brasileiro nesta era Bolsonaro. As duas vêm murchando como um balão furado, nos últimos tempos. Uma delas, governista, conhecida de todos, sempre apostou na versão de Bolsonaro como um Capitão Nascimento capaz de purificar o sistema e destruir o “mecanismo”, como certa vez me explicou um sujeito bastante animado em um desses eventos empresariais.

A narrativa perdeu sua última camada de verniz por estas semanas. Bolsonaro se afasta dos radicais, consolida a base com o Centrão, assiste a jogo com o ministro Dias Toffoli, faz as pazes pela enésima vez com Rodrigo Maia, ganha afagos de Renan Calheiros e é cortejado pelos partidos tradicionais para uma eventual filiação.

A nossa líder fascista de história de quadrinhos, Sara Winter, jogou a toalha. Salpicaram ativistas na internet dizendo “chega”. Muitos deles foram banidos da internet (de mentirinha, claro) por defender o tal “cabo e soldado” que iria fechar a suprema corte.

Bolsonaro foi se revelando, com o tempo, o que sempre foi. Um político muito mais tradicional do que a boa parte da crônica sempre fez crer

A segunda narrativa apostou suas fichas na tese do abismo. A ideia saborosa de que havíamos nos tornado uma República de Weimar nos anos 30, que havia em curso uma conspiração fascista “subterrânea” para terminar de vez com nossa democracia.

No fim, a coisa esfriou. Leio na Folha que “Bolsonaro abriu mão da postura de embate para viabilizar o governo”. Bingo. Viabilizar o governo é isso. Negociar, ceder, fazer acordos. Politics as usual. A democracia e sua capacidade de moderar e fazer exatamente o que diz a Folha: induzir a turma a abrir mão, lá pelas tantas, de sua “postura de embate”.

Bolsonaro foi se revelando, com o tempo, o que sempre foi. Um político muito mais tradicional do que a boa parte da crônica sempre fez crer. Seu líder na Câmara é Ricardo Barros, um Vermeer da velha política brasileira. Seu ministro mais barulhento despacha de Washington e o país toca a vida em uma animada campanha eleitoral.

Cereja do bolo, nosso “Hugo Chávez brasileiro”, como li de um ilustre e sempre citado cientista político americano, indica um juiz garantista (seja lá o que for isso), saudado pela OAB e pelo mundo jurídico “do bem” para o STF.

Alguma dessas coisas me surpreende? Nem um pouco. Como muitas vezes escrevi aqui, raspando um pouco a tinta, nosso outsider sempre foi mais insider do que quisemos acreditar. E nossa democracia, mais capaz de produzir os devidos enquadramentos. No mais, eis aí Bolsonaro, um político errático (ou “pragmático”, se alguém preferir), sem um projeto para o país, baixa convicção em política econômica e cuja “agenda conservadora” nunca passou de um punhado de frases de efeito.

As narrativas extremas erraram ao julgar o Brasil pela epiderme da política. Pela lógica das guerras digitais à qual pertencem e ajudam a alimentar. Elas são o feijão com arroz de nossas democracias polarizadas. Vão continuar por aí, ofendendo e espalhando ódio, apenas com menos sex appeal. Seu problema sempre foi o mesmo: elas distraem o país das questões que realmente importam. Entulham o debate público de toxina ideológica. Seu resultado é a paralisia. O diálogo de surdos da democracia atual. E mais objetivamente, no Brasil de hoje, a perda de foco sobre a pauta de reformas que o país precisa enfrentar.

As narrativas extremas erraram ao julgar o Brasil pela epiderme da política

A pergunta a ser feita é a seguinte: o país retomará alguma objetividade agora que o fim do mundo não veio e há um momento de relativa distensão. Rodrigo Maia garante que o Congresso mantém o ímpeto reformista, mas a verdade é que temos hoje menos consenso em torno da reforma tributária do que imaginávamos ter no início do ano. A reforma administrativa avançou muito pouco e nem sequer descobrimos um jeito de financiar um óbvio programa de transferência de renda sem quebrar a regra do teto.

Se o país decidisse por um momento sair do modo procrastinador, deveria exigir que o Congresso cumpra o aceno feito esta semana de que irá cancelar o recesso de verão e trabalhar nas reformas. No fundo, é disto que o país precisa. Menos conversa fiada e uma dose cavalar de senso de urgência.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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Comentários [ 13 ]

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    Gustavo Gabaldo

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    Exato!!!!

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    Mauricio Conde

    ± 18 dias

    Bom artigo. Graças ao Flávio Bolsonaro e sua fantástica fábrica de chocolates, o sistema colocou o presidente Bolsonaro no bolso. Muitos não querem ver, mas é o "óbvio ululante" como diria Nelson Rodrigues.

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    André

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    André

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    Arno Winter

    ± 18 dias

    Lamentavel este artigo! O articulista,, membro do INSPER, deveria usar seus espaços, apontando soluções dentro de outra área, pois que na política parece ser neófito, embora sua experiencia administrativa no governo Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul. Por aí se vê sua tendência Fernando Cardosista, manifestada no seu texto insípido .

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    Eduardo

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    Artigo shulo.

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  • L

    LSB

    ± 18 dias

    “Senso de urgência” é urgente desde que me conheço por gente há algumas décadas atrás.. no mais, é fato q nossa “democracia” enquadra e limita, bem como também é fato q a discussão política é rasa, superficial, pobre e deveras improdutiva; no entanto engana-se quem acreditar q o “rumo” p/ o Brasil está em tão somente “azeitar” a tecnocracia q a “coisa vai”... pelo contrário, nossas amarras e limitações estão fortemente cimentadas nas escolhas políticas (macro) q fizemos/fazemos: sistema eleitoral, centralização/descentralização, CF, etc - e tais escolhas representam, bem ou mal, “vertentes” ou linhas políticas.. o Brasil terá q discutir tais escolhas, a “polarização” tem q se “aprofundar”...

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    1 Respostas
    • L

      LSB

      ± 18 dias

      ... enfim, para concluir: o Brasil terá sim q discutir e “repassar” essas escolhas mais, digamos, “macro”... sem isso, ficaremos eternamente derrapando e girando em falso no mesmo ponto.

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    Admar Luiz

    ± 18 dias

    O nobre articulista aí não esconde seu viés, né não delinquente? E o presidente pode tudo? Exigir, como vc diz? Falta combinar com os Maias, os Alcalumbres da vida, né "economista"? E as milhares de ações do governo pelo Brasil afora vc não diz nada? O Min, Tarcisio não anda fazendo, terminado obras, muitas vezes paradas a mais de 40 anos? Sai do modo procrastinador? Como se o "Bozo" numa caneta resolvesse tudo. É muita delinquência intelectual desse articulista, hein? Pergunto de novo: E o Congresso que não faz nada é culpa do "Bozo"?

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    Gerson Santos

    ± 18 dias

    FALOU O pior secretário do péssimo governo do PSDB no estado do Rio Grande do Sul ; baita canhoto e suas desditas;

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    PARREIRAS RODRIGUES

    ± 18 dias

    Mas o que me deixa estupefacto não é a (des) administração insana de um incompetente. Surpreendo-me sim, a relutância de uma maioria que insiste em incensá-lo. Eca!

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    Marcello

    ± 18 dias

    Perfeito Fernando!!! Ótima análise!! Nunca acreditei nessa farsa que é o presidente. Como deputado sempre teve desempenho pífio e irrelevante. A direita brasileira tentam fazer dele algo que nunca foi, um líder... Muito menos um chefe de estado...

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