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Fernando Schüler

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O falso dilema

  • Por Fernando Schüler
  • 27/08/2020 00:01
Bolsonaron ova proposta para o Renda Brasil
O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante reunião com o presidente Jair Bolsonaro.| Foto: Isac Nobrega/Presidência da República

Concordo integralmente com os que consideram “absurda” qualquer comparação entre as histórias de vida e visões políticas de Dilma Rousseff e Bolsonaro. Dilma foi torturada no regime militar, Bolsonaro elogiou o torturador. Dilma simpatiza com Maduro, Bolsonaro com Alfredo Stroessner. São coisas muito diferentes. O debate econômico é de outra natureza e serve como um alerta a Bolsonaro: caso ele ceda à tentação populista do gasto irresponsável e quebra da regra do teto, poderá levar o país a uma crise parecida com a que vivemos no governo Dilma.

O alerta deveria ser levado a sério por quem decide alguma coisa, à direita e à esquerda, em Brasília. À época do desastre, é bom nunca esquecer, a taxa Selic foi a 14,25%, a inflação passou de dois dígitos e o PIB caiu (2015/2016) mais de 7%. Enquanto boa parte dos “Faria Limers” ganhavam uma grana legal sem quase nenhum risco (já ouviram falar dos “rentistas”?), a taxa de desemprego duplicou e 4,5 milhões de cidadãos “invisíveis” cruzaram para baixo a linha de miséria, segundo o IBGE.

Uma economia bem arrumada é um bem que interessa especialmente aos mais pobres

A brigalhada política pode correr solta, mas a verdade é que o alerta serve pra qualquer presidente que vier daqui para a frente. O recado é o seguinte: uma economia estável, juros baixos, inflação sob controle e contas em dia são um tipo de bem público. Preservar essas coisas deveria ser a primeira preocupação do governo e do Congresso.

Uma economia bem arrumada é um bem que interessa especialmente aos mais pobres. Quem vive do trabalho não tem o “mercado” para se proteger e precisa de crédito, no dia a dia, para tocar a vida. E isso só se faz superando o eterno falso dilema brasileiro entre realismo fiscal e políticas sociais.

É este o nosso atual dilema. Qual é a saída fiscal responsável para migrar do auxílio emergencial a um programa sustentável de transferência de renda?

O auxílio emergencial criou uma situação inédita no país. Conseguimos reduzir a pobreza extrema, em meio à pandemia e a uma queda histórica do PIB. Estudo do economista Daniel Duque, da FGV, mostrou que o benefício não só impediu a queda de renda dos 40% mais pobres, mas fez com que ela aumentasse.

A crise explicitou nosso drama social. Em 25 estados, há mais pessoas recebendo o benefício do que trabalhadores formais. No Nordeste, há 21 milhões de beneficiários contra pouco mais de 6 milhões de carteiras assinadas. O dado que mais me chamou a atenção vem dos economistas Ecio Costa e Marcelo Freire, de Pernambuco. Nas suas projeções, o auxílio terá um impacto de 2,5% no PIB brasileiro. Com um forte efeito distributivo. Enquanto em São Paulo o efeito será de 1,4%, no Maranhão será de 8,5%.

É óbvio que Bolsonaro está com um olho na reeleição. Mas quem defenderia que a decisão correta, para o país, é simplesmente desarmar este programa todo e voltar aos parâmetros tradicionais do Bolsa Família?

Qual é a saída fiscal responsável para migrar do auxílio emergencial a um programa sustentável de transferência de renda?

O governo fala em R$ 300 para cerca de 20 milhões de beneficiários. Só não diz de onde sairá o recurso. Aumentar impostos ou cortar as deduções da classe média no Imposto de Renda não resolve o problema. É preciso cortar despesa em caráter permanente de modo a preservar a regra do teto. Isso significa fazer reformas. E não passa de conversa fiada dizer que isso será fruto de “escolhas da sociedade”. Não será. São escolhas duras que devem ser feitas por quem lidera o país.

Pode-se aglutinar programas já existentes, como o abono salarial, aprovar o projeto dizendo que ninguém ganha acima do teto salarial. Pode-se fazer uma reforma administrativa que valha já para os atuais servidores, como fez o governador Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul. O cardápio é amplo.

A confirmação do veto presidencial aos reajustes salariais, decidido pela Câmara, semana passada, serviu como uma luz no fim do túnel. É preciso ir muito mais adiante. Este é o exato momento em que o país precisa produzir um ajuste em seu contrato social. A questão é saber se nossa liderança política estará à altura do desafio.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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Comentários [ 14 ]

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  • M

    Marco Polo

    ± 1 horas

    O articulista é novo, formado na Pátria Educadora, sob a tutela de Paulo Freire e as sugestões gramscianas, faz o que pode, dá o que tem. Fazer o quê?

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    Magaly FragaMoreira

    ± 4 horas

    Não se esqueça que Dilma era terrorista e alinhada até o fim com Cuba e Venezuela. E os nossos políticos nem pensam em cortar na própria carne. E o STF se mete em tudo o tempo todo.

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    João Martins Donizete

    ± 7 horas

    Fernando: pelo que deduzo você não é economista e nem eu. Entretanto, ambos sabemos e creio a maioria das pessoas também que de boas intenções o inferno está cheio. O difícil de entender como, em regra, os políticos, principalmente essa praga de progressistas, gostam deste faz-de-conta. Ou seja a má fé é evidente. Espero que o atual governo na navegue nessas águas. Já que os esquerdistas além da má fé adoram possarem de "consertadores" do mundo e o negócio deles é: o meu Estado totalitário para nós e todos iguais para os outros. Uns mais iguais que outros ungidos por aqueles. E tome Estado com intromissão em tudo. A censura e a economia engessada é uma pequena amostra disso.

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    José Elias Midlej Ribeiro

    ± 7 horas

    Tenho certeza que quando o articulista começa a escrever seu artigo tem em mente que centenas de pessoas vão ler. Considero extremamente parcial a comparação entre Dilma e Bolsonaro. Bolsonaro prática uma política externa alinhada com EUA e Dilma com Cuba. Quase dois anos sem corrupção no governo Bolsonaro e com Dilma quase todo mês. Menor taxa Selic da história, record no agronegócio, reforma da Previdência, investimentos em infraestrutura, e muito mais. Uma análise deve desconsiderar o que o povo vê e acredita e não o que o articulista vê e acredita na sua bolha.

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    Nelson Souza Sarinho

    ± 9 horas

    Probo Jornalista, o Capitão não elogiou um torturador, elogiou um "suspeito", que é como a Imprensa se refere à criminosos. Já a única evidência que se tem da Dilma ter sido torturada é a palavra dela própria e palavra da Dilma para mim não vale nada; só acredito se alguém apresentar uma testemunha ocular da tortura. Até porque, a turma da ditadura era profissional e acredito que dificilmente deixariam um torturado vivo pra contar a história.

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    DANIEL MENDES DA SILVA CANDIDO

    ± 10 horas

    Decisão sensata: enxugar gastos. Esse é o caminho. Já falei tantas vezes sobre isso aqui que acho que o algoritmo da Gazeta poderá me bloquear "julgando" que meus comentários sejam spam.

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    Osvaldo

    ± 11 horas

    Sim precisamos avançar nas reformas e ensinar os pobres a pescar ...dar o peixe não tem graça !!

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  • L

    Luca

    ± 11 horas

    Excelente artigo, o país precisa de reformas urgente, não pode ser que um país arrecade 2 trilhões em impostos e gaste 1,9 trilhões com salário de servidores, tem algo muito errado

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  • J

    João Teixeira Pires

    ± 11 horas

    Difícil mesmo a arte de governar! Saída fiscal responsável X Programa Transferência de Renda; Combate à COVID-19 X Combate à recessão da economia. Ainda que sejam "falsos dilemas", são de difícil equacionamento. E, para qualquer tentativa de solução que se implemente, não falta jamais um exército de críticos de todos os lados para apontar o dedo nos potenciais erros. Não faltam também os "engenheiros de obra pronta", que apontam os erros depois que eles acontecem, com explicações fantásticas em shows de tecnologia da informação. Menos "mãos no teclado" e mais mãos à obra!

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    SILVIO MACIEL ROCHA

    ± 12 horas

    Dilma foi terrorista, Bolsonaro foi soldado.

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    1 Respostas
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      Sartan

      ± 11 horas

      Soldado que foi processado por terrorismo , mas fale do PT e tudo será perdoado

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    Admar Luiz

    ± 12 horas

    É, põe sua vovozinha lá que tudo estará resolvido, prezado isentão. Como o leitor aí em baixo diz, o teu negócio é a China. Ah sim, comparar a "revolucionária Dilmona", a ensacadora de vento com o "Bozo", é "pracacabar", hein? Dilma queria uma ditadura ao estilo cubano, Bolsonaro era piá à época, não sabia de nada. Que eu saiba ele defende sempre é nosso glorioso exercito e os seus valores: patriotismo, ordem, trabalho, mérito,né delinquente?

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    Adriel Farias

    ± 12 horas

    Enquanto houver reeleição para presidente (tanto para candidatados como para partidos) o país não se livrará de populistas.

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  • C

    CARLOS FELIX

    ± 13 horas

    Esse é outro que insiste em ser profeta das soluções. Subalterno da senzala Saad Band China e Cultura Lide Doria. Medíocre lambe asas de tucanos.

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