i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Filipe Figueiredo

Foto de perfil de Filipe Figueiredo
Ver perfil

Explicações para os principais acontecimentos da política internacional

Geopolítica

No quê ficar de olho na política internacional em 2020 – Parte 2

  • Filipe FigueiredoPor Filipe Figueiredo
  • 01/01/2020 17:39
mohammed bin salman
Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, e Vladimir Putin, presidente da Rússia em encontro do G-20 em 2019| Foto: AFP

Aqui nesta coluna na Gazeta do Povo buscamos expor e discutir a política internacional. Mostrar sua importância, como ela pode afetar a vida dos leitores, ir além da superfície e do senso-comum, apontar caminhos e as origens de questões de nossos tempos. Nesse sentido, não basta ser reativo, falar das últimas semanas.

É importante ter em mente que alguns problemas são perenes, históricos e também que problemas podem surgir ou se agravarem à partir de fatos previstos. Na coluna anterior, nesta e nas próximas colunas vamos passar por catorze tópicos, de diferentes importâncias, para ficarmos de olho no ano de 2020. Nesta segunda parte o foco será no Oriente Médio.

O mundo pós-soviético no Oriente Médio

Alguns temas são frequentes aqui nesse espaço. Dois deles são o mundo pós-soviético e o Cáucaso. No primeiro caso, trata-se do conjunto de pendências fronteiriças e demográficas herdadas da dissolução da União Soviética. Atualmente o Cáucaso possui dois exemplos bastante concretos dessas pendências, as questões da Ossétia do Sul e da Abkházia. Ambos os territórios são posse georgiana, porém declararam autonomia sob “proteção” russa; na prática, territórios que hoje fazem parte da Federação Russa.

Outros territórios da região do Cáucaso que foram centrais em crises internacionais são a Chechênia e o Daguestão, regiões russas com maioria muçulmana da população. Muitos guerrilheiros dessas regiões foram lutar na Síria, contra as forças russas, ao lado de grupos extremistas, incluindo o Daesh (autointitulado Estado Islâmico). As guerras na Chechênia podem parecer uma memória distante para os brasileiros, mas passam longe de estarem resolvidas. Recentemente, Rússia e Alemanha tiveram uma crise diplomática por esse motivo.

Um “suposto agente” checheno foi morto em Berlim com “suposto envolvimento” de “diplomatas” russos que seriam agentes de inteligência infiltrados; sim, roteiro de filme de espionagem. A Alemanha expulsou diplomatas russos, que retaliou. Em suma, todas essas regiões citadas são potenciais focos de crises à qualquer momento, que podem escalar até um conflito aberto. E são regiões importantíssimas pelas riquezas naturais e, principalmente, pelo fato de serem rotas de oleodutos e gasodutos.

Esses dutos ligam o Cáucaso e o Mar Cáspio ao resto do mundo; a Chechênia é uma encruzilhada de dutos, cujo comprometimento poderia afetar parte da economia russa. Outra questão no Cáucaso é o conflito congelado entre Armênia e Azerbaijão, em disputa pela região de Nagorno-Karabakh, cuja maior parte compreende a região autônoma de Artsakh. O Azerbaijão é apoiado pela Turquia, a Armênia pela Rússia, e escaramuças em 2019 custaram ao menos trinta vidas.

O processo de paz na Líbia e riquezas no Mediterrâneo

Na África, a Líbia continua esfacelada, sem um governo constituído e em guerra civil desde a intervenção ocidental em 2011 que derrubou Muammar Khaddafi. O ano de 2020 verá mais tentativas de um acordo entre as diversas facções envolvidas, agora com um fato novo que certamente afetará o equilíbrio de poder na Líbia. Hoje são dois grupos principais. Primeiro, a facção baseada em Tobruk, apoiada pelos países árabes e africanos, cuja ala militar é liderada pelo general Khalifa Haftar.

Do outro lado, o Governo de Acordo Nacional, em Benghazi, fruto da primeira tentativa de conversas entre as facções, liderado por Fayez Sarraj, apoiado pela Europa e pelos EUA, que absorveu o Conselho da Revolução, baseado em Trípoli e apoiado por Qatar, Turquia e pela Irmandade Muçulmana. O fato novo é que a Turquia decidiu enviar tropas para a Líbia, apoiando diretamente seus aliados e entrando, mais uma vez, em rota de conflito com seus vizinhos árabes, especialmente o Egito.

Além de apoiarem facções diferentes na Líbia, o Egito é próximo dos palestinos seculares do Fatah, enquanto a Turquia apoia o Hamas, ligado à Irmandade Muçulmana, o maior inimigo dos militares egípcios. A aposta turca na Líbia alimenta o conflito e dificulta uma paz mais rápida; na perspectiva de Istambul, garante maior influência no Mediterrâneo, uma região onde a Turquia já possui interesses e presença militar. A ilha do Chipre é dividida entre um lado pró-Turquia e outro pró-Grécia.

Turcos e gregos, além de rivalidades históricas, também estão tentando negociar suas fronteiras marítimas; “tentando negociar” é uma forma gentil de dizer que estão em discordância. E, ano após ano, novas reservas de petróleo e de gás natural são descobertas nas águas da região. Uma política externa turca cada vez mais agressiva não mira apenas nas terras médio-orientais, mas também nas águas e na ampliação de redes de influência.

A Guerra Fria no Oriente Médio

Irã e Arábia Saudita continuam seu conflito por ampliação de influência. Essa Guerra Fria regional entre as duas potências foi extensivamente abordada aqui nesse espaço, numa série de textos chamada "Quem é quem na guerra fria do Oriente Médio?”. Além da recomendação da leitura, é importante frisar que o Iraque está cada vez mais próximo de uma guerra civil deflagrada, e recentes ataques aéreos dos EUA contra alvos dentro do Iraque tornaram-se mais um ingrediente nesse caldeirão.

G-20, economia e petróleo

Diversos países do Oriente Médio têm enfrentado protestos nos últimos meses, causados especialmente pela estagnação econômica. É o caso do Egito, por exemplo. A principal fonte de divisas desses países é o petróleo; o óleo, por sua vez, tem caído de preço. Os países árabes, então, ficam com recursos minguados para tentar incentivar sua economia. A conta não fecha, especialmente em tempos de incentivos para economia verde, energia renovável e um crescente papel dos bancos centrais nesse campo.

Uma fórmula antiga que pode voltar ao cenário é a do “choque do petróleo”; em sua última reunião, a OPEP já decidiu por diminuir ainda mais a produção, para forçar um aumento dos preços. Uma solução momentânea e que não pode ser descartada no horizonte econômico de 2020. Outra opção é o desenvolvimento das economias locais além do petróleo, com incentivos para inovação tecnológica e adequação para cadeias globais de produção. Esse será um dos motes da cúpula do G-20 que será realizada em Riade.

Essa é a abordagem saudita, um país com baixa densidade populacional, uma população jovem e vastas reservas financeiras, que vão sustentar um fundo de desenvolvimento para a chamada Visão Saudita 2030. Nem todos os países possuem essas características, entretanto, e podem se dar ao luxo de esperar uma transição. Como a economia do Oriente Médio vai se comportar em 2020 pode afetar toda a economia global, além do risco de instabilidade local.

Conteúdo editado por:Isabella Mayer de Moura
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.