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Filipe Figueiredo

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Explicações para os principais acontecimentos da política internacional

O reconhecimento cada vez menor de Taiwan

  • Filipe FigueiredoPor Filipe Figueiredo
  • 10/01/2020 16:39
Apoiadores da presidente de Taiwan Tsai Ing-wen em marcha em Taipé, 10 de janeiro de 2020, um dia antes das eleições para presidente e parlamento
Apoiadores da presidente de Taiwan Tsai Ing-wen em marcha em Taipé, 10 de janeiro de 2020, um dia antes das eleições para presidente e parlamento| Foto: Sam Yeh / AFP

Taiwan realizará eleições presidenciais em um dos seus momentos mais cruciais da História. Próximo sábado, dia 11 de janeiro, a ilha vai eleger tanto os ocupantes das 113 cadeiras do equivalente local ao legislativo quanto a presidência do país, com Tsai Ing-wen buscando a reeleição; ela é talvez a política mais pró-independência da ilha dos últimos anos, um tema central na discussão política local.

Oficialmente, Taiwan é a República da China. Para a República Popular da China, a China continental, Taiwan é uma província rebelde desde o fim da guerra civil, em 1949. Na ocasião, dois governos chineses declararam-se como os únicos legítimos. Um de caráter socialista, em Pequim, liderado por Mao Zedong, e outro de caráter nacionalista e conservador, em Taiwan, liderado pelo Kuomintang (KMT) de Chiang Kai-shek.

Hoje soa estranho a constatação de que o Kuomintang e o Partido Comunista Chinês possuem a mesma origem, mas os dois movimentos, o socialista e o nacionalista, são herdeiros dos movimentos republicanos e modernizadores da virada do século XIX para o XX. Denunciavam o regime Qing como antiquado, despreparado e consequentemente humilhado pelas potências ocidentais e pelo Japão.

A origem em comum fica notável no simbolismo e no respeito ao "Pai da Nação" chinesa moderna, Sun Yat-sen. Admirado na ilha e no continente, ele foi a principal figura desse início comum. A queda do regime imperial foi sucedida por instabilidade, conflitos internos, a guerra civil, o fronte unificado contra o Japão, a Segunda Guerra Mundial e, finalmente, a vitória socialista em 1949.

O Kuomintang se refugiou na ilha de Taiwan e proclamou sua república. Desde então, os países que reconhecem Taiwan como a única e legítima China minguam ano após ano. Em 1949, apenas dez países reconheceram a China socialista; todos eles socialistas, nos momentos iniciais da Guerra Fria. Taiwan era amplamente reconhecida e detinha o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, como potência vencedora da guerra.

Uma Só China

Ambas as repúblicas chinesas oficialmente adotam a política de Uma Só China. Um país deve escolher com qual das duas terá relações diplomáticas completas. Reconhecer uma implica em romper com a outra. Em 1971, o número de países que reconheciam a China socialista já era 53, versus 68 com Taiwan. Mais que isso, foi o ano em que o governo dos EUA "trocou" de representação, reconhecendo a China socialista.

Com isso, uma insólita parceria entre EUA e a Albânia socialista em plena Guerra Fria, na moção que substituiu Taiwan pela China continental na representação da ONU, incluindo o Conselho de Segurança. Ao fim da Guerra Fria, 139 países tinham relações com a China socialista e apenas 28 mantinham o reconhecimento de Taiwan. Como curiosidade, o Brasil fez a troca em 1974.

Hoje são apenas quinze Estados que reconhecem Taiwan. Eswatini na África, quatro países insulares do Pacífico, a Santa Sé e nove países americanos.  O desenho ainda segue uma lógica quase da Guerra Fria, com o anticomunismo motivando as relações dos países americanos e da Santa Sé. O de maior peso econômico é o Paraguai, que mantém profundos laços comerciais com a ilha.

No caso da Santa Sé, como já abordado em um texto aqui nesse espaço, essa relação pode estar fragilizada, já que Francisco busca normalizar as relações com Pequim. E os números de países com relações diplomáticas não para de cair. Na última década foram oito trocas. A China continental possui maior influência política, capacidade de investir e produtos à oferecer.

Para onde seguir?

É um momento de encruzilhada em Taiwan. Progressivamente cresce o apoio à chamada "política do status quo". Basicamente, não cutucar o assunto. Focar a política externa apenas em parcerias comerciais e em relações consulares, com uma amizade "por baixo dos panos" com os EUA, por apoio militar essencial. Na prática, abandonar a política de Uma China, mas sem adotar o outro lado da moeda.

No caso, uma política de Duas Chinas, que pode ser buscada por vias pacíficas e de negociação entre Taipé e Pequim; uma situação hoje bastante improvável. Outra possibilidade é uma declaração de "independência", o abandono da reivindicação da representação chinesa como um todo acompanhada da declaração de que a ilha é um Estado soberano com uma nação própria.

O atual governo tem adotado políticas de "taiwanização" de sua identidade, trocando os termos "China" por "Taiwan" em diversas agências de governo e empresas. Exemplo hipotético ilustrativo, no lugar de "Empresa de saneamento da China", a adoção de "Empresa de saneamento de Taiwan", focando nessa nova identidade, o que é explicado olhando a composição demográfica de Taiwan.

Uma fração da população taiwanesa já era nascida antes de 1949 e mais de 40% dos habitantes, hoje, se declaram taiwaneses, não chineses. As décadas de separação, um modelo econômico diverso e um certo grau de isolamento insular criaram uma nova identidade. Novamente, é uma encruzilhada. A política de Uma China, pragmaticamente, está fadada ao isolamento e diminuição das relações de Taiwan.

Um confronto militar com a China continental, embora custoso e foco de tensão global, não teria chance de sucesso para Taiwan, a "província rebelde". Uma declaração de independência corre o risco de acirrar os ânimos. Uma política amistosa de duas Chinas depende de muitas negociações. Resta saber qual o caminho que Taiwan deseja seguir, e quem os taiwaneses vão eleger.

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Comentários [ 6 ]

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  • H

    Hades Júnior

    ± 5 horas

    Enquanto Hong Kong é a "futura nova" Danzig, Taiwan é a "futura nova" Polônia. E a China segue firme no rumo de ser a "Alemanha Nazista do século XXI".

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  • T

    tamotsu kashino

    ± 8 horas

    Colunista Filipe Figueiredo, escreveu esta materia antes da eleição geral de Tiwan que foram realisados no dia 11 do passado, com vitoria esmagadora com releição do atual presidentaTsai ing wen, inclusive dos perlamentos que conseguiu maioria absluta, foi uma derrota humilhante para governo comunista do Xi Jinping, o que influenciou nesta vitoria foram povo do Hong Kong que com mega manifestaões estão enfrentando governo da China comunista e tambem do grande apoio do EUA do Trump, fornecendo grande quantidade de armamentos, como avião de combate,tankes e misseis, Xi Jinpig está uma grande dilema, por causa da guerra comercial com Trump.

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  • W

    Wilbur Archibald III

    ± 1 dias

    É mao...

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  • F

    Felipe Bugno

    ± 1 dias

    Taiwan é uma nação soberana e independente. Qualquer noção diferente disso é delírio. Mas Taiwan deveria de uma vez por todas abrir mão do irredentismo datado da derrota dos Republicanos contra os Comunista e deixar de lado o discurso de ser o governo legítimo da China.

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    1 Respostas
    • E

      Eduardo Prestes

      ± 1 dias

      A China Comunista tem uma idéia diferente da sua, e não concorda que Taiwan seja uma nação independente. É uma opinião com o peso de um PIB de trilhões de dólares, armas nucleares, mísseis, força aérea significativa, porta-aviões, frota de guerra, submarinos, milhões de soldados... A ascensão econômica da China impõe sérios riscos à existência de Taiwan...

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