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Bom humor melhora o rendimento dos profissionais
Bom humor melhora o rendimento dos profissionais| Foto: krakenimages, Unsplash/Reprodução

A saúde mental interfere na produtividade do trabalho. Isso já era sabido, mas ficou bem evidente a partir do surgimento da pandemia. A carga de ansiedade, que adveio do medo de se infectar pelo coronavírus e das mudanças na rotina (home office) implementadas para tentar evitar o espalhamento da doença, fez com que muitos colaboradores ficassem infelizes, diminuindo drasticamente o seu rendimento.

A predominância do contato remoto em detrimento da presença física tornou mais difícil o estímulo do bem-estar, da criatividade e da conexão entre as equipes no ambiente corporativo, culminando em baixa produtividade. Para contornar a situação atual, o humor pode ser uma ferramenta de grande valia, como dizem a seus alunos na Stanford Graduate School of Business, localizada na Califórnia (EUA), a professora Naomi Bagdonas e o membro do Consórcio da McKinsey para Inovação de Aprendizagem, Connor Diemand-Yauman.

Eles explicam que o poder do humor para melhorar o rendimento dos profissionais reside nos hormônios que inundam o cérebro humano quando achamos graça de algo e damos boas risadas. A oxitocina, por exemplo, estimula o cérebro a criar laços emocionais e a confiar mais nos outros, o que é de muita utilidade no trabalho em grupo que caracteriza a rotina das corporações. Outro exemplo é a dopamina, que fortalece a memória, facilitando o aprendizado e tornando mais eficiente a realização das tarefas.

Os benefícios emocionais e mentais gerados por estes hormônios produzidos pelo bom humor podem ser importantes para a realização do trabalho de diversas outras maneiras, tais como: dar instruções a liderados; manter a calma para cumprir uma tarefa com um prazo curto e encontrar alternativas visando contornar uma situação complicada. Além do divertimento que afeta positivamente o ambiente de trabalho, está claro que o humor é uma ferramenta valiosa para aumentar a produtividade em busca de melhores resultados.

Nesse sentido, os profissionais – sejam líderes ou liderados – devem zelar por um ambiente de trabalho remoto mais leve e divertido, aceitando as pequenas oportunidades de humor proporcionadas por seus colegas, contribuindo para que o relacionamento com eles se fortaleça. Além disso, devem permitir a criação de novos hábitos que contribuam para tornar mais leve o local de trabalho.

Outros fatores relacionados à rotina de trabalho dos profissionais nas corporações e que afetam sua saúde mental também acabam influenciando na sua produtividade e na entrega de resultados. Por exemplo, atividades não muito inspiradoras; excesso de regras; e sistema de remuneração que estimula a competitividade.

Os empregadores e gestores têm papel fundamental para tornar a jornada do colaborador mais satisfatória nestes quesitos. São eles que devem fazer com que a atividade laboral seja menos engessada, motivando, inspirando e estimulando seus colaboradores. Regras demais criam ansiedade e medo. Precisamos de líderes que inspirem e não que assustem as pessoas.

No que diz respeito à remuneração que instiga um trabalhador contra o outro, o que já foi consenso para aumentar a produtividade de seus funcionários, atualmente não é visto como uma boa estratégia. O ideal é ter pagamento por desempenho em grupo. Isso gera mais felicidade e, consequentemente, melhores resultados, tanto individualmente, quanto para a empresa.

Da perspectiva dos colaboradores, algumas atitudes também podem ser tomadas em busca de satisfação e da felicidade no ambiente de trabalho. Tais como: passar a limpo qualquer rusga com outros colaboradores; respeitar os horários de intervalo para descansar e não resolver problemas; estabelecer um planejamento de metas diárias e definir prioridades; manter o ambiente de trabalho organizado; mudar alguns aspectos da rotina a fim de torná-la menos maçante e mais atrativa; cercar-se de pessoas positivas; evitar descarregar as frustrações em outros; e procurar auxílio de um colega ou de um superior quando não conseguir resolver os problemas sozinhos.

*Renata Spallicci, vice-presidente da Apsen Farmacêutica, é engenheira química com MBA para CEOs pela FGV.

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