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Como será o shopping no metaverso?
Como será o shopping no metaverso?| Foto: Big Stock, naratrip/Reprodução

Com grandes empresas como McDonald's e Nike investindo no metaverso, é impossível não especular como o comércio irá se transformar para existir de forma bem sucedida no mundo digital. Na pandemia, o brasileiro perdeu o medo de comprar pela internet, com 13 milhões de pessoas no país comprando online pela primeira vez em 2020 -- uma barreira importante de ser cruzada para o sucesso do varejo no universo virtual. Porém, como será a adaptação dos grandes centros comerciais para essa nova modalidade?

Em primeiro lugar, devemos questionar se existirão centros de compra, já que o metaverso não necessariamente seguirá os moldes exatos do nosso modo de vida atual. É seguro imaginar que existirá alguma espécie de ambiente digital como um marketplace, talvez seguindo os moldes do shopping para melhor visualização em realidade aumentada. Esses centros, possivelmente, também devem receber uma taxa como um "aluguel" dos lojistas para participar do espaço. Mas as lojas em si devem seguir arquiteturas diferentes da atual.

Isso ocorre pois a maior parte dos itens vendidos no metaverso deve ser virtual, com uma utilidade própria dentro do metaverso. Como os tão comentados NFTs, que existem apenas no online e devem se manter lá, os produtos não devem ter tanto foco na vida "real", e não precisam ser expostos em lojas da mesma forma que são hoje. Esse tipo de produto 100% online não parece tão validado pelo consumidor médio brasileiro quando pensado apenas como NFTs, que grande parte da população não entende o que é e nem o motivo para atrair investimentos tão altos, mas comprar produtos apenas para o mundo online não é novidade para as novas gerações.

O jogo Fortnite, por exemplo, consegue movimentar grandes quantias com jovens comprando "roupas" para seus personagens, as chamadas "skins", e o lançamento delas por um período limitado de tempo cria o desejo de consumo similar ao de um produto finito por natureza, como os produtos materiais. E, se funcionar como planejado, o metaverso será um local não só de entretenimento, mas de trabalho, e isso atrai o desejo de fazer melhorias nesse ambiente - tanto no visual do seu avatar quanto no espaço virtual de trabalho. Quando a população foi convocada a trabalhar de casa em 2020, os investimentos no espaço doméstico, especialmente naquele ao trabalho, aumentaram.

Mas nem só de itens digitais sobreviverá o varejo do metaverso. O comércio em realidade aumentada abre grandes oportunidades para empresas que desejam criar experiências de teste prévio de produtos. A possibilidade de ver móveis ao vivo antes da compra, ter noção de suas dimensões em pessoa, assim como roupas e artigos de decoração, ajuda o consumidor a ter mais certeza antes de investir nessas compras, o que é especialmente positivo para itens com um valor maior.

E as experiências de marketing promovidas em shoppings podem se expandir ainda mais com a realidade virtual do metaverso. Ao invés de promover um filme com itens de cenários ou artigos do figurino – que exigem investimento por parte do estúdio em relação a logística e transporte enquanto atingem apenas uma população local – estúdios podem montar uma atração em VR para colocar o usuário dentro do universo do filme, garantindo maior impacto no espectador e atingindo um público sem limitações geográficas.

É importante inovar e se manter atento às novidades, especialmente para encontrar novas oportunidades oferecidas pela tecnologia. Porém, o metaverso ainda é, por enquanto, mais um objeto de especulação e excitação do que um ambiente concreto. E, mesmo quando (e se) a promessa do Facebook – agora Meta – virar parte do cotidiano, ainda existirá um mundo fora da internet, que exige produtos adequados para a realidade e, por enquanto, impossíveis de serem aproveitados em realidade artificial, como perfumes e alimentos. Enquanto isso, podemos aproveitar iniciativas de realidade virtual online to offline que já existem, como experimentação de produtos, participação em lançamentos e interação direta entre empresa e clientes. É necessário se atualizar, mas mantendo um equilíbrio: sem esperar o presente virar passado, mas também sem investir tudo no futuro.

*Mauricio Romiti é diretor financeiro e administrativo da Nassau Empreendimentos.

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