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Arte ou ciência, valuation é fundamental para que as startups se posicionem no mercado
Arte ou ciência, valuation é fundamental para que as startups se posicionem no mercado| Foto: Unsplash, Towfiqu barbhuiya/Reprodução

Em algum momento da vida de uma startup, seus fundadores vão – inevitavelmente – se deparar com a questão do valuation. Vão ouvir que se trata, ao mesmo tempo, de arte e ciência. Mais arte, em early stages, mais ciência, conforme o dinheiro começa a entrar. Vão trabalhar com a objetividade do Ebitda e com a subjetividade que existe na capacidade de se tornar escalável, na qualidade do time, nos múltiplos de mercado ou na adequação da tecnologia aplicada.

Logo vão perceber que valor vai além do que é monetário. E que está intrinsecamente ligado ao que o investidor pretende receber no futuro. Ou seja, quando o mercado olha para o valuation de uma startup, quer saber o quanto pode receber a mais pelo que investir nela. É uma medida de atratividade.

Mas se valuation não é uma ciência exata e depende de uma percepção do mercado, como é possível melhorar essa percepção, especialmente em companhias que ainda não têm um histórico consistente de faturamento e resultado, que, portanto, são menos preditivos? E onde a comparação com o que já existe no mercado pode ser decisiva na avaliação?

Acreditar no negócio

Fazer com que todos acreditem no negócio é peça-chave. Investidores precisam estar no mesmo barco que os empreendedores que eles financiam. Precisa ser um jogo de ganha-ganha. Quando o investidor crê que pode multiplicar seus ganhos por dez, por exemplo, mesmo que a pura ciência não seja capaz de explicar isso, fica à vontade para aportar seu capital. E, na startup, o time se vê incentivado a crescer e oferecer o resultado no menor prazo possível.

Na Curta, startup que ajudei a fundar há nove meses com meus sócios Pedro Gelli e Lucas Continentino, fizemos uma aposta em governança e em um sistema de partnership. Um modelo inédito na indústria de influência, em que atuamos – somos o maior hub de influencers gamers no YouTube no Brasil, hoje.

Com grandes números e um portfólio robusto, atraímos a atenção do mercado financeiro e hoje temos como quarto sócio Juliano Custódio, fundador da EQI Investimentos. Não foi o valuation atual da Curta que o trouxe para o grupo, mas, sim, o propósito e a escalabilidade da empresa no seu setor. O cálculo não foi apenas matemático, a partir dos R$ 4,5 milhões em negócios fechados neste curto período de existência, apenas em parcerias com marcas.

Certamente pesou o fato de atuarmos em um mercado de crescimento exponencial, o mercado de influência, aliado ao potencial da indústria de games. Sem falar no que é possível crescer com licenciamento e importação, infoprodutos, mercado editorial. E, claro, termos um portfólio com 6 dos 10 maiores youtubers gamers do universo de Minecraft, 210 milhões de usuários inscritos e 1 bilhão de visualizações mensais. O que vale mais? Ou o quanto cada um desses fatores mitiga o risco? Mas vamos voltar ao modelo inédito.

Valuation ou preço?

Será que alguém, hoje, compraria um litro de gasolina por R$ 20? Provavelmente não, pois está muito acima do valor de mercado e ninguém paga um preço superior ao que vale um ativo. O mesmo deveria valer para empresas e startups.

Isso se o valor das companhias fosse apenas monetário, se estivéssemos falando de preço. Como valuation é um parâmetro, temos aqui outra forma de melhorar nossa performance por similaridade. Oferecer algo que a concorrência não tem é uma enorme vantagem competitiva. Pode ser produto, serviço, modelo de negócios, desde que haja impacto em escalabilidade e resultado, com a possibilidade de ganhos futuros crescentes e previsíveis.

Se a ciência do valuation nos diz que o valor da empresa corresponde a seu Ebitda vezes o múltiplo de mercado daquele setor, será que rodar um ponto acima não é relevante? A lógica diz que sim e explica em parte porque algumas companhias bem estabelecidas com receita significativa têm valuation menor que outras que faturam menos – mas têm tecnologia atrelada, só para dar uma ideia dos motivos possíveis.

Essa discussão é longa e complexa. Também não tem respostas prontas para tudo. Mas precisa estar na ordem do dia de toda startup. Ou pelo menos daquelas que queiram crescer e se posicionar bem no mercado.

*Vitor Rabello é empreendedor e sócio-fundador da Curta, onde é responsável pelo planejamento estratégico.

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