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O desafio do desenvolvimento de lideranças no mercado de startups
O desafio do desenvolvimento de lideranças no mercado de startups| Foto: Pexels, fauxels/Reprodução

Como todo conceito novo e em formação que se expande no mercado, a cultura e o movimento de maturação de startups apresenta, de modo intrínseco, desafios e oportunidades que devem ser considerados pelas lideranças que estão guiando a construção desse ecossistema.

Sob o prisma das oportunidades e benefícios trazidos pelos negócios digitais para a economia global, é possível observar com clareza, por exemplo, todo o processo de oxigenação dos modelos organizacionais, estruturas mais enxutas e ágeis, uma visão mais direcionada para a centralidade no cliente e a quebra de barreiras hierárquicas mais rígidas que separavam colaboradores de seus gestores que permitiram tanto a democratização dos ambientes de trabalho, quanto a aceleração dos projetos de inovação nestas empresas.

Por outro lado, um ponto crítico que precisa ser analisado envolve o fato de que essa gestão mais horizontal, muitas vezes, é confundida com uma ausência de processos bem delineados que, consequentemente, podem comprometer o trabalho das equipes e mesmo o futuro de uma startup em seu segmento.

Sobre essa questão, um levantamento do CB Insights de 2019 que identificou as principais razões de falência entre os negócios digitais apontou, dentre outros fatores, a falta de um modelo de negócio bem estruturado que dificulta, inclusive, a captação de investimentos e a tração das empresas.

Em contrapartida, o estudo Future Growth da Interbrand, que analisou as razões do crescimento acelerado nas startups, constatou que um modelo operacional consistente (em conjunto com o senso de propósito e o foco na experiência) está na base do processo de expansão desses negócios – enquanto a falta de processos levam de 80% a 90% das startups a morrer logo em seus primeiros anos.

Todo esse cenário, por sua vez, pode ser uma das razões que explica o alto turnover de colaboradores no mercado de startups e que impacta, inclusive, os negócios com alta captação de investimentos: uma pesquisa da Founders Circle com startups-unicórnio (avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) constatou que o tempo médio de permanência de um funcionário nestes negócios é de dois anos e que 1 em cada 4 colaboradores sai da empresa em 1 ano ou menos.

Esse cenário começa a se tornar preocupante quando pensamos no legado e futuro das startups. Como, por exemplo, elas formarão novos líderes que conduzirão a empresa no futuro?

De quem é o papel na formação de lideranças do futuro?

Dentro, aliás, do quadro de processos indispensáveis que devem ser considerados para que possa escalar um negócio digital, a própria formação de lideranças é um desafio crucial que, nem sempre, é bem absorvido no dia a dia dos negócios digitais. De quem é a responsabilidade pela formação de novos líderes? Como capacitar lideranças em modelos horizontais de gestão?

Para responder a essas perguntas, é preciso que tenhamos em mente, antes de tudo, que uma gestão mais aberta e inclusiva não deve ser interpretada com a ausência de direcionamento ou de profissionais que conduzem – ainda que de modo mais democrático e participativo – os rumos do trabalho de uma equipe.

Nesse sentido, é natural que no processo da formação de uma startup, por exemplo, os fundadores busquem por profissionais com mais expertise e conhecimento sobre determinadas áreas para liderar os processos de construção dos times de marketing, produto, novos negócios, etc.

Após essa primeira etapa, na minha visão, o trabalho do desenvolvimento de novas lideranças é um processo conjunto que envolve:

  • O posicionamento e acompanhamento mais generalista dos founders do negócio;
  • A identificação e o estímulo aos talentos de uma equipe por parte dos gestores que coordenam aquele núcleo;
  • A participação democrática das equipes nas reuniões de planejamento, desenho de estratégias e estruturação de jornadas de carreira dentro da startup.

Enquanto lideranças, precisamos também saber identificar aqueles profissionais que, de modo natural, assumem papéis de líderes informais e que são determinantes para o fortalecimento de uma cultura sólida e para o engajamento das equipes em torno dos projetos e objetivos de qualquer empresa.

O autodesenvolvimento e a estrada para o futuro

O intraempreendedorismo e a autogestão, são fatores cada vez mais abraçados dentro do universo cultural das startups e que dialogam diretamente com os soft skills tão buscados pelo mercado contemporâneo.

Assim, do mesmo modo que toda empresa (independentemente de seu modelo organizacional) precisa contar com processos organizados e planos de desenvolvimento de carreira, é necessário que os colaboradores tenham o senso de proatividade para buscar cursos e mentorias; formar grupos de networking e, em suma, abraçar uma mentalidade de aprendizado contínuo (lifelong learning) caso almejem construir uma trajetória bem-sucedida no dinâmico e ainda jovem ambiente de negócios digitais do país.

Novamente, as lideranças ativas de uma startup tem um papel relevante no sentido de fomentar essa busca por aprimoramento de seus colaboradores posto que, pela união entre processos claros, estímulo ao autodesenvolvimento e abertura para o diálogo de modo que se possam corrigir rotas, os caminhos para a formação de novos líderes serão pavimentados em prol do futuro do negócio.

*Janine Motta é comunicóloga, jornalista e profissional do marketing. Atualmente é Growth Marketing Lead da unico, idtech do Brasil.

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