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A gestão sustentável voltou à moda no mundo das startups?
A gestão sustentável voltou à moda no mundo das startups?| Foto: Unsplash, Jason Goodman/Reprodução

O cenário de incertezas em que se situam as startups neste ano aponta para uma revisão do paradigma vivido por negócios que envolvem tecnologia e disrupção. Recentemente jovens iniciativas focavam quase exclusivamente na conquista de cheques parrudos para investir em suas soluções e promover um crescimento mais acelerado. Agora, observamos um apetite mais seletivo dos investidores, fazendo com que muitos empreendedores voltem suas atenções para um crescimento mais lento, seguro, proporcionado por uma gestão sustentável, madura e com estratégias menos arriscadas.

Quem esteve imerso no mundo da inovação e do empreendedorismo nos últimos anos, viveu uma euforia pouco antes vista. Aportes milionários, grandes levas de contratação, aumento vertiginoso de oferta de vagas e salários pagos a profissionais de tecnologia, a aceleração do processo de digitalização, este contexto catapultou inúmeras soluções com capacidade de inovar suas áreas de atuação.

No entanto, o primeiro semestre de 2022 veio e representou um período de restrições expressivas no mundo das startups. A galopante inflação global, legado dos gastos que os governos tiveram que lançar mão para elaborar estratégias de combate à pandemia de covid-19, intensificada pelos entraves que ainda persistem nas cadeias produtivas, serviu como um freio poderoso para quem empreende e trabalha na área de inovação e tecnologia.

A retração no volume de investimentos pode ser visualizada na comparação dos cinco primeiros meses de 2022 com o período correspondente em 2021. Se no ano anterior, R$ 15 bilhões foram aplicados nas startups brasileiras, sobretudo por fundos de investimento estrangeiros, no ano corrente o montante chegou a R$ 12 bilhões, queda considerável. Os números são do relatório Inside Venture Capital, produzido pela Distrito, plataforma referência para o ecossistema de startups.

O impacto maior vem sendo sentido pelas startups unicórnio, isto é, negócios com valor de mercado avaliado em mais de R$ 1 bilhão. Para escalar rapidamente, estas empresas captam altos montantes de investimento, contratam massivamente e postergam o retorno aos investidores enquanto se dedicam às suas tecnologias e ao seu marketing. Na escassez de financiamento, elas precisam recorrer a cortes bruscos em suas despesas, enquanto perseguem uma gestão mais equilibrada.

Estas iniciativas podem se inspirar em outro tipo de startup, desta vez com o nome de um animal que, realmente existe na natureza: as startups camelo, cuja estratégia de crescimento está apoiada no autofinanciamento e numa gestão sustentável, com receita maior que a despesa, aos moldes das empresas tradicionais. Trata-se de empresas que, como os famosos mamíferos que resistem às diversas temperaturas e longas jornadas no deserto, são resilientes e capazes de lidar com os desafios da realidade do mundo dos negócios e do empreendedorismo.

Esta modalidade de startups caracteriza-se sobretudo pelo equilíbrio nas contas. Com financiamento em geral proporcionado pelos próprios sócios (ou mesmo por uma rodada em early stage em outro momento), estes negócios têm plano de crescimento mais orgânico e regular, com um horizonte de ao menos dez anos para o desenvolvimento do negócio.

Acredito que o ecossistema de startups possui exemplos de iniciativas que podem inspirar o segmento como um todo. As startups camelo, com sua capacidade de atravessar intempéries com serenidade e estabilidade e de experimentar um crescimento cauteloso podem servir de farol para este novo momento em que o mundo da tecnologia, da inovação e do empreendedorismo está vivendo, onde os negócios agressivamente escaláveis dão lugar a uma perspectiva relacionada a uma gestão cada vez mais sustentável.

*Vicente Oliverio é CEO e fundador da Urmobo, startup camelo que realiza o gerenciamento de dispositivos móveis e gestão de ativos fundada em 2017, em Ribeirão Preto (SP), ao lado dos sócios Vinicius Oliverio e Thiago Carvalho. Formado em Análise de Sistema pela Fatec, MBA em Gestão de Sistemas de Informação pela PUC - Campinas e MBA pela Fundace Business School - USP, o empresário tem experiência com Gestão de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.

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