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O que falta para o Brasil decolar quando o assunto é energia solar?​
O que falta para o Brasil decolar quando o assunto é energia solar?​| Foto: Unsplash, American Public Power Association/Reprodução

Atualmente, vivemos uma crise hídrica e um aumento exponencial dos preços da energia elétrica. É simples observar que a fonte mais comum de gerar energia elétrica está cada vez mais escassa — afinal, boa parte da matriz elétrica é composta por usinas hidrelétricas.

Esse é um problema mundial, agravado no Brasil por questões maiores, como crises políticas e econômicas, que nos fizeram investir cada vez mais em fontes não renováveis e mais custosas. Em outras palavras, pagar a conta de luz vem ficando cada vez mais difícil. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a bandeira vermelha, que afeta os preços de energia elétrica no Brasil, já registrou alta de 58% em relação ao ano passado. E agora, durante todo o ano de 2022, o aumento de custo deve chegar a mais 21%.

A solução para essa situação tão preocupante, assim como para diversos outros problemas de fundamentos ambientais, está na sustentabilidade. Neste caso, no uso de energia solar, uma vez que se trata de uma fonte renovável e abundante.

Por que, então, ainda não temos milhões de placas de energia solar espalhadas pelo País?

Há mais de um empecilho nessa jornada e nenhum deles é a vontade das pessoas ou empresas. De forma geral, muita gente apostaria na energia solar, principalmente agora, como uma alternativa verde e econômica. Entretanto, há dois obstáculos muito comuns: o valor e a burocracia envolvida.

A instalação de um sistema de captação e geração de energia solar é custoso. Para gerar cerca de 1,5 kWp mensais, por exemplo, que é uma capacidade ideal para uma casa simples com três pessoas, seria preciso criar um projeto de R$15 mil, aproximadamente, envolvendo custos de material e mão de obra. É bem improvável que uma família brasileira comum consiga dar esse valor cheio para esse fim.

Outro problema é a burocracia. Para conseguir o dinheiro necessário, muitas pessoas tentam conseguir empréstimos em bancos, o que não é fácil nem rápido - e, muitas vezes, pode ser negado. Resumidamente, o que falta para que a energia solar se torne prioridade no Brasil é um facilitador financeiro e prático. Felizmente, já existem iniciativas em busca dessa realidade.

Para quem não conseguiu o empréstimo do banco, existe uma alternativa: financiamento próprio. Para usar o mesmo exemplo, vamos considerar a família cujo orçamento para instalação seria de R$ 15 mil. Caso eles paguem R$ 200 por mês na conta atualmente (o que está dentro do habitual), poderiam simplesmente trocar esse valor por parcelas similares e quitar o projeto em 60 meses.

Nessa situação, a mudança pode ser feita sem alterações significativas na vida da família, com a diferença de se tratar de uma aquisição permanente que vale muito a pena a longo prazo. O financiamento também será realizado com uma empresa especializada, que deve ser transparente em relação aos gastos e saberá desenhar o melhor projeto para a casa em questão.

O Brasil ainda não está nem perto do potencial que possui em relação a energia solar, mas, com os problemas identificados e as soluções já atuando a todo vapor, é possível dizer que estamos caminhando rapidamente para alcançar esse patamar.

*Lucas Cruz é fundador e CEO da Cruze, startup do Piauí que está democratizando o acesso à energia solar no Brasil, e fundador do e-commerce de materiais elétricos Eletru, também no Piauí. Lucas é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal do Piauí e pela Universidad de Valladolid, na Espanha. Lucas possui experiência em gestão e execução de grandes usinas de energia solar no País. Em 2015, foi primeiro lugar no Desafio da Sustentabilidade do Ministério da Educação (MEC), mesmo ano em que foi considerado um dos 50 inovadores brasileiros com menos de 35 anos pela revista MIT Technology Review.

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