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P2P Lending
P2P Lending| Foto: Big Stock, designer491/Reprodução

Por muito tempo, falar a respeito de investimentos era um "universo" distante da maioria dos brasileiros. Felizmente essa é uma realidade que está mudando. Na última década testemunhamos o “despertar” para o mundo dos investimentos de uma parcela relevante da população. Mesmo com diversas transformações no mercado, o investimento em renda fixa segue imbatível. Trata-se de uma das alternativas que a maioria dos investidores nacionais não abre mão.

Tanto que uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) aponta que, em 2021, a principal motivação de 38% dos investidores brasileiros é a expectativa de retorno. Ou seja, eles querem aplicar seu dinheiro sabendo que o terá de volta dentro de um determinado prazo.

Diante disso, se criou uma tendência forte em todo o mundo no chamado investimento coletivo. O peer-to-peer lending, também chamado de P2P Lending, nada mais é que um desses braços que compõem essa categoria. E é dentro do mercado de imóveis que ele tem proporcionado os melhores retornos quando comparamos com outras opções em renda fixa tradicional. Mas afinal, o que é e como surgiu o peer-to-peer lending?

História do investimento coletivo

O investimento coletivo, no âmbito empresarial, ganhou formato, nome e destaque em 2006. Naquele ano as “contribuições” começaram a ser feitas sem o intermédio de bancos. Nesse sentido, o peer-to-peer ficou conhecido devido às vantagens e facilidades proporcionadas aos investidores e aos tomadores.

O primeiro registro de investimento coletivo que se tem conhecimento ocorreu em meados do século XVII, quando o Vaticano uniu investidores para que fosse possível traduzir as Ilíadas de Homero para o inglês.

Outro registro histórico que merece destaque aconteceu nos Estados Unidos. Em 1885, houve uma captação de fundos para a construção do pedestal da Estátua da Liberdade, presente dado pelo povo da França.

Ao longo da história, a ideia evoluiu e encontrou um terreno fértil na internet. Com a pandemia provocada pela Covid-19, somada à necessidade da transformação digital em todos os setores da sociedade, palavras como crowdfunding e peer-to-peer lending viram não apenas suas popularidades aumentarem, mas também registraram crescimentos dignos de classificá-las como exponenciais.

O que é o P2P lending imobiliário?

Além de facilitar os trâmites burocráticos encontrados ao buscar recursos por meio dos bancos, o peer-to-peer lending do setor imobiliário também vem ocupando o espaço que antes era exclusivamente dos grandes investidores individuais de crédito privado que as incorporadoras recorriam, principalmente nos períodos iniciais do empreendimento.

Trata-se de uma categoria inovadora da economia compartilhada onde um conjunto de pessoas se unem para emprestar um determinado valor para outras pessoas ou empresas. No caso de uma peer-to-peer lending do setor imobiliário, as pessoas emprestam dinheiro para construtoras e incorporadoras.

Detalhando um pouco mais: o investidor empresta seu dinheiro – a exemplo de uma empresa da área imobiliária, como as incorporadoras – para viabilizar uma obra no estágio mais decisivo de um empreendimento, que é o seu começo.

No final de um período - que é sempre pré-estabelecido em cada projeto/captação de investimento - o investidor recebe de volta o valor aplicado com juros. Em alguns casos, os retornos podem chegar até 300% do CDI.

Como funciona e para que serve? 

Um dos principais objetivos do peer-to-peer lending do setor imobiliário é permitir que todos invistam no mercado de imóveis sem precisar desembolsar altas quantias, como seria caso fosse adquirida uma unidade física.

Funciona da seguinte forma: o investidor deve se cadastrar em uma plataforma online e selecionar os projetos em que deseja fazer sua aplicação. Na prática, ele está escolhendo, de forma direta, em qual projeto/obra quer emprestar seu dinheiro para que este empreendimento seja executado. Ao final do prazo, previamente estipulado em contrato, o investidor que aplicou o dinheiro receberá o dinheiro que emprestou corrigido com os juros.

Vale ressaltar que, para assegurar mais segurança na hora de investir, é importante que o investidor sempre busque por empresas que operem como Sociedade de Empréstimos entre Pessoas (SEP) e sejam certificadas e regulamentadas pelo Banco Central (BC). Dessa forma, é assegurada mais tranquilidade ao apostar seu capital em um empreendimento imobiliário.

*Paulo Deitos é cofundador da CapRate, plataforma P2P Lending do ramo imobiliário e a primeira do segmento a atuar como Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP) autorizada e regulamentada pelo Banco Central (BC) no país, e CapTable, maior hub de investimentos em startups do Brasil. Formado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é professor do MBA Fintech na Universidade Católica da Argentina (UCA) e de Gestão Imobiliária da Faculdade Insted, em Campo Grande. Foi diretor da ABFintechs e da Alianza Fintech Iberoamericana no México.

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