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Com serviço “freemium”, Pluto TV promete chacoalhar entretenimento no Brasil
| Foto: Divulgação.

A Pluto TV, empresa do grupo ViacomCBS (um dos maiores grupos de mídia do mundo) anunciou que iniciará em breve as operações no Brasil, sendo mais uma alternativa no serviço de streaming.

A empresa é uma concorrência não só ao Netflix, Amazon Prime Video, Disney TV e serviços on demand de streaming, mas também ameaça frontalmente a televisão tradicional, que já vinha passando por grandes dificuldades.

Sou do tempo em que só existiam canais de TV abertos. Eram pouquíssimas opções. Não lembro exatamente quantas, mas me recordo de Globo, SBT, Manchete, Band, Cultura e Record.

A lógica das emissoras é simples: criam conteúdos que atraiam o maior número de pessoas possível sem cobrar delas, descobre quantas pessoas assistem àquele conteúdo e propõe para anunciantes oferecerem produtos e serviços em seus intervalos comerciais. Depois, veio a TV a Cabo, onde você pagava para ter mais opções de canais, mas a lógica de anúncios seguia a mesma.

Para ter conteúdo “on demand” — quando você escolhe o que quer ver, quando vai ver e não é incomodado por propagandas —, precisávamos sair de casa, ir a uma locadora e pagar por este conteúdo.

E então, veio a internet e a ideia de oferecer conteúdo on demand através dela. O Netflix se tornou a maior referência ao criar um serviço onde você paga uma mensalidade e tem acesso ilimitado aos conteúdos que estão naquela plataforma. Você pode ver seu filme ou série favorito a qualquer momento, sem qualquer interrupção. O mesmo modelo foi adotado pela Amazon Prime, Disney TV, etc.

Já o Youtube democratizou a possibilidade das pessoas criarem seus próprios conteúdos, usando como inspiração o antigo modelo da TV para gerar receita para si e para os produtores. Você assiste algumas propagandas pagas por anunciantes, parte do dinheiro fica com a plataforma e parte do dinheiro vai para o produtor de conteúdo. Mas o Youtube oferece também a opção de você pagar para não ser incomodado pelas propagandas.

É a definição do modelo Freemium: Free(Grátis) + Premium. Ou seja, você pode assistir gratuitamente pagando com a atenção que você é obrigado a dar para as marcas que interrompem a sua programação, ou você pode pagar para não ter seu conteúdo interrompido.

Este é o maior diferencial da Pluto TV, que promete ser um Netflix freemium: o cliente terá um acervo de filmes e séries on demand onde poderá optar entre pagar com atenção, permitindo que empresas interrompam a sua programação, ou pagar para não ser atrapalhado. Uma sugestão para compreender esse conceito é assistir ao segundo episódio da primeira temporada de Black Mirror, “Quinze milhões de méritos”, que aborda de forma brilhante o funcionamento de uma sociedade baseada no freemium.

Há alguns anos, ouvi do designer Fred Gelli, uma das pessoas mais brilhantes que conheci, que “Criar é conectar o que ainda não foi conectado”. Esta frase serviu como inspiração para um capítulo inteiro no meu primeiro livro, chamado “Conecte os pontos”. E a Pluto TV, que promete chacoalhar o mercado do entretenimento, mostra que este é o melhor caminho para se criar novas soluções. O mais legal é que isso empodera o cidadão, que possui cada dia mais opções de escolha, obrigando as companhias a produzirem conteúdos de cada vez mais qualidade para atrair a atenção do expectador.

*Bruno Dreher é consultor, palestrante, especialista em inovação pela Universidade Hebraica de Jerusalém, membro da World Futures Studies Federation (Paris, França) e World Future Society (Chicago, EUA).

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