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Tecnologia e inovação no combate à inadimplência
Tecnologia e inovação no combate à inadimplência| Foto: Unsplash, Nohe Pereira/Reprodução

O ambiente econômico brasileiro deve viver um período de importantes desafios em 2022. Ao longo de janeiro, por exemplo, diversas instituições e analistas revisaram suas projeções para o PIB deste ano, incluindo o próprio Banco Central que, de acordo com seu Boletim Focus, indicou perspectiva de crescimento do Produto Interno Produto na casa de 0,28% (ante o índice de 0,36% que fora apontado na primeira semana do ano).

Somado a esse cenário, há o indicativo de arrefecimento no movimento de expansão do estoque de crédito - segundo a mediana de analistas do setor privado levantada no último questionário pré-Copom, de dezembro do ano passado, o estoque de crédito deve passar por avanço de 6,6%, após dois anos de crescimento superiores a 14%; inflação acima do teto e um possível período de instabilidade econômica que costuma ser vivenciado em períodos eleitorais.

Todos esses fatores, por sua vez, podem influenciar, em maior ou menor grau, o ritmo de crescimento da inadimplência no país. A Febraban, por exemplo, indicou uma leve alta no índice de inadimplência da carteira livre (de 3,7% para 3,8%), segundo pesquisa lançada no início de janeiro.

E, embora - ao menos até o momento - a perspectiva geral do mercado seja de que a inadimplência não seja uma fonte de maiores preocupações, é fundamental que as empresas acompanhem o andamento do contexto macroeconômico e, conjuntamente, adotem estratégias para evitar que o não recebimento de pagamentos devidos se torne um obstáculo capaz de comprometer o futuro das organizações dentro de um ambiente de negócios que, como vimos, já deve trazer desafios importantes.

A inovação nos processos financeiros

Dentro deste conjunto de estratégias, sem dúvidas, a tecnologia assume um papel importante, no sentido de auxiliar companhias em seus processos de controle da inadimplência a partir das mais diversas frentes, incluindo desde a estruturação de réguas inteligentes de cobrança com base em inteligência artificial e passando até mesmo pela gestão automatizada de acordos e renegociações, além da geração de indicadores em plataformas integradas que facilitam as rotinas gerenciais e a tomada de decisão nos departamentos de contas a receber.

Em outras palavras, é possível afirmar que, para as empresas que já contam com a inovação no dia a dia de seus processos financeiros, a inadimplência tende a ser muito menos impactante e o emprego da tecnologia, consequentemente, otimiza a criação de controles que trazem mais segurança e organização para as finanças de um negócio. Vale ressaltar, ainda, que tais pontos estão diretamente relacionados com o contexto global vivenciado em 2020 e 2021, o qual não podemos deixar de mencionar as incertezas que surgiram devido à pandemia de Covid-19.

Para se ter uma ideia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava um cenário positivo no desempenho econômico global neste ano, em 4,9%. Ademais, para a economia brasileira, a estimativa do FMI era de um crescimento de 1,5% no PIB. Dessa forma, se seguirmos o que tais projeções apontavam, é possível afirmar que o crescimento em 2022 deve seguir o ritmo do ano anterior, embora estes dados sejam constantemente revistos e atualizados – como feito pelo próprio Banco Central em relação ao Brasil, citado no início do artigo. Além disso, também havia uma alta prevista pelo Banco Mundial, de 4,3%, semelhante ao número sinalizado pelo FMI.

Para aprofundar este contexto, devemos retomar alguns dados relacionados à inflação, que dispara pelo mundo. Uma vez que 2022 será marcado como um ano eleitoral, somado ao cenário ainda de pandemia, a instabilidade econômica é uma realidade de fato vivenciada. Considerando dados do IBGE, a inflação acumulou alta de 10,67% até outubro de 2021, porcentagem acima do que havia sido registrado nos 12 meses anteriores ao período em questão (10,25%). Este foi o maior índice considerando o intervalo de um ano desde janeiro de 2016 (na época, registrando 10,71%).

Retomando o panorama do combate à inadimplência, sem dúvidas, tal uso da inovação deve vir acompanhado de políticas sólidas de gestão das contas a receber e de um acompanhamento constante dos indicadores econômicos. Nesse sentido, o ideal é que a difusão de boas práticas financeiras, a inovação e o estudo do mercado caminhem em conjunto, favorecendo o crescimento dos negócios e a superação de desafios em 2022.

*Pedro Bono é CEO e cofundador na Receiv, sistema de cobrança inteligente. É Doutor pela FGV e professor de gestão de risco de crédito nas melhores escolas de negócio do país.

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