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Lula na capa da Time e a invasão por merecimento
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A última edição da revista Time tem Lula em sua capa. A reportagem que vai no miolo da publicação é um texto laudatório e impreciso que, mais do que narrar a trajetória do personagem, parece querer abraçar uma narrativa política do Partido dos Trabalhadores. A escolha editorial, que poderia muito bem lhe servir de trampolim, acabou em segundo plano, entretanto. Resultado do teor das falas do ex-presidente, que resolveu equiparar Volodymyr Zelensky com Vladimir Putin, fazendo de ambos culpados pelo conflito na Ucrânia: “Ele é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado”, disse.

Editorial: A volta do anão diplomático

Antes de sua entrevista para o periódico americano, Lula disse que a situação no Leste Europeu poderia se resolver bebendo cerveja.  Uma daquelas simplificações aberrantes com que ele sempre operou para poder falar dos assuntos que ignora solenemente.  Agora foi mais longe, relativizando agressor e agredido, ainda que tenha sido a Rússia a bombardear e violar o território de um país democrático e soberano.

Está explicita na entrevista de Lula a ideia de que a Ucrânia é culpada pela guerra por insistir em exercer sua autodeterminação, palavra que o líder petista parece empenhar apenas quando serve para justificar ditaduras de países que considerada ideologicamente alinhados. Quem mandou querer entrar na OTAN e na União Europeia? Inadvertidamente, o ex-presidente inventou o conceito geopolítico da “invasão por merecimento”. Dá a entender que Putin foi levado a tomar uma ação bélica porque as potências ocidentais não falaram direito com ele: “As conversas foram muito poucas”, disse.

Lula ignora que o início do ataque russo se deu exatamente em meio a uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Todos os demais países ainda insistiam em conversações para evitar o pior. Foi Putin que partiu para o ataque, inclusive tentando deslegitimar a própria existência da Ucrânia sob o mais descarado revisionismo histórico.

Transformar a vítima em culpada pela agressão que sofre é retórica infame e indigna, incompatível com alguém que pretende liderar uma nação livre. O expansionismo imperialista de Putin já estava em execução muito antes de Zelensky virar presidente. Em 2014, quando o atual mandatário ucraniano protagonizava filmes de humor, o protoditador da Rússia anexava a Criméia em uma guerra de devastação. Vai ver também foi por falta de cerveja.

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