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João Frey

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O que o novo secretário de Educação nos diz sobre o governo de Ratinho Junior

  • PorJoão Frey
  • 09/11/2018 17:55
Ilustração: Robson Vilalba/Thapcom
Ilustração: Robson Vilalba/Thapcom| Foto:

O jornalista Reinaldo Azevedo relatou em um texto que quando o colunista Diogo Mainardi era um jovem estudante de economia em São Paulo, morava em uma kitnet onde em uma das paredes pichou a frase “De omnibus dubitandum est”. Traduzida, a primeira proposição do filósofo francês René Descartes significa algo como “duvide de tudo”. É um bom mandamento para um jornalista. Confesso que desde que fiquei sabendo dessa história, levo a frase como uma regra.

Foi com essa postura que acompanhei a campanha eleitoral do agora governador eleito do Paraná, Ratinho Junior (PSD). Em todas as oportunidades em que podia discursar, Ratinho fazia questão de insistir na tese de que era “o novo”, essa qualidade difusa que se opõe à política desgastada, política tradicional. Dita por um candidato que acumula mandatos como deputado e que há poucos meses integrava o secretariado do ex-governador Beto Richa (PSDB), a tese soava como uma gritante contradição.

Passadas as eleições, já com a perspectiva de poder inerente aos governadores eleitos, Ratinho anunciou como secretário da Educação de seu governo o empresário Renato Feder. A nomeação é talvez o mais forte sinal de que havia substância por trás do discurso eleitoral de novidade adotado por Ratinho. E aqui vale um destaque: o que é novo não é necessariamente bom ou mau; é apenas novo. Mas foi isso o que Ratinho prometeu e é isso o que ele parece estar entregando.

Prometeu, tem que cumprir! As promessas de Ratinho Jr, novo governador do Paraná

Feder é CEO da Multilaser, uma empresa do setor de tecnologia. Essa credencial, convenhamos, parece estranha para um secretário da Educação. Entretanto, Feder vem há um tempo se aproximando da área da educação. Em 2017, por exemplo, ele atuou durante oito meses como assessor voluntário da Secretaria da Educação de São Paulo.

Novamente, não há como saber qual será o resultado do trabalho de Feder (De omnibus dubitandum est, afinal), mas é certo que ele foge do perfil tradicional dos comandantes da pasta; que geralmente são professores da rede, políticos ou burocratas com bom trânsito entre o grupo que comanda o estado.

A própria forma como a indicação de Feder ao cargo veio a público já demonstra que Ratinho parece estar de fato alinhado com o que vem se apresentando como novidade no cenário político. Quem deixou escapar a informação foi Romeu Zema (Novo), governador eleito de Minas Gerais, que foi uma das maiores surpresas das últimas eleições.

Ao jornal O Estado de Minas, Zema disse ter procurado Feder para ser seu secretário da Educação, mas o empresário declinou o convite dizendo que já havia aceitado a proposta de assumir a pasta no governo do Paraná. Segundo Zema, Feder preteriu Minas Gerais pelo fato de o Paraná estar com as finanças mais bem organizadas.

Com o apelo da novidade, Feder terá o desafio de lidar com velhos problemas do estado. Um dos principais é o congelamento dos salários dos professores desde 2016. Essa decisão e a violência que marcou o episódio de 29 de abril fizeram com que a tônica da relação entre governo e professores fosse o embate. O novo secretário tem o desafio de pacificar essa relação sem se deixar engolir pelas pautas corporativas do funcionalismo. Não é pouco. É isso, na verdade, o que tem dominado as discussões sobre educação no estado.

LEIA MAIS: O caminho de Ratinho Jr. até o Palácio Iguaçu

Outro ponto em que Ratinho também deu sinais de compromisso com a novidade foi a contratação da Fundação Dom Cabral para fazer um estudo sobre a estrutura administrativa do estado com o objetivo de reestruturar o organograma do governo. O estudo está sendo pago pelo G7 – grupo de instituições do setor produtivo que inclui a Fecomércio, presidida por Darci Piana (PSD), vice-governador eleito.

Há vários jeitos de inovar. Ratinho parece seguir a trilha que responde à narrativa vencedora das eleições deste ano: a inovação no setor público vem com a incorporação de práticas e pessoas do setor privado, com um aparato burocrático mais enxuto e maior abertura para parcerias com empresas e a sociedade civil.

Desde que começou a articular sua campanha para o governo, Ratinho tem deixado claro que a política tradicional não consegue mais dar respostas às demandas sociais. O resultado das urnas certamente fortaleceu a convicção do governador eleito, que agora começa a montar sua equipe mesclando novidades com aliados da política tradicional, como, por exemplo, o ex-ministro Reinhold Stephanes.

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