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Tour político de Lula pela Europa custou R$ 150 mil aos cofres públicos
| Foto: Ricardo Stuckert

A passagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Paris, Genebra e Berlim, onde recebeu homenagens e manteve encontros com políticos, autoridades e intelectuais, durante 11 dias, mobilizou oito assessores e custou R$ 150 mil aos cofres públicos, entre diárias e passagens. Somando com as despesas da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que esteve com ele em Paris, a despesa chegou a R$ 185 mil.

Somente com 65 diárias – no valor médio de R$ 1,7 mil – foram gastos R$ 113 mil com a segurança e a assessoria de Lula. As despesas de Dilma chegaram a R$ 34,7 mil – metade com diárias e outra metade com passagens. Não estão incluídos no cálculo os salários dos oito servidores públicos disponibilizados a cada um deles, mais carros oficiais, gasolina e manutenção. Os dois têm direito a essas mordomias pela condição de ex-presidentes da República. Em média, cada ex-presidente custa R$ 1 milhão por ano.

Os dados foram obtidos pelo blog por meio da Lei de Acesso à Informação, que quase foi suspensa na semana passada por uma medida provisória do presidente Jair Bolsonaro. Uma decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, restabeleceu a lei que permite o acesso a documentos públicos.

Assessores pelo mundo

Pelos documentos da Secretaria Geral da Presidência da República, é possível observar que quatro assessores acompanharam Lula em Paris, Berlim e Genebra. Dois deles estiveram apenas em Genebra e passaram um dia e meio em Roma no retorno ao Brasil, como demonstra a prestação de contas das diárias.

A viagem mais longa e cara foi feita por um assessor que esteve em Paris, Genebra e Berlim, de 29 de fevereiro a 11 de março. O trecho entre Paris e Genebra foi feito de trem. Ele recebeu 12 diárias no valor total de R$ 19,8 mil. O custo do deslocamento desse assessor chegou a R$ 29 mil. Outro assessor que esteve nas três cidades no mesmo período recebeu 11,5 diárias totalizando R$ 21,4 mil.

Dois assessores estiveram apenas em Paris, onde permaneceram por 7 dias e meio. Cada um recebeu 8 diárias, em valores pouco acima de R$ 13 mil. Outros dois passaram por Paris e Berlim, recebendo 7 diárias num total de R$ 12 mil para cada um.

Os dois assessores de Dilma ficaram 4 dias e meio em Paris e depois passaram por Rio de Janeiro e Brasília, até retornar a Porto Alegre. Cada um deles recebeu R$ 8,7 mil em diárias.

No ano passado, Dilma gastou R$ 544 mil com viagens a 13 países. Foram pagas 250 diárias a seus assessores e seguranças. Na viagem de férias a Nova York, durante 37 dias, somente as 96 diárias custaram R$ 136 mil. A viagem toda, com passagem por Sevilla, na Espanha, saiu por R$ 162,7 mil.

Críticas a Bolsonaro, direita e fascismo

Mas o que fez Lula na Europa, afinal, após quase dois anos preso no Brasil? O seu roteiro foi marcado por homenagens, pedidos de absolvição, encontros de caráter político e afetivo. Dia 1º de março, encontrou o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, com a presença de Dilma Rousseff e Fernando Haddad. Trataram do “avanço da extrema direita” no Brasil e no mundo e dos desafios da esquerda, como diz o relatório de viagem do Instituto Lula.

No dia 2, o ex-presidente falou sobre a preservação da Amazônia com o fotógrafo Sebastião Salgado e foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Paris, a convite da prefeita Anne Hidalgo. No dia seguinte, foi homenageado no Teatro du Soleil com o Festival Lula Livre, onde foi lido manifesto de intelectuais pela sua absolvição pela Justiça brasileira.

No dia 4,  de março, Lula teve reunião com o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, que teria manifestado preocupação com “a escalada autoritária do governo Bolsonaro”, segundo relato do ex-presidente brasileiro. No mesmo dia, conversou com o ex-primeiro-ministro da Itália Enrico Letta sobre “o crescimento do fascismo no Brasil e no mundo”. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, afirmou que “Bolsonaro sonha em estabelecer um regime autoritário. Formou um governo apoiado por milicianos”.

“Enfrentar a fome é decisão política”, disse Lula em Genebra

Já em Genebra, na Suíça, em 5 de março, Lula esteve com Richard Kosul Wright, diretor das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento. No dia seguinte, reuniu-se com representantes do Conselho Mundial de Igrejas. “Vim trazer um testemunho. É possível resolver o problema dos pobres no mundo. Não é teoria. Enfrentar a fome é uma decisão política”, afirmou o ex-presidente.

No Dia da Mulher, 8 de março, em Berlim, Lula lembrou a luta da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro há dois anos, e pediu justiça. Gravou mensagem no memorial Rosa de Luxemburgo, dirigido às mulheres reunidas no 1º Encontro de Mulheres Sem Terra.

No dia seguinte, teve encontro com o diretor da Organização Mundial do Trabalho, Guy Ryder. Falaram sobre “a retirada de direitos dos trabalhadores no século XXI”, como relatou Lula. Ele também se reuniu na Alemanha com dirigentes do Partido Social Democrata e do Partido da Esquerda Europeia. As informações sobre a agenda de Lula na Europa foram extraídas das redes sociais do ex-presidente e do Instituto Lula.

Encontro com o papa

Essa foi a segunda viagem de Lula à Europa após ser libertado da prisão em Curitiba. Ele esteve em Roma, de 10 a 15 de fevereiro, para um encontro com o papa Francisco. Como mostrou o blog, o custo total com diárias de assessores e seguranças cedidos pela Presidência da República chegou a R$ 21,5 mil.

Nos primeiros 100 dias de liberdade, após 580 dias de prisão em Curitiba, o ex-presidente gerou uma despesa de R$ 100 mil com o pagamento de 248 diárias e passagens aéreas para seus assessores. Considerando as demais despesas, como salários, combustível e carros oficiais, a gastança supera os R$ 300 mil. Nos 19 meses em que esteve preso, com direito a segurança e motorista, as despesas somaram quase R$ 1 milhão.

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