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Madeleine Lacsko

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Reflexões sobre princípios e cidadania

Familiares de trans questionam cirurgia de redesignação sexual

Associação fundada na Escandinávia questiona rapidez excessiva e falta de fundamentação nas indicações de terapia hormonal e cirurgia para crianças e adolescentes.

  • Madeleine LacskoPor Madeleine Lacsko
  • 16/01/2020 16:55
Familiares de trans questionam cirurgia de redesignação sexual
| Foto:

Pais e familiares próximos de adultos e crianças trans fundaram, na Escandinávia, uma associação que questiona as recomendações médicas de cirurgias de redesignação sexual como solução de problemas psicológicos e de identidade. Estabelecida em 2018, a GENID - Desafio da Identidade de Gênero da Escandinávia - tem seu website sediado na Noruega em nome de Hovslager Lars Lysebråten e declara ter associados também na Suécia, Dinamarca e Finlândia.

A discussão não é sobre teoria e não pode ser confundida com o debate inócuo e violento de redes sociais sobre "identidade de gênero". São pessoas muito próximas de alguém que se define trans e não questionam a condição da pessoa, mas o tratamento sugerido.

Em seu manifesto, a organização deixa claro que reúne pessoas com diferentes visões políticas, sociais e religiosas, todas com um ponto em comum: a preocupação com as consequências físicas e psicológicas de um tratamento médico recomendado a um ente querido. "Não somos afiliados a nenhum movimento religioso, ideológico ou político e apoiamos o direitos iguais para que todas as pessoas vivam de acordo com sua identidade e orientação", com grifo da própria GENID.

Como têm proximidade afetiva com a narrativa trans, esses pais encontraram incongruências nas informações científicas sobre os tratamentos para esses casos oferecidos pelo sistema escandinavo. "Nós apoiamos o direitos das pessoas transexuais a uma melhoria da segurança em sociedade e ao acesso à saúde pública. Nós temos uma visão crítica da avaliação e tratamento das crianças e reforçamos a importância da ciência e experiências comprovadas", explicam.

Definir um ser humano apenas pela sua sexualidade pode favorecer a narrativa de alguns movimentos identitários, mas não favorece a compreensão sobre a condição humana, a sociedade e muito menos a verdade dos fatos.

Todos os pais e parentes próximos de crianças e adultos trans que entraram nesse grupo partilham a mesma história. "Nossos filhos viviam em harmonia com seu gênero biológico na infância e adolescência antes que se revelassem trans. Eles tinham, no entanto, lutado com outros desafios mas nunca foi oferecido tratamento ou terapia para esses diagnósticos estruturais até que decidiram se identificar como trans, e então ofereceram na hora o tratamento de confirmação sexual", diz o grupo. Esse tratamento, na maioria das vezes, leva à cirurgia de redesignação sexual.

É um olhar diferente tanto pelo componente afetivo quando pela objetividade do questionamento. Aqui não se nega a realidade, nem os problemas anteriores não tratados nem o fato de adultos e crianças terem efetivamente dito que são trans. O questionamento é objetivo: o "tratamento" que está sendo oferecido melhora em quê a vida das pessoas? Para muitos, a cirurgia ou terapia hormonal são a única forma de tratar pessoas que dizem ser trans. Pode até parecer lógico, mas será que é isso o que diz a ciência?

Tratamentos ou terapias necessariamente precisam oferecer melhorias para a pessoa, não basta oferecer mudanças. Quais são objetivamente as melhorias obtidas com terapias hormonais e cirurgias de redesignação sexual em crianças ou jovens? É essa resposta que os pais reclamam não receber do sistema de saúde.

A organização lista 16 pontos que precisam ser respondidos pelos especialistas médicos que lidam com tratamentos para pessoas trans na Escandinávia:

1. Não há evidência científica que a redesignação de sexo tem efeito positivo sobre a saúde. (link)

2. Há muito desconhecimento sobre o número de arrependidos. (Não há acompanhamento de longo prazo, mas há casos de "euforia" antecipada que se torna arrependimento). (link)

3. Co-morbidade de problemas psiquiátricos é muito alta, estudos recentes concluem que é de 75% (link)

4. O tratamento de redesignação sexual (hormônios e/ou cirurgia) não reduz problemas psiquiátricos. (link)

5. O risco de suicídio não diminui após o tratamento de redesignação de gênero. (link)

6. O começo do tratamento deve ser a investigação de problemas psiquiátricos. O tratamento afirmativo não deve começar antes dessa avaliação. (link)

7. Somente equipes de especialistas com vasta experiência clínica em diagnósticos psiquiátricos deve diagnosticar crianças e adolescentes. (link)

8. Crianças e adolescentes simplesmente superam a incongruência de gênero após a puberdade em 80% a 90% dos casos. (link)

9. Tratamentos com bloqueadores de puberdades solidificam a disforia de gênero em 100% de crianças ou adolescentes. (link)

10. Tratamentos com bloqueadores de puberdade aumentam os problemas de saúde mental em meninas. A disforia de gênero não diminui. (link)

11. Há sérios riscos médicos e efeitos colaterais dos bloqueadores de puberdade e tratamentos hormonais. (link)

12. É um mito, sem embasamento científico sólido, que regiões cerebrais específicas de pessoas trans são mais parecidas com a do gênero que se identificam e não do sexo biológico. (link)

13. Não há acompanhamento de longo praso dos efeitos do tratamento de redesignação de gênero (cirurgia ou hormônios) no longo prazo.

14. Crianças e adolescentes com incongruência de gênero e também possíveis problemas psiquiátricos não podem ser consideradas aptas a dar consentimento formal.

15. As circunstâncias psicossociais e a história pessoal precisam ser investigadas e confirmadas. Informação de pais, parentes e amigos precisa ser considerada.

16. O processo de diagnóstico deve ser culturalmente neutro, sem influência de ideologia sobre gênero, influência política ou dogmas religiosos.

O grupo não nega que cirurgia ou tratamento hormonal realmente sejam a vontade e a solução de algumas pessoas. Aliás, há vários casos de gente famosa no Brasil que se apresenta com uma identidade sexual diferente da biológica - só que a solução psicológica e de tratamento médico dessas pessoas é diferente em cada caso. O que o grupo questiona é a frequência e a rapidez com que cirurgia e tratamento hormonal têm sido indicados, principalmente para crianças e adolescentes.

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Comentários [ 7 ]

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  • B

    Benedito

    ± 11 horas

    Texto informativo e embasador de opiniões...vou reler para argumentar melhor com meus familiares. Obrigado Mada

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  • F

    FABRICIO

    ± 14 horas

    Ótimo artigo Madeleine. A cirurgia não transforma o sexo da pessoa de verdade, muitas vezes após a cirurgia ela não se sente nem homem nem mulher, gera arrependimento e agrava a crise de identidade.

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  • W

    Wilbur Archibald III

    ± 22 horas

    Meu tio Aderbal quer trocar de sexo, só que ele promete ser lésbica.

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  • L

    LUIZ MARTINS JR

    ± 24 horas

    Muito boa esta publicação, os questionamentos são muito bem fundados. Acho que o fato de irem "com muita sede ao pote" nos leva a questionar que interesses estão de fato envolvidos nestes tratamentos?

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  • T

    Thais de Melo Queiroz

    ± 1 dias

    Questionamentos super justos de pessoas que realmente se importam, parabéns pelo artigo.

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  • A

    Alexandre Barcelos Damasceno Daibert

    ± 2 dias

    Para revisão: Tem um prazo escrito com s no meio do texto. Uma coisa que me chama a atenção é que só neste jornal eu leio alguma posição crítica sobre o assunto.

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    1 Respostas
    • Z

      Zyss

      ± 2 dias

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